quinta-feira, 29 de maio de 2008

Berlim, uma Introdução

Não há muito tempo para actualizar o blogue. Muitas fotografias, museus visitados, passeios a pé e no metro. Berlim é uma cidade impressionante. Entre a história e o futuro. Profundamente simbólica. Aqui e ali venmos um marco, um índice daquilo que faz parte de uma certa memória colectiva. A consciência do que somos capazes. Para o bem e para o mal. A construção ou reconstrução é efectiva e prova de que podemos nascer das cinzas. Os edifícios, a arquitectura, o património e a sua assimilação num pensamento projectado para o futuro ditam e são exemplo. 

O bairro de Kreuzberg acolhe-nos num apartamento situado numa das suas ruas mais giras e na qual se cruzam várias realidades sociais e culturais. 

A noite começa... comer, despir, vestir e néons... e amanhã é outro dia. 

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Um trio...

Uma música que é especial. Gritos, saltos, histeria, um dj, umas festas, um passado. Bizarre Love Triangle acompanha-nos. É a moldura de um grupo de pessoas que se conhecem há uns tempos.
Hoje, dedico este vídeo e esta música ao Z.P. e à A.F.: "Everytime I see you falling, I get down on my knees and pray...".

terça-feira, 27 de maio de 2008

Panorama...


... em Berlim... um clube a não perder...
... e o Weekend abre o terraço a partir de amanhã...
AQUI VOU SER F.E.L.I.Z.

O que fica...

Parece incrível mas é verdade. Vou para Berlim e em Lisboa acontecem coisas óptimas. Hoje, no Lux podem ver Sam Sparro e Vicious 5, por ocasião do lançamento da versão portuguesa do MySpace.
Amanhã, no mesmo local, aparecem os Animal Collective... e não se esqueçam dos vários espectáculos (como odeio esta palavra) no âmbito do Festival Alkantara.

Prometeu...


... e cumpriu... a nova obra da Companhia de Teatro Praga, no âmbito do Festival Alkantara, "Conservatório", um clássico, com figuras clássicas, comprovando a teoria de que os deuses são loucos. Um cartaz que nos alerta para um cão. Um cenário despojado. Uma casa de vidro, de cristal, transparência ideológica. A humanidade. Corrupção e poluição. O castigo, a culpa, o sofrimento. O palco como construção. Um discurso sobre a Europa. Sobre a criação. Os mitos, o quadro moral. Perco-me, a certa altura. Reencontro-me. O texto não é fácil e há menos artifícios cénicos. A concentração é essencial. High, Low, Medium... Hi-Fi! High Five! Hi5!!!

Numa sugestão de leitura referida no blogue dos Praga leio:

"Na sua qualidade de consumidor, o Europeu finissecular apercebe-se da sua situação no vazio. Já não está condenado à liberdade, mas à frivolidade. Frívolo é quem, sem motivos sérios decorrentes da natureza das coisas, tem de escolher entre isto e aquilo - o verde-gaio e não o carmim, o teriyaki de salmão e não o carré de borrego, as Seychelles e não Acapulco, Naomi e não Vanessa, os Bad Boys e não os Depeche Mode, Jeff Koons e não Markus Lupertz, as grandes cilindradas da Honda e não os BMW, Long Island e não Bogenhausen. Tudo isto sabendo perfeitamente que o contrário seria igual. Estética - a comédia de preferência." (Peter Sloterdijk, Se a Europa Acordar).

A mim... a mim falta-me acordar. Estou condenado à frivolidade. Sempre o disse.

http://teatropraga.blogspot.com/

Berlin...

No Youtube pesquiso a palavra "Berlin". Aparece-me o vídeo da música de um dos primeiros filmes que vi sem os meus pais. "Take my breath away", dos Berlin. O filme: "Top Gun". Estudava nos Maristas de Lisboa e vi-o no recentemente inaugurado Centro Comercial das Amoreiras, "uma cidade dentro da cidade". As minhas primeiras gomas. O meu primeiro amor.

Hoje...

... acordei assim... um pouco mal-disposto...
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imagem: Martha Rosler, Semiotics of the kitchen, 1975, vídeo, preto e branco, som, duração: 6'21''

Revolucionária

"Existe portanto uma linguagem que não é mítica, a linguagem do homem como produtor: ali onde o homem fala a fim de transformar a realidade e a não mais conservá-la como uma imagem, ali onde vincula a sua linguagem à produção de coisas, a metalinguagem refere-se a uma linguagem-objecto, e o mito é impossível. Esta é a razão pela qual a linguagem revolucionária adequada não pode ser mítica". (Roland Barthes, Mitologias, citação retirada de "O Artista como etnógrafo", de Hal Foster, in MArte nº1).

L'air du temps

"Everybody was kung-fu fighting
Those cats were fast as lightning
In fact it was a little bit frightning
But they fought with expert timing"

... são tempos difíceis...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Beleza do vício


Nan Goldin, Clemens squeezing Jens' nipples, Paris. 2001, 183.00 x 122.00 x 2.50 cm, Galerie Yvon Lambert
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"First, it is about gender politics. It is about what it is to be male, what it is to be female, what are gender roles... Especially The Ballad of Sexual Dependency is very much about gender politics, before there was such a word, before they taught it at the university. A friend of mine said I was born with a feminist heart. I decided at the age of five that there was nothing my brothers can do and I cannot do. I grew up that way. It was not like an act of decision that I was going to make a piece about gender politics. I made this slideshow about my life, about my past life. Later, I realized how political it was. It is structured this way so it talks about different couples, happy couples. For me, the major meaning of the slideshow is how you can become sexually addicted to somebody and that has absolutely nothing in common with love. It is about violence, about being in a category of men and women. It is constructed so that you see all different roles of women, then of children, the way children are brought up, and these roles, and then men, then it shows a lot of violence. That kind of violence the men play with. It goes to clubs, bars, it goes to prostitution as one of the options for women - prostitution or marriage. Then it goes back to the social scene, to married and re-married couples, couples having sex, it ends with twin graves. " (http://fototapeta.art.pl/2003/ngie.php)

Mau-feitio

Um vídeo que não é novo. Uma música que ouço em loop. Para contrariar o pessimismo e o mau-feitio dos outros. Suburban Kids with Biblical Names, "Loop duplicate my heart".

Viagem...

... em Setembro ou em Outubro... Nápoles ou Napoli... depois de dois dias em Roma... a presto...

Walk...


You never alter
You’re always you
Everything’s breaking
But I don’t care
Smash the rest up
Burn it down
Put us in the corner ‘cus we’re into ideas

Take these edges
They’re inside out
No one will notice
They’re looking elsewhere
We can’t be honest
We call it off
We got the choice if it all goes wrong

We walk, we walk
We walk, we walk
You see the changes
In things that come
It’s how you deal with it
When switching off
Make a decision
A precondition
We got the choice if it all goes wrong

We walk, we walk
We walk, we walk

When nothing makes you feel good
Then nothing makes you feel good
(The Ting Tings, "Walk")

domingo, 25 de maio de 2008

Mais objectos...

... mais coisas, mais memórias...
... acumulamos, vivemos, lembramos...
... lamentamos...

Memória...


... dos objectos... um saco... uma viagem... uma vida... um ano da minha vida... Itália, Lisboa - Milão, Milão - Lisboa... vi-o hoje pela primeira vez desde o regresso... 2004-2005...

Épico...

... das pilinhas...

La Fille Coupée en Deux...


... ou "A rapariga cortada em dois", de Claude Chabrol... adorei... as imagens de Lyon, as imagens de Lisboa... adorei a Ludivine Sagnier... um filme que nos divide... a loucura e a febre dos afectos... tocou-me, cortou-me... sedução, ilusão, desilusão... a fórmula resulta...

Hoje...

... acordei assim...
... imagem: Wolfgang Tillmans, Shiny shorts, 2002...

Sonhar..

"Não sonhamos unicamente com a nossa própria alma, parece-me sonharmos anónima e colectivamente, embora de forma individual. A grande alma, da qual não és mais do que uma partícula sonha através de ti, à tua maneira, coisas que em segredo ela sonha sempre de novo - a sua juventude, a sua esperança, a sua felicidade, a sua paz... e a sua ceia sangrenta." (Thomas Mann, Montanha Mágica).

... um galão e um pão de leite, por favor...

Feira do livro...


... é uma merda... os livros são caros, as actividades paralelas são nulas, uma tenda merdosa, e o ambiente é no mínimo constrangedor... valha-nos a vista da cidade que recompensa o esforço de subirmos as alamedas do certame...

Indiana...


... Jones é um dos meus heróis preferidos... e esta nova saga repete muito daquilo que já vimos... e ainda bem... o filme não é uma revelação, obviamente, mas serve como gengibre... alivia o sabor dos outros alimentos... Cate Blanchet é uma actriz impressionante, com grandes capacidades plásticas... e o filme vale por ela...

A desconhecida...


... ou "La Sconosciuta"... um filme italiano de Tornatore, o mesmo realizador de "Cinema Paradiso"... uma salada russa (ou devo dizer ucraniana) de referências, um patchwork cinematográfico... um horror... um argumento tipicamente italiano, naquilo que esta categoria tem de pior... salvam-se os actores, como sempre... e a banda sonora que confere a carga dramática, de suspense, que o filme não teria de outra forma...

Cuscuz...


... "La graine et le mulet" ou "O segredo de um cuscuz" é um filme que relembra o neorealismo italiano. Em várias situações deparamo-nos com uma interpretação que pressentimos espontânea, quase real. Uma amiga diz-me que muitos não são actores, o que explica, desde logo, essa realidade e consequente credibilidade do filme. Imigrantes magrebinos no sul de França e descendentes. Uma zona de contacto civilizacional, um confronto com ideias feitas, preconceitos... uma França politicamente correcta que mete os pés pelas mãos... um filme que não queremos que acabe...

Casa...

... em Berlim... no bairro de Kreuzberg...

Hoje...


... caminhei muito. O carro continua na garagem. Ginásio, lanche, Feira do Livro (miserável e com preços demasiado elevados) e duas sessões de cinema. Um filme sobre cuzcuz e outro sobre tudo e nada (italiano). Ouvi várias vezes as músicas de MGMT e dos Suburban Kids with Biblical Names...

sábado, 24 de maio de 2008

Let's look at the...

Vem aí uma curta-metragem que promete. Reconhecem alguém?

www.oteusapato.blogspot.com

Evolução #4


OUTONO

INVERNO

VERÃO

PRIMAVERA

OUTONO

VERÃO

INVERNO

OUTONO

OUTONO

Sol?


Miguel Ângelo...

... era um grande artista. Descansa em paz.

Corpo

Acordei várias vezes com o despertador. Vesti os calções de banho, uma t-shirt e umas calças azuis escuras. Abri as janelas. Saio de casa e começa a chover. Regresso. Dispo-me e preparo-me para enfiar o corpo no ginásio. Dois chocolates de leite, um pão de leite e um galão. Uns textos, uns vídeos e umas conversas perdidas. Abro a janela e o céu revela-se aos poucos.

Gosto

Uma ideia que tenho tentado explicar ao longo dos anos a amigos que me consideram demasiado impositivo, no que ao gosto diz respeito, e que afinal era a minha veia Kantiana:

"Julgo esta coisa como bela devido ao sentimento de prazer que experimento. O meu vizinho tem a liberdade de julgá-la feia, e é assim que ele a julga. Está declarada a guerra do gosto. Mas ao pretender que o meu vizinho julgue como eu, atribuo-lhe o meu sentimento, comunico-lhe, agindo não de modo a que o sinta como eu - como conseguiria, visto qualquer empatia estar excluída? - mas supondo que ele tem uma capacidade para sentir prazer idêntica àquela cuja existência que me é comprovada pelo meu próprio prazer. A minha pretensão de emitir juízos universais é um apelo ao assentimento do outro, mas é também um desafio. Da minha parte, declaro-lhe guerra, mas ordenando-lhe que estabeleça a paz. Como é possivel que sinta prazer? Descubro então que o prazer que senti nessa coisa que julgo bela, e que não é mais do que o prazer que me proporciona o facto, para mim indesmentível, de ser dotado da faculdade de juízo estético é, ao mesmo tempo, o prazer que me dá a ideia, a ideia simples, de o meu vizinho ser dotado do mesmo juízo que eu e ser, por conseguinte, dotado para a paz. Portei-me moralmente com o meu vizinho postulando que a paz é possível em matéria de gosto - e assim, em todas as matérias - apesar de ele me ter declarado a guerra neste terreno e de eu próprio não pactuar. Mais ainda: ao constar que ele me reclama o mesmo assentimento que lhe pedi, desta vez sobre a fealdade da coisa que eu acho bela, constato que ele tem as msmas prerrogativas e que age com a mesma ética que eu." (Thierry de Duve, "O juízo estético, fundamento transcental da democracia?", in MArte, nº2)

Subjectivo, universal, democrático. O gosto. Gosto.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Milano...

... mi manca tanto... ogni fine settimana...

Olhar

"Per gli aspetti della natura avviene come per l'arte; molto ne è stato scritto, eppure chi li vede con i propri occhi li dispone in un nuovo rapporto." (Goethe, Viaggio in Italia)

Evolução #3


Assexuado

Tesão

Atracção

Armário

Heterosexual indeciso

Homosexual escondido

Homosexual assumido

Homosexexual indeciso

Bisexual

Velho

Tesão

Mad city

"Mad Rush" para uma cidade que demora a acordar. Philip Glass numa gravação histórica.

Demolir o tempo


"When things cast no shadow" é o tema ou título da Bienal de Berlim. O dia e a noite. Vários sítios, arquitecturas, estruturas, referências, o passado e o presente. Uma reflexão sobre a perda, a memória e a identidade. A efemeridade das permanências. O paradoxo é constante. Um recurso estilístico próprio da contemporaneidade. O tempo do hoje é um tempo perdido, sem tempo para o tempo. As coisas passam, são demolidas, erigidas, demolidas... As críticas à Bienal de Berlim dividem-se entre elogios positivos e outros negativos. Miserabilismo? Não há respostas imediatas. Não há respostas. Pedro Barateiro é um dos artistas convidados. O único português.
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Imagem: fotografia de uma das páginas do catálogo When things cast no shadow, "Postcard written by Dirk Lohan, Mies van der Rohe's granson and construction supervisor of the Neue Nationalgalerie, signed by Mies: '... for the first time-one can really sense thr scale of the large roof. It will be very impressive.'"

Molhas

Local de trabalho. Um dos vários. Não está ninguém. Molhei-me para nada.

I love...

ARTE

BARROCA

CONCEPTUAL


a arquitectura do corpo
a unidade
paisagem, edifícios, arte, mitos, desporto
extensões do corpo... sexo
o mundo é a nossa prótese
forma... escala... mistério formal
(acabei de ver um documentário sobre o ciclo Cremaster, de Matthew Barney)

Significado

"For most of us, photography stands for the truth. But a good artist can make a harder truth by manipulating forms. It fascinates me how I can manipulate the truth so easily by the way I juxtapose opposites or crop the image or take it out of context." (J. Baldessari)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Hoje...

... sinto-me mais ou menos assim (como a vítima)... "WGG Test", de Paul McCarthy...

Holst


Henriette Roland Holst foi uma poeta holandesa,do início do século XX, aliada de Rosa Luxemburgo.


"Henriëtte Roland Holst van der Schalk is one of the foremost poets of the first half of the twentieth century. Thanks to her very personal, feminine style, she reached a tremendous number of readers. In her poetry, she incorporated her political views, which went from being militantly leftist to religious-socialist." (internet)

Debruçar...

"Despertava o desejo de se debruçar sobre o totalmente descurado, quase esquecido mistério da vida..." (Henriette Roland Holst)

S.O.S.

I'm still thinking about you...

Explicar

"O mistério autêntico resiste à 'explicação'; e não porque se frute à prova, por meio de quaisquer truques de dupla verdade, mas sim porque, pela sua natureza, não pode ser desvendado racionalmente. Mas pertence à mesma realidade a que também pertence o explicável, e relaciona-se com a explicação de uma forma absolutamente honesta. Ele reclama a explicação, e a tarefa desta consiste, precisamente, em mostrar onde há algo de autenticamente inexplicável." (Károly Kerényi, Estudos do Labirinto)

Verão?

Verão! Volta! Estás perdoado...
:((((((

Peter's Dream

"as we sit here talking
i am embarking on your private property
it was not my intention of what i mentioned
you have got the wrong idea

blah blah blah blah
blah blah blah blah
blah blah blah blah
blah blah blah blah
blah

you misunderstood
my intentions were good
bring me the high jump
wish the stay in their swamp
frogs always come out of my mouth
try to change the direction of our conversation
but it's much too late for that

blah blah blah blah
blah blah blah blah
blah blah blah blah
blah blah blah blah
blah

you misunderstood
my intentions were good"

(Suburban Kids With Biblical Names, "Peter's Dream")

... eram mesmo...

Exposição

de Gonçalo Sena e Diogo Evangelista, na Galeria Alecrim 50, a partir de dia 27 Maio até 28 Junho.

Colégio...


... era cor-de-rosa velho e agora é cinza azulado.

Desktop

algumas revistas, um computador, cabos, livros...

2008...

F.U.C.K. Y.O.U.

... um ano para esquecer... se viver é respirar então estou vivo...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Indeciso

Acordo tarde. Respondo aos e-mails, reencaminho muitos, elimino outros. Uma conversa com um jovem artista e fico exausto. A empregada chega. Fujo. Deambulo pelo Chiado, pelas ruas interiores, entro numas lojas, ligo o iPod, deixo-me perder pelos meandros da indecisão. Compro não compro. Não compro!

Evolução #2


BOM DIA

BOA TARDE

BOA NOITE

BONS SONHOS

BOM DIA

Arte e vida

É um artista, cada vez mais. Um homem que ultrapassou fronteiras disciplinares, suportes... arte e vida, vida e arte, estetização absoluta daquilo que consideramos mau gosto, que despezamos como pornográfico. O seu egotismo é um manifesto, reflexo ou produto dos tempos contemporâneos. A validade desta proposta é inegável.

www.fsagat.blogspot.com

Hoje...

... acordei assim... sem conseguir encontrar uma imagem capaz de dar conta do meu estado de espírito... em branco fico...


Camden, 1982

"O cheiro do café e dos periódicos.
O Domingo e o seu tédio. Essa manhã
e na entrevista página essa vã
publicação de versos alegóricos
de um colega feliz. O homem velho
está prostrado e branco em seu decente
aposento de pobre. Ociosamente
olha o seu rosto no cansado espelho.
Pensa, já sem espanto, que essa cara
é ele. A distraída mão toca
a turva barba e a despojada boca.
Está perto do fim. A voz declara:
Quase não sou, porém meus versos ritmam
a vida e seu fulgor. Eu fui Walt Whitman."

(Jorge Luís Borges, "Camden, 1982", in Nova Antologia Pessoal)

Não corras


Consequências

"A dificuldade de aceitar a arte contemporênea é acrescida pelo facto de esta operar um deslocamento do valor artístico, que já não reside tanto no objecto proposto quanto no conjunto das mdiações que este autoriza entre o artista e o espectador: relatos da fabricação da obra, notas biográficas, vestígios de performances, redes relacionais, labirinto das interpretações, paredes dos museus solicitadas para integrar estes objectos que as violentam, contribuem tanto, senão mais, do que a própria materialidade do objecto, para fazer a obra. Assim, o valor de Fountain não reside na materialidade do urinol apresentado em 1917 à Society of Independent Artists of New York (e que aliás desapareceu), mas no conjunto dos discursos, dos actos, dos objectos, das imagens que a iniciativa de Duchamp continua a suscitar". (Nathalie Heinich, "Para acabar com a polémica da arte contemporânea", in MArte).

Marlene Dietrich goes to Christian Dior

Consequências das reticências da escrita... ou dot dot dot...

Mais uma

Revista de Junho fechada.
São 4h42 da manhã.
Lavar a cara, creme. Lavar os dentes.
Fazer xixi, lavar as mãos.
Boxers. Cama.

Está quase...


... férias em Berlim...

Labradorite

... et voilà... a pedra do Pedro...

Faith...


Uma pedra. Labradorite. "Fecha os olhos e escolhe uma das pedras que estão no saco". Não demoro e escolho a primeira. Labradorite. Uma lágrima mineral. Uma amiga regressa da Índia e traz presentes. Labradorite. Uma pedra, um saco e um livrinho de desejos. Não me falta nada.

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"Iridescent Labradorite is a highly mystical and protective stone, a bringer of light. It raises consciousness and connects with universal energies. Labradorite deflects unwanted energies from the aura and prevents energy leakage. It forms a barrier to negative energies shed during therapy. It can take you into another world or into other lives. A stone of esoteric knowledge, it facilitates initiation into the mysteries.

Labradorite aligns the physical and etheric bodies and accesses spiritual purpose. It raises counsciousness and grouds spiritual energies into the physical body. This stone stimulates intuition and physic gifts, including the art of 'right timing', bringing messages from the unconscious mind to the surface and facilitating their understanding.

Psychologically, Labradorite banishes fears and insecurities and the psychic debris from previous disappointments, including those experienced in past lives. It strengthens faith in the self and trust in the universe. It removes other people's projections, including thought forms that have hooked into the aura.

Labradorite calms an overactive mind and energizes the imagination, bringing up new ideas. Analysis and rationality are balenced with the inner sight. Labradorite brings contemplation and introspection. Synthesizing intellectual thought with intuitive wisdom, it is an excellent dispeller of illusions, going to the root of a matter and showing the real intention behind thougts and actions. This stone brings up suppressed memories from the past.
Labradorite is a useful companion through change, imparting strength and preseverance. A stone of transformation, it prepares body and soul for the ascension process." (in Crystal Directory) .
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So you got to have faith, faith, faith...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Não...

... é preciso muito para sermos felizes... uns ténis Nike Air Force One, umas calças Levi's, uma long-sleeve Diesel branca com riscas azuis, um casaco azul-escuro Religion a Way of Life, um iPod carregado com músicas novas, uns óculos-de-sol de 5 €, comprados em Génova... olhamos para o mundo, para os outros, subimos e descemos as ruas de Lisboa... flirtamos o próximo... caminhamos e sobrevivemos... felizes, cada vez mais...

Beijos...


... roubados...
...lembrei-me de ti... olhei... li a legenda... e sorri...
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Stolen kisses, de Polly Apfelbaum, 2002, veludo tingido, recortado e colado sobre fronha...
(exposição "Linhas, Grelhas, Manchas, Palavras...", Museu Serralves)

Loop

"And it's bigger than everything I have ever done before.

And it's bigger than everything I have ever done before.

I've found a reason for staying home tonight.
Just by myself tonight.
All by myself.
I'm gonna loop duplicate my heart into a million songs.

I've found a reason for going out tonight.
I'm making out tonight...
with my computer.
I'm bringing guitars on hold and my multi-track on surround.

And is it really so?
So many interesting effects I wanna try.
I wanna try them all on you.

And it's bigger than everything I have ever done before.

Can't get no sleep tonight.
Feels so good tonight
Damn, it feels so sweet tonight --
All by myself!
The neighbors can't complain 'cause I got my head phones on.

Can't get no sleep tonight --
damn, it feels so good tonight!
Everything is alright now
(my computer)
I'm gonna sing a million songs for you
so I hope you enjoy it.

And is it really so?
So many interesting effects I wanna try.
I wanna try them all on you.

And it's bigger than everything I have ever done before.

And it's bigger than everything I have ever done before.

And it's bigger than everything I have ever done before."
(Suburban Kids With Biblical Names, "Loop Duplicate My Heart)

E-flux


É já amanhã. E-flux vídeo rental inaugura amanhã, na Gulbenkian. Durante quase 1 mês podemos alugar e trazer para casa, gratuitamente, vídeos de diferentes artistas nacionais e internacionais.

Apatia


"Loucura em Las Vegas" depois do ginásio. Um filme estúpido para descontrair e promover a apatia. Uma comédia sobre a incompatibilidade dos afectos. Final feliz, beijinhos e genérico final. Música pirosa. Um rissol de camarão, uns ovos mexidos, um chá de camomila, uma conversa no msn e cama.

Arte?

"(...) é este o sentido da maioria das polémicas suscitadas pela arte contemporânea: a questão da beleza está pouco presente, dando sobretudo lugar a interrogações ontológicas acerca da natureza daquilo que é visto (arte autêntica ou 'ninharia', 'logro', 'seja o que for'), de interrogações éticas sobre o valor dos actos do artista (em que medida trabalhou ele verdadeiramente? É sincero ou cínico?) e da sua obra (as imagens mostradas, os actos efectuados, transgridem os valores morais?), ou até interrogações políticas sobre a oportunidade de apoio dos poderes públicos (deve-se subsidiar ou mostrar tal ou tal proposta?)". (Nathalie Heinich, "Para acabar com a polémica da arte contemporânea", in MArte, nº02).

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Evolução


LESS IS MORE...

LESS IS BORE...

MESS IS MORE...

MESS IS BORE...

Stress

O novo vídeo dos Justice: "Stress". Mais agudos, sons cortantes, violentos... um vídeo perturbante... "uma espécie de 'Laranja Mecânica' do terceiro milénio" (Vítor Belanciano, "Ípsilone").

Lost

"A gente movimentava-se em círculo, labutava, julgando avançar, e na realidade descrevia vastas e estúpidas curvas que reconduziam ao ponto de partida , tal e qual a órbita enganosa do ano. Era assim que as pessoas se extraviavam e não encontravam o caminho." (Thomas Mann, "Montanha Mágica").

domingo, 18 de maio de 2008

Brisa...

... uma amiga manda-me uma brisa sonora. "Century", de Long Blondes.

Paradoxo


A pesquisar novas exposições internacionais. Encontro esta imagem. Alexandre Farto em Londres. A arte da rua. Os paradoxos das imagens que vemos.

Intervalo

Um lanche com a minha mãe, no Chef. Ofereci-lhe o perfume Lolita Lempicka. Cheirar é recordar. Amar e recordar = Amarcord.

Hoje...


... acordei assim, a sentir-me uma espécie de herói, por estar a trabalhar quando devia estar na praia.


Imagem: Hedi Slimane, Benicàssim/MUSAC2007

Hoje...


... adormeço assim... com o som de million dollar violins...
...um presente de uma amiga...
"Slow Time"

Destino


Não é fácil esquecer-te. Vou à Bica, vejo amigos e conhecidos. Alienação total. Sair de mim. Olho para os outros. Venho para casa. Cansado. Ligo a televisão e vejo o final de "Morte em Veneza". Eu e tu.

Despedida


Mais uma amiga que parte. Um jantar de pré-despedida. Três anos em S. Francisco.

Responsabilidade

Ofereci responsabilidade a um irmão.
Tanti Auguri.

Nada

"Mas, que significa 'criar do nada'? Basta que se observe de mais perto o problema tudo se complica e o nada começa a assemelhar-se cada vez mais a qualquer coisa, ainda que seja muito peculiar" (Giorgio Agamben, Bartleby. Escrita da Potência).

Filme


O carro avariou. Reboque, telefonemas histéricos, ginásio, Museu do Chiado, compras e jantar. Um verdadeiro filme. Um livro, dois livros, um perfume para a minha mãe, um passeio pela cidade. Sol, calor e frio. Trabalho por fazer.

Alone?

Uma música que ficou no ouvido. Saltei e gritei "That's not my name" (The Ting Tings):

www.myspace.com/thetingtings

Jerry


O Jerry Bouthier podia ter sido melhor. Algum mofo e um público pouco motivado. Pouca produção, muitos turistas e secretárias. Cheguei a casa cedo e transpirado.
Fotografia: Miss Dove http://missdove.blogspot.com/
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Holding back, everyday the same
Don't wanna be a loner
Listen to me, oh no
I never say anything at all
But with nothing to consider they forget my name
(ame, ame, ame)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Champ


Dar...

"I suppose I may want more than any man cares to give. And sometimes I give more than any man wants to take." (Gore Vidal, The City and the Pillar).

... não há uma hora num dia, num qualquer dia da semana, que não pense em ti...

Teoria

"La théorie révolutionnaire est maintenant ennemie de toute idéologie révolutionnaire, et elle sait qu'elle l'est. " (Guy Debord, La Société du Spectacle).

Morrer...


... feliz...

Novas...

... músicas no iPod... voz cansada, pele às manchas, roupas repetidas... tédio... fotografias, livros... sol, nuvens, chuva... reticências...

Hoje...


... acordei assim, a sentir-me um leão.
Imagem: still "Augusta", Vasco Araújo

Hoje


Boombox no Lux... Jerry Bouthier traz-nos um pouco do espírito das festas londrinas. As Boombox acabaram mas a festa continua: no final de Maio, Richard Mortimer inicia um novo ciclo de eventos, Ponystep... Kitsune back again...~
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"From the people that brought you BoomBox - ponystep.com is a new monthly collaboration event, to co-exist with the website of the same name.Our first party will be co-hosted by Kitsune. With DJ sets from:Jerry Bouthier & Andrea Gorgerino (JBAG)Matthew StoneHanna HanraSpecial Guests:Gildas and Masaya (Kitsune)".


Ovo

Uma exposição, "Ex Ovo Omnia" (tudo vem do ovo), que apresenta as novas obras realizadas pelo artista Vasco Araújo. Um vídeo, Augusta, e várias obras que derivam dos habituais interesses do artista.

Excertos do press release:

"O vídeo “Augusta”, filmado em Washington é baseado na comédia “As Aves” de Aristófenes. Apresenta um diálogo entre dois leões de pedra sobre a criação de uma nova cidade e ideologia em contraponto ao regime de opressão da cidade antiga. Apesar disso, a descrição da nova cidade, do seu novo funcionamento social, da sua nova ideologia revela as mesmas características imperialistas da cidade e ideologia originais."

"A instalação “Álbum” apresenta uma mesa de jantar com treze álbuns de fotografias encrustados. Em cada álbum encontramos o espaço reservado às fotografias vazio. Estes espaços são acompanhados de pequenas frases que nos remetem para relação de alguém com os restantes membros da sua família em desaparecimento."

"“Trabalhos para nada, as árvores morrem de pé” apresenta uma história de uma mulher receosa de não ser comentada socialmente. Para combater tal facto aproveita uma bengala que herdou. Usa-la de modo a se evidenciar no seu meio social.

"“Ex ovo omnia” é uma instalação que recria uma árvore genealógica e nos apresenta uma criança psicologicamente perturbada com a sua peculiar herança genética. "

Uma exposição a não perder... a inauguração foi óptima, cheia de gente, de vários quadrantes sociais e profissionais, muitos amigos, novos conhecidos, muitas fotografias, óptimo catering...

Mano...


PARABÉNS

PARABÉNS

PARABÉNS

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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Change, change, change...

A coisa gira de ter MySpace é esta: andar a passear por perfis de amigos, desconhecidos e descobrir que não conhecemos músicas como estas. Gosto do som, da letra e do look. Santogold, "L.E.S. Artistes"´. A música ideal para um blogue que é sobre a beleza, o belo, o bonito, aquilo que é giro... Um blogue que ainda procura ser qualquer coisa que ainda não é, que se calhar nunca vai ser... o outro era mais giro, não era? shit! Seriam as reticências? hummm

Mel

"O mel era, já no Paleolítico, o alimento também dos Homens. E foi sentido, nas religiões do espaço mediterrânico (e não apenas aí), desde sempre, como oferenda apropriada aos deuses. O alimento mais doce correspondia à essência dos deuses, que é feliz e que espalha bem-aventurança. O antigo alimento dos deuses, antes da ambrósia, era o mel. O hino homérico a Hermes chama-lhe 'o doce manjar dos deuses', e assim permanece pela antiguidade tardia adentro, uma vez que se continua a dizer: 'Pois o mel é o manjar dos deuses'. Faz parte da mitologia dos deuses mais antigos que um deles, Cronos, se tenha embriagado com mel, porque, na altura, antes do nascimento de Dioniso, ainda não havia o vinho. A palavra grega para a aquietação dos deuses vem do mel, numa forma que trai o uso também no contexto não grego. Eram especialmente 'melíficos' os deuses do mundo subterrâneo, de quem a religião antiga pré-homérica e também a religião antiga, a que Homero repetidamente sobrevive, esperavam uma grande bem-aventurança." (Károly Kerényi, "A Senhora do Labirinto", in Estudos do Labirinto).

Adoro mel. Agora percebo os delírios nocturnos que me assaltam antes de adormecer...

Recomendação

Não sair de casa sem um chapéu-de-chuva fluorescente.

Ufa

Terminei textos...

Inaugura...

... a nova exposição do artista Vasco Araújo, na Galeria Filomena Soares.

Simplicidade

"We are from the past, but we echo and reverberate in the present. What a responsability! It is necessary that, with great urgency, we all speak well, and listen well. We, you and I, must remember everything. We must especially remember those things we never knew. Obviously that process cannot begin with longer lists of facts. It needs newer, and much more complex, kinds of metaphors. Perhaps we must trust confusion more, for a while, and be deeply suspicious of simple stories, simple acts". (Jimmie Durham, A Certain Lack of Coherence: Writings on Art and Cultural Politics)

Amor

Imagem: Mauro Cerqueira, exposição "Se Morrer, Morri", Galeria Reflexus, Porto

quarta-feira, 14 de maio de 2008