quarta-feira, 30 de abril de 2008

Formar


Forma, informe. Distância crítica. Pop, Povera ou Minimal. Quotidiano e arte. Deslumbramento e afastamento. Envolvência. Activação. Pesado e leve. Massa e peso. Tradição. Vanguardas e pós-vanguardas. Tony Smith, Judd, André, Richard Hamilton, Celant, Kounellis, Anselmo, Pistoletto, Zorio. Modernismo e pós-modernismo. Narrativas colectivas, narrativas individuais. Utopia e distopia. Atópico? Mais uma aula sobre a contemporaneidade. Alguém falou em arte e vida? Vida e Arte? Arte que é vida e vida que é arte? Mas afinal o que é a arte? O que é a vida?
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Imagem: Michelangelo Pistoletto

Doce


Dou-te um doce. Em troca de um beijo salgado.
Queres? Alguém quer?

Mais dois

Comprimidos. Ben-U-Ron. Os de sempre para aliviar a previsível dor de cabeça que se aproxima. A aura, efeito óptico que antecede a enxaqueca, apareceu. Corro. Ataco a mochila. Engulo dois. Água, muita água. Sento-me. Coloco os óculos-de-sol. Encosto-me. Fecho os olhos. Espero que passe. Ainda não passou.

A dois


"O que eu mais desejava, pelo menos era o que me parecia nesse momento, era poder ir com ele, assim, de braço dado, até ao fim do mundo" (Yukio Mishima, Confissões de uma máscara).
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Querer não é poder. Pelo menos para alguns.
Oh well, hell.

Morning

"Numa palavra, o que ele me dava era a definição precisa da perfeição da vida e da natureza humana, personificada nas suas sobrancelhas, na testa, nos olhos, no nariz, nas orelhas, nas faces, nas maçãs do rosto, nos lábios, nos maxilares, na nuca, na garganta, na cor da pele, na força, no peito, nas mãos e em numerosos outros atributos." (Yukio Mishima, Confissões de uma máscara).

Hoje acordei assim. Leio Mishima e ouço "The Last Shadow Puppets". Olho para a janela. Vejo o sol, ainda frio. Olho para o espelho. A pele da cara recupera, aos poucos. "In the heat of the morning". Abro a correspondência. Os convites.

www.myspace.com/thelastshadowpuppets

Fim-de-semana

Brevemente. Em Lisboa. "Soulwax - Part of THe Weekend Never Dies". Um filme e um concerto. S.Jorge e Lux. O manifesto que precisamos de ver, ouvir, sentir e viver.

"Belgium dance-rock collective Soulwax, the live incarnation of brothers David and Stephen Dewaele plus friends Stefaan Van Leuven and Steve Slingeneyer, will release a documentary Part of the Weekend Never Dies on DVD this summer.

Filmed by Saam Farahmand, the documentary includes behind the scenes footage of the group plus interviews and snippets of indie/rock dance hybrids James Murphy, Nancy Whang, Erol Alkan, Tiga, Justice, Busy P, So-Me, Peaches and Klaxons.

'Where the Beastie Boys filmed one gig with 50 cameras, we filmed 120 shows with one camera in Europe, Japan, US, Latin America and Australia', says the band. In addition to the documentary, a second film of live concert footage from their Soulwax Nite Versions tour was also made." (in www.residentadvisor.net/news.aspx?id=9218).

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Os preços são elevados mas a experiência deverá valer a pena.

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www.myspace.com/soulwaxyeah

8 de Maio, Cinema S. Jorge / Lux

Adormeço:


A ouvir Cat Power. Penso:
És grande, estás a ficar grande.
Distante. Cada vez mais.
Quando fores grande lembra-te de mim.
Está a chover.
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terça-feira, 29 de abril de 2008

These grey days

Há músicas que podemos recuperar. Esta é uma delas. Usei-a num texto que escrevi sobre o Hedi Slimane. O vídeo não é novo. A letra é ideal para os dias de ressaca.

Uma discoteca


Watergate. Berlim.

Luzes. Festa. Acção. Final de Maio.

Eu e dois amigos.

http://www.water-gate.de/

Um filme


Nunca me disseram isto. Nunca disse isto.
As noites são isto.
"No sex last night". Um filme da artista francesa Sophie Calle.
Imperdível.
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"In her premiere video project, French conceptual artist Sophie Calle joins with Gregory Shephard to create a voyeuristic tour de force. Armed with camcorders, Calle and her collaborator/partner Shephard head West in his Cadillac convertible to produce and document a real-life narrative of their journey and their relationship. With America as the backdrop for this unconventional coast-to-coast road movie, Calle and Shephard each narrates and records a personal diary, presenting strikingly different versions of the narrative/relationship. Aiming their dueling camcorders, the protagonists chronicle the elusive landscapes of human relations, wrestling to reconcile self, sexuality, and desire. The viewer is challenged to reconsider the subjective and cultural roles imposed by gender, sexuality, power, and tradition. Throughout, Calle seeks to redefine through personal investigation the terms and parameters of subject/object, public/private, truth, fiction, and role-playing. The quasi-documentary style evokes the films of Chris Marker, to whom Double-Blind is dedicated." (in Ubuweb).

Hoje:


acordei assim.
Erwin Olaf, The Ice Cream Parlor, 2004
A pele bronzeada pelo sol não resistiu. Tenho a cara às manchas.
Vou começar a usar protector solar. Os ultra-violetas não perdoam.
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Roxo #1

1. Que tem uma cor que resulta da combinação do vermelho com o azul; que é da cor da ametista. = PÚRPURA, VIOLETA. Lírio roxo. Paramentos roxos. 2. Que é de cor semelhante, devido a contusão a forte pressão. = NEGRO. Tinha os pulsos roxos das algemas. 3. Que é da cor semelhante devido ao frio, a dificuldades respiratórias, a forte emoção... A criança chorou tanto que ficou roxa. Estava roxo de frio. 4. Que é vermelho. 5. Que é muito intenso, muito forte. = DESMEDIDO, EXCESSIVO. Estava com uma fome roxa. 6. Que tem um interesse enorme por alguém, uma paixão. = APAIXONADO. É roxa pelo moço. 7. Que é praticado com muita liberdade. Namoro roxo. 8. Que deseja muito, que anseia. = ANSIOSO, DESEJOSO. Está roxa por falar com ele. 9. Que é muito difícil, que requer um grande esforço. Trabalho roxo. 10. Que envolve problemas, dificuldades, perigos. = PRETO. A situação está roxa. (in Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea. Academida das Ciências de Lisboa)

Obras

Este blogue ainda está em obras. À procura de ser qualquer coisa. Um vomito. Uma operação escatológica, entre alfa e omega. Existencialista, Niilista, Romântico, Pós-Moderno, Ultra-Moderno, Conservador e Liberal, Utópico e Nostálgico. Camp. Moralista e Libertino. Exacto e cheio de gralhas e omissões (acidentais?). Apropriador de imagens, objectos, ideias, referências. Ignorante? Assumo a ignorância mas quero evoluir. Processual. É no fazer e no prazer que me situo. Escrevo porque gosto. Divulgo coisas que vejo, que leio. Muitas vezes pouco informado. Intuitivo. Componho um atlas mnemónico extremamente subjectivo. Partilho. Provoco. Revelo paradoxos. Não pressiono. Cada um na sua. Não subscrevo visões. Traduzo. Defino-me assim.

Imagem: Rita McBride, na Galeria Pedro Oliveira, Porto

As teias do Império


A Galeria Graça Brandão inaugura uma importante exposição da artista brasileira Lygia Pape: "But I Fly".

Tteia é uma instalação dos anos 1970, realizada a partir de fios dourados que compõem uma imensa teia com 10 quilómetros. Uma obra histórica. Um percurso único. Uma exposição que não vou perder.

Lygia Pape
"But I Fly"
09. 05 - 31. 07



Ilusão


Um prédio em Lisboa. Olhei. Parei. Fotografei. A ilusão do mundo numa parede.

Confissões


"Sentia-me inundado de prazer à ideia de que o meu corpo jazia ali, contorcido e abandonado. Era uma alegria inexprimível essa de ter atingido por um tiro e estar prestes a morrer. Paracia-me que, se isto se passasse comigo, mesmo que eu tivesse sido realmente atingido por uma bala, com certeza que não sofreria absolutamente nada..." (Yukio Mishima, Confissões de uma máscara).


É perverso. A descoberta de Mishima, da sua obra e vida. Penso no meu percurso. Nos meus traumas e fantasias. Nos odores, nas imagens. Retrocedo uns anos e tento perceber as vontades, as motivações e as razões daquilo que ainda hoje me dá prazer. Que me perturba. O estilo é interessante mas já li melhor. Atrai-me a ideia de auto-exclusão que, aqui e ali, subjaz nas palavras de Mishima, garantindo um espaço para o EU, para a sua expressão, lugar que procuro insistentemente. Atitudes, roupas, conversas, textos, casa, relações, leituras, entre outras variantes da vida humana. A união entre forma e conteúdo. A sua diluição. Aos poucos sinto-me menos ignorante.

Arte viva


Carisma

Falo com um amigo. Mostro-lhe este blogue. Diz-me que tem pouco carisma. Respondo-lhe que ando à procura do carisma perdido.

Carisma! Onde andas?

Jerry


A Boombox. Jerry Bouthier em Lisboa. No Lux. Meu amigo myspace. Na newsletter Blah Blah Blah (Lux), Tiago Manaia elabora um breve perfil daquele que foi o dj residente das festas mais "trendy" de Londres, as famosas e, por esta altura, quase míticas, BoomBox.
"No ano de 2007 não houve revista de moda que resistisse ao fenómeno das noites Boombox em Londres" (Tiago Manaia, "Jerry Bouthier").
Um fenómeno que foi determinante para o (re) estabelecimento da cultura Clubbing, que se espalhou por toda a Europa. Até por cá, ainda que de forma desmaiada e tardia. Permanece (ragilmente) e isso é que importa.
A ideia de festa enquanto arte e arte enquanto experiência de vida. Festa que pode mudar a tua, a nossa, vida. Recebi em casa um livro, enviado por um dos ex-porteiros, que reúne uma série de trabalhos fotográficos realizados por nomes como Wolfgang Tillmans. Fiquei viciado. Está na minha sala para quem quiser consultar.

Aconselha-se atitude. Na roupa, na energia, nos gestos, nos passos, na pista. Vamos riscar o melhor dance floor. A vontade de viver obriga-nos.





"Here's what a great nightclub does. It makes you forget about all the other great nightclubs that you have ever been to. It makes them automatically redudant." (Paul Flynn, "Let me tell you a secret", in BoomBox).



Dois a dois


Dois filmes. Um sobre Ian Curtis, dos Joy Division, e outro sobre Patti Smith, "madrinha do Punk". Eternos adolescentes. Revoluções, frustrações, utopias. Dois documentários sobre dois artistas. Ginsberg, Burroughs, Blake, Rimbaud, Baudelaire, entre outros, atropelam-se. Inspiradores. Saímos da sala de cinema e queremos ser eternos adolescentes. Já o somos. Sempre fomos. Seremos. Joy Division, de Grant Gee, 2006Patti Smith: Dream of Life, de Steven SebringJantámos. Fomos ao Lux. Dançámos e fomos felizes. Somos?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Estrela

Um isqueiro,
projecta uma imagem circular.
Luz e escuridão.
Falo ao telefone.
On / Off.
Estrela do paradoxo,
na parede do meu quarto de dormir.
Quero fumar.
Ver estrelas e fumar.
Fumar para ver estrelas.
Um dia à noite.

Pandora

Toco. Não abro. Provoco.

Conhecer

The colder the night gets,
The further she strays.
And he doesn't like it,
Being this way.
And she tried so hard to steer away from the meeting place,
But her heart had led her there.
She clings to his consciousness,
Wherever he lays.
He struggles to sleep at night and during the day.
He's worried she's waiting in his dreams to drag him back to the meeting place.
His love had left him there.
Where her voice still echoes,
I'm sorry I met you darling,
I'm sorry I met you.
As she turned into the night,
all he has was the words,
I'm sorry I met you darling,
I'm sorry I left you.
For weeks they had strolled around,
Playing the fools.
They knew the time would come and time would be cruel
Because it is cruel to everyone
He's crying out from the meeting place
He's stranded himself there

(The Last Shadow Puppets, "Meeting Place")

Conheci-te. Estavas numa paragem de autocarros. Verão. Estava com uns calções da praia. Fui-te buscar. Falámos. Comeste num apartamento que nunca mais vi. Uma janela aberta. A rua. As luzes e os carros. Tomaste banho. Vestiste uma t-shirt do Hard Rock Café. Não me lembro de que cidade. Despi-a. Beijaste-me. Beijei-te. Desajeitados. Parámos. Fomos embora. Nunca mais te vi. Não te esqueci.

www.myspace.com/thelastshadowpuppets

Mala de W. Benjamin

A mala vazia.
Em Lisboa.
Passei.
Olhei.
Continuei.

Tempo do belo

No Príncipe Real, uma feira de antiguidades, velharias e objectos variados. Usados. Arrecadações de memórias dos outros. Linhas de beleza contaminadas pelo tempo, pela habilidade manual, pela perícia técnica, pela funcionalidade e pela vontade de criar um belo particular.

Minorias criativas

"50. A aristocracia é uma posição face à cultura (assim como face ao poder), e a história do gosto Camp é em parte a história do gosto snob. Mas dado que não existe hoje autênticos aristocratas no antigo sentido do termo capazes de validarem gostos particulares, quem detém hoje este gosto? Resposta: uma classe improvisada auto-eleita, sobretudo homosexuais, que se proclamam a si próprios como aristocratas do gosto.
51. A peculiar relação existente entre Camp e homosexualidade deve ser explicada. Não sendo verdade que o gosto Camp é o gosto homosexual, não há dúvida de que existe uma particular afinidade pelas causas liberais e reformistas. Do mesmo modo, nem todos os homosexuais têm gosto Camp. Mas os homosexuais constituem, de um modo geral, a vanguarda - e o público mais articulado - do Camp. (A analogia não foi escolhida ao acaso. Judeus e homosexuais são as principais minorias criativas da cultura urbana contemporânea. Criativas no sentido mais verdadeiro do termo: são criadores de sensibilidades. As duas forças pioneiras da sensibilidade moderna são a seriedade moral dos judeus e o esteticismo e a ironia dos homosexuais.)." (Susan Sontag, "'Camp' - Algumas notas", in Contra a Interpretação e outros ensaios).

Escrito em 1964. Alguma coisa mudou. Os homosexuais já não são farois estéticos, nem os judeus representam o baluarte da moralidade.

Engolir


Ajoelha-te. Limpa as lágrimas. Pede desculpas. Arrepende-te. Diz que me amas. Obrigo-te. Não te deixo vomitar. Engole o que comeste. Digere os teus arrependimentos.

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Imagem: Erwin Olaf, Troy, 2007

A visitar: http://www.erwinolaf.com/

Time of Beauty

"A beleza é uma coisa terrível e assustadora. Terrível porque inapropriável e incompreensível, porque Deus povoou este mundo de enigmas e de mistérios. A beleza! São as margens do infinito que se aproximam e se confundem, são os contrários que se unem na paz. Não sou um homem instruído, irmão, mas tenho reflectido muito sobre isto. Os mistérios que há neste mundo!". (Dostoiewski, "Os irmãos Karamazov", in Mishima, Confissões de uma Máscara).

Começa assim. Um novo livro. Uma nova frase. Uma nova fase. Um novo título. Uma nova assinatura. Uma nova periodicidade. Apenas amigos. Um novo tempo. O belo, sempre o belo.