sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Intervalo

Mando mms com imagem da minha barriga. Recebo um elogio? Sim, acho que sim. Desgravo entrevista. Sem tempo para blogues, por hoje. Almoço pão de alho com queijo, num jardim com um lago e música dos anos 90. Escrevo um pequeno texto. Até já.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Na prateleira

"Jorge Duroy dormiu mal, tão excitado estava com o desejo de ver impresso o seu artigo. Mal rompeu o dia, levantou-se e estava na rua muito antes da hora em que os distribuidores dos jornais vão, a correr, de quiosque em quiosque. (...)

Tornou-se, em pouco tempo, um notável repórter, seguro nas suas informações, astuto, rápido, subtil, um verdadeiro valor para o jornal, como dizia o velho Walter, que era conhecedor em matéria de redactores. No entanto, como só recebia dez cêntimos por linha, mais os duzentos francos fixos, e como a vida dos bulevares, dos cafés, dos restaurantes, custa caro, nunca tinha um soldo e desesperava-se com a sua miséria." (Guy de Maupassant, Bel-Ami)

Já devia ter lido este livro há mais tempo. Tantos anos na prateleira a olhar para mim.

Hoje...


... sinto-me assim. Desfocado, pontilhado, anulado...
Imagem: Seurat

Acordar

"Acordou cedo, como acordamos nos dias de esperanças vivas ou de preocupações, e, ao descer da cama, foi abrir a janela, para absorver uma boa taça de ar fresco, como dizia." (Guy de Maupassant, Bel-Ami).

Um galão e um pão de leite simples. Um bom dia aqui e ali. A Calçada do Combro e o metro. Avenida da República. Atelier de uma artista. Catálogos, imagens e desenhos. Metro e redacção.

Talk like that!




www.myspace.com/thepresets

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Eu?


... ainda não... mas faço por isso, todos os dias! É a minha utopia.
Imagem: Lutz Bacher, JOKES: Jane Fonda, 1988

Um dia...

... gostava que dissessem sobre mim:

"Uma leitura que é puro prazer"

Comecei...


... Pilates! Quero ficar assim! Tipo JFK Jr.. Impossível? hummmm
O cabelo é parecido. Tenho uns calções muitooo parecidos. Falta-me o fio e o soundsystem. Está quase.

Agosto...

... bate o frio pelo rosto.

- "Bom dia. Ontem fui ao cinema ver Aquele Querido Mês de Agosto. Já não vi a tua sms. Dormi bem. Sonhei e acordei. Mais um dia"

Um filme sobre as vicissitudes do fazer um filme. Um filme sobre um mau filme que resulta num excelente filme. Fiquei deprimido. 2h30 a ouvir música ligeira nacional. As letras, as composições, os palcos, os concertos, os cantores. Feios, tristes e reais. As aldeias, as procissões, os rituais, os corpos disformes, as roupas, os caixilhos de alumínio, a ausência de dentes, os cabelos oleosos, as t-shirts ACDC meets Iron Maiden meets Dino Meira... a paisagem, o sublime nada romântico. Os incêndios... que deprimente.

Bel-Ami

"Ao chegar ao passeio, Jorge ficou um instante imóvel, como a perguntar a si próprio que faria. Era o dia 28 de Junho e só tinha no bolso três francos e quarenta para acabar o mês. Isso representava dois jantares sem almoços, ou dois almoços sem jantares, à escolha. Pensou que, como as refeições da manhã eram a vinte e dois soldos, em vez dos trinta que custava`m à tarde, restar-lhe-ia, se preferisse os almoços, um franco e vinte cêntimos de saldo, o que representava ainda dois repastos de pão com salpicão e mais duas canecas de cerveja no bulevar. Era esta a sua grande despesa e o seu maior prazer à noite." (Guy de Maupassant, Bel-Ami)

Hoje...


... acordei assim... e mais não digo...
(dreeeams, dreams, dreams, dreams...)
Imagem: http://men.style.com, reportagem: The timeless style of JKF Jr.

Gralha

"Pensou nos pais, no alívio que eles sentiriam quando vissem aquilo, o seu nome impresso como uma distinção e não como uma preocupação vergonhosa. Aquilo fortalecia-o. Prosseguiu, parando por um momento em cada página - já tinha lido todas as palavras dez vezes nas provas e fizera ainda uma última evisão na tipografia, mas sentia que aquelas páginas tinham passado por uma nova e indescrítível mutação ao transformarem-se numa revista... Toldava os olhos contra a gralha impossível, o lapso pelo qual ninguém dera..." (Alan Hollinghurst, A Linha da Beleza)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Embarrassment?



Sim. Porque posso. Tenho um casaco de xadrez Porfírios, ultra-supra-trans-multi-pós-Vintage, muito parecido com o do vídeo, em tons encarnado... para o Inverno!
E também tenho o vinil single desta música.

Apatia...


... de Verão. Inércia. Espera. Adormeço. Acordo várias vezes. Desligo o despertador. Estendo-me na cama. Adio o momento. Silêncio. O telefone toca. O berbequim da vizinha. O senhor da EDP que toca e insiste para fazer a leitura do consumo de electricidade. Vou à porta. Não abro os olhos. Ele entra e faz o que tem a fazer.

E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos corpos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
(David Mourão-Ferreira)

Um poema para a minha melhor amiga... Tempo?

Hoje...


... acordei assim... depois de 1 aula de Pilates, seguida de uma sessão de máquinas para fortalecer músculos. Aterrei na cama e dormi profundamente. 2h30 no ginásio!! ah well...
Imagem: Hedi Slimane. Tenho uns calções de banho iguais aos do menino.

Estou...

... com preguiça... não me apetece escrever. Ando à procura de um livro que me apeteça ler. Da casa da mãe, roubei As vinhas da Ira, do Steinbeck, A Religiosa, de Diderot, uma monografia sobre Brueghel e a História da Arte, de Germain Bazin.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Hoje...


... acordei assim... quero dormirrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!
Não vi a cerimónia de encerramento dos jogos olímpicos, vi um documentário sobre o Maio de 68, não vi o Lawrence da Arábia, vi uma curta-metragem da Roménia que adorei. Estive várias horas deitado na toalha de praia ou na cama. O corpo diz que descansou mas eu quero mais. Comi um saco de gomas, várias bolachas de chocolate, crepes com mel, flocos e derivados...
Imagem: Ariane Michel, Sur la terre, 2005

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Rabeta!

Jake Shears, fotografado por Hedi Slimane
O novo número da Butt!

The One!

Thoughts of You

The sunshine blinded me this morning love
Like the sunshine love comes and goes again
I love you I love you
The sea air it's flowing through my room again
Like the thoughts of you fill my heart with joy again
I'm sorry
I miss you
All things that live one day must die you know
Even love and the things we hold close
Look at love look at love look at love
Look what we've done
Loneliness is a very special place
To forget is something that I've never done
Silently silently you touch my face
(Dennis Wilson)

Hoje...


... estou assim...

Questão de tempo

"Os romances longos escritos hoje em dia talvez sejam um contra-senso: deu-se cabo da dimensão do tempo, não podemos viver ou pensar senão pedaços do tempo que se afastam cada um deles pela sua trajectória e de repente desaparecem. A continuidade do tempo, agora só conseguimos encontrá-la nos romances da época em que o tempo não parecia estar parado mas também ainda não era como uma explosão, uma época que durou mais ou menos cem anos, e depois se acabou." (Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno Um Viajante)

É sempre uma questão de tempo.

Hoje...

... acordei a sonhar com piscinas, corpos estendidos, sol, limonadas, árvores, vento, toalhas e tecidos às riscas azuis e brancas...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

No mundo...



... uma espécie de Blimunda e Baltazar nórdicos... os The Notwist, com Where in this world... fugir daqui...

Hoje...


... acordei assim...
Imagem: Stephan Balkenhol

Agora...

... deita-te com a barriga para baixo. Eleva o corpo ligeiramente do chão e apoia-te nos cotovelos e nos bicos dos pés, mantendo uma posição horizontal direita. Levanta uma perna e depois a outra, alternando várias vezes. Faz pequenos movimentos circulares. Vira-te. Respira.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Hoje...


... acordei assim... enigmático...
Imagem: Charles Avery, Untitled, 2002
"Charles Avery creates his drawings of enigmatic groups of figures by starting from one area of the body, often a nose, and working outwards from there until a character is created. Each subsequent figure is created in reaction to the previous one until a narrative begins to emerge. Avery puts most detail into the faces and hands of his figures, as he views these as vital for expression. The left-hand edge of this drawing reveals that it has been neatly removed from a spiral-bound pad. However, this is not a preparatory sketch for a painting, as Avery views drawing as important in its own right and uses it as a way to encourage the viewer to interact. He explains, 'Drawing puts much more trust in the viewer. Drawing is a form of writing, it’s a telling medium and people get involved in it.' (in http://www.nationalgalleries.org/)

Revista

... quase fechada, médico, revisões finais, bolos, galões, pão-de-alho, sms, dormir, acordar, comer, forno, praia ou esplanada, adormecer...

Modos de fazer mundos

"Ao arrepio do que parece ser moda recorrente na especulação filosófica que se pretende debruçar sobre a prática da arte contemporânea, eu entendo o acto e o momento da criação como uma demirgia e reivindico a ideia de aura como um nome que 'diz' acerca daquilo que faço e acerca da natureza do modo como a pintura entende o mundo por mim. Não me proponho analisar, dissecar ou sequer testemunhar um tempo com a pobre ambição de um cronista ou perseguindo a amabição estéril de um ideólogo. Um artista ante a sua obra é por um breve instante o mundo, o mundo todo tal como o entendemos e mais aquilo que desejaríamos poder acrescentar-lhe e assim atingir a perfeição. Tudo isso estará na obra per se e nela eu desapareço. Nesse aspecto, eu não posso fazer nem ser aquilo que não sou, isto é, eu só posso ser esta totalidade, este desejo de absoluto, e é isso justamente que define a arte como uma actividade. Portanto, a minha pose é a minha arte, a minha arte e a minha pose sou eu e nós os três somos um mundo. Não há nada fora disto". (Pedro Cabrita Reis, in "Uma conversa no campo" in Pedro Cabrita Reis - Colecções Privadas)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Love no!

Almocei...

... nas Docas, no café que já foi um spot de betinhos, há muitos anos. Duas amigas, sol, sopa de legumes, toppings de chocolate de leite, lente de contacto, beijinhos e abraços, bronzes, fotografias e olhares que flirtavam aqui e ali (as amigas, humpf!).

Decisão!

Vou fazer uma tatuagem com o Wall.E! Ainda não sei onde. Aceito sugestões.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Hoje...


... acordei assim.
Imagem: Jeff Wall, Stereo, 1982

Um beijo!

"In 2003, the German Reichstag (parliament) voted in favor of realizing a monument to commemorate the homosexual victims of the Nazi regime.
Following an international competition in 2006, Berlin based artist duo Elmgreen & Dragset’s proposal was selected for realization.
Elmgreen & Dragset have related the aesthetics of the monument to the Holocaust memorial, which is located directly opposite, on the other side of the street. While Peter Eisenmann’s Holocaust memorial consists of 2711 concrete stelae (cubic slabs), Elmgreen & Dragset have opted for just one single slab, using the same material, color and proportions as Eisenmann’s, but enlarging it slightly in its overall size to take on the character of a pavilion. Whilst the concrete ‘pavilion’ lacks any exits or entrances, the visitor will through a small, square window be able to watch an endless film loop of two men embracing in a kiss.
The appropriation of elements borrowed from the Holocaust memorial underlines the similarities in experience of persecution and suffering between the different victim groups, whereas the intimacy of the film loop insists on an identity of its own. Situated on the other side of the street, the work seems to say: “We are the same but we are also different”.

Alienar

"Que coisa era afinal - preto no branco - o seu entendimento com Wani? A busca do amor parecia precisar do refinamento da indiferença. A profunda intimidade que havia entre eles era tão secreta que, por vezes, era difícil acreditar na sua existência. Perguntou-se se alguém saberia - se alguém teria sequer uma vaga, muito vaga, suspeita, uma intuição que, de tão absurda, logo era rejeitada. Como é que alguém poderia saber? Sentia que era inevitável haver indícios de uma ligação sescreta, um qualquer gesto - involuntário - de ternura ou deferência, um jeito especial de não ligarem um ao outro... Perguntou-se se alguma vez se saberia da sua ligação - quem sabe se não levariam o segredo para o túmulo... Por um minuto, sentiu-se incapaz de se mexer, como se estivesse hipnotizado pela imagem de Wani. Foi preciso um pequeno estremecimento para que o feitiço se quebrasse." (Alan, Hollinghurst, A Linha da Beleza)

O livro não é fantástico nem nada que se pareça. Tem aguns pontos interessantes mas parece incapaz de ir mais longe em termos literários. Demasiado convencional, marcado pelas regras de uma qualquer disciplina narrativa que o define nos mais pequenos detalhes. Gostava de ver a ideia da curva e contra-curva de Hogarth mais explorada em termos estruturais, por exemplo.
A tradução é miserável e não ajuda (alguém que diga ao José Vieira de Lima que ninguém diz "picha"). É ideal para ler na praia, no café, na cama... e, aqui e ali, encontramos algumas frases boas para alienar (superficialmente).

Para ti!


Standing Next to me, dos The Last Shadow Puppets
Ouvir repetidamente, sem parar.
E trabalhar repetidamente, sem parar.

Praia?

Não podemos fazer isto para o resto da vida?

sábado, 16 de agosto de 2008

Adorei...

... o Walleeeeeeee!
A importância de duas mãos que se tocam, que se dão. Genérico final a não perder.
O eterno retorno contado através do estilo artístico tout court.
Colaboração técnica do português Afonso Salcedo (ver link nos beauties).

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Costas

"A dupla curva era a 'linha da beleza' de Hogarth, o lampejo sinuoso, serpenteante, de um instinto, de duas compulsões reunidas num único e ininterrupto movimento. Deixou que a sua mão percorresse as costas de Wani. Tanto quanto sabia, Hogarth não ilustrara a sua 'linha da beleza' com aquele exemplo, afinal o seu mais perfeito exemplo, o declive e a onda - não, Hogarth escolhera harpas e ramos, ossos em vez de carne. Não havia dúvida: era tempo de se escrever uma nova Analysis of Beauty." (Alan Hollinghurst, A Linha da Beleza)

Hoje...


... voltei a usar os óculos cor-de-rosa...
...na praia, no supermercado, na rua, no trânsito, por aí, por ali e por aqui... as cabeças alheias viraram-se... ah well...

Compras...


... de Verão. No supermercado com nome quase pornográfico.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Permanência?

It's my direction
It's my proposal
It's so hard
It's leading me astray
My obsession
It's my creation
You'll understand
It's not important now
All I need is
Co-ordination
I can't imagine
My destination
My intention
Ask my opinion
But no excuse
My feelings still remain
My feelings still remain
(OMD, Souvenir)

Um dia...

... gostaria que alguém escrevesse sobre mim:

"An instant classic"

Hoje...


... acordei assim... com vontade de partir os dentes a alguém... ah well...
Imagem: Keith Haring: Untitled, 1982

L+arte


Ainda não tinha falado da L+arte de Agosto. Mas é imperdível.
Silly Season rules!
L O V E ?

A ouvir:


The Temple Cloud Country:
www.myspace.com/thetemplecloudcountryclub
Gosto muito da música A Hole in Water...
... de repente, assim só de repente, percebo que ainda gosto de ti. F.U.C.K.
Isto não vai passar, pois não? Vou ficar agarrado a isto para sempre...

Barbear



Não conhecia. O André do blogue more all of me (ver beauties ao lado) é que me apresentou esta primeira obra de Martin Scorsese. Estou viciado. Vejo vezes sem conta. Brilhante. Beautifull!

Era mas não é...


"A sua mente fixava a fugaz imagem do homem que tanto desejara conhecer, em que tocara apenas por um breve momento e que deixara lá fora em toda a sua desconcertante realidade. Esse homem era demasiado sexy, era demasiado aquilo que ele queria, com aqueles jeans descaídos na cintura e aquela camisa azul bem justa. Havia nesse homem algo que inqietava Nick: a sua óbvia intenção de seduzir, ou, pelo menos, de mostrar a sua capacidade de sedução. Tremiam-lhe um pouco as mãos quando levou as bebidas para a rua." (Alan Hollinghurst, A Linha da Beleza).

Não seduzi. Acho que não fui seduzido.
Mas aquilo era mais ou menos o que eu queria.




quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Terraço

"As at the terrace of any anonymous provincial café, so here he could sit alone for hours, day dreaming and wandering, dwelling on ills and pleasures and on how personalities were affected by inner and outer worlds...
Whilst staying with a friend on one of these frquent occasions of being away, he dreamt of his returning here... And he was stunned by what he saw..." (Marc Camille Chaimowicz, Dream, an anecdote)

Hoje...

... pode ser assim. Mmm... não sei. Acho que não. Não me apetece. Logo se vê.
Imagem: detalhe de pintura de Lucas Cranach, em Berlim

Sonho

"The night dream (rêve) does not belong to us. It is not our possession. With regard to us, it is an abductor, the most disconcerting of abductors: it abducts our being from us. Nights, nights have no history. They are not linked one to another. And when a person has lived a lot, when he has already lived some twenty-thousand nights, he never knows in which ancient, very ancient night he started off to dream.
Paul Valery says that he believes dreams are formed 'by some other sleeper, as if in the night, they mistook the absent person'. To go and be absent from the house of beings who are absent, such is precisely absolute flight, the resignation from all the forces of the being, the dispersion of all the beings of our being. Thus we sink into the absolute dream." (Gaston Bachelard, The Poetics of Reverie)

The Power of Love


"O sexo produzia nele uma deliciosa lavagem ao cérebro; quando fechava os olhos, via uma sucessão de falos como um padrão de paoel de parede no escuro, e, a qualquer momento, as imagens da cópula anal, o seu novo triunfo e arte, podiam galopar, numa montagem surreal, pela rua fora, ou na sala de aulas, ou à mesa de jantar." (Alan Hollinghurst, A Linha da Beleza)


Deito-me tarde, mais uma vez. Quero descansar e regularizar os sonos e os sonhos. A leitura (Kant, Hollinghurst, Nietzsche, Gordimer, Calvino, Ernesto de Sousa) e o consumo de dvd's e vídeos you e x tube não me deixam. A Linha da Beleza é um vício. A banda sonora traz recordações.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Duas faces

"O sentido último para que remetem todas as estórias tem duas faces: a continuidade da vida, e a inevitabilidade da morte." (Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno Um Viajante)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Hoje...



... acordei assim...

Seca


As críticas avisaram. Mas eu fui na mesma. "O Estado mais quente", de Ethan Hawke, é um filme banal, pretencioso, a querer ser mais do que realmente é. Chega a ser aborrecido. Os diálogos são básicos, cheios de clichés e fórmulas vindas do divã!
Insatisfeito, fui ver os X-Files. Não gostei. Mais amor e amor e amor e amor. Que seca!

Ontem

"No Verão, quando havia janelas abertas por todo o lado, a noite parecia feita de sons tanto como de sombras, o sussurro das folhas, o ruído do trânsito que ignorava o sono, distantes buzinadelas de carros e guinchos de travões; vozes, gritos esbatidos, uma confusão de músicas porque alguém mexia nos botões de um rádio." (Alan Hollinghurst, A Linha da Beleza)

Escrevi as primeiras linhas. Levanto-me e olho para o que passa na rua. Sento-me no pouf. Ligo a televisão. Vejo fragmentos de uma estúpida comédia romântica. Olho para o tecto, para as formas delineadas pelo estuque. Linhas intersectam-se harmoniosamente. Deixo-me levar pela beleza. Tiro a t-shirt e abro a janela. Levanto-me, visto uns boxers e deito-me na cama. Leio e adormeço. "É isso o que The Face é? - disse Gerald. - Uma espécie de revista satírica..." zzzz

The Analysis of Beauty ~

~
Fitness ~ Variety ~ Regularity
Simplicity ~ Intricacy ~Quantity
Greatness
... é por isso que ainda gosto de ti...
(regras segundo Hogarth)

Nova oportunidade



I know a place where diamonds never fade away
My dearest friend is shining brighter day by day
Any day is a new chance
Any day is a new chance
Any day is a new chance
A new romance
I know a place where diamonds never fade away
I know a place where hate and innocence can play

domingo, 10 de agosto de 2008

Pensar

"Especular, reflectir: toda a actividade do pensamento me remete para espelhos. Segundo Plotino, a alma é um espelho que cria as coisas materiais reflectindo as ideias da razão superior. Será talvez por isso que para eu pensar preciso de espelhos: só consigo pensar na presença de imagens reflectidas, como se a minha alma tivesse de possuir um modelo a imitar se quiser por em acção a sua virtude especulativa." (Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno Um Viajante)

Hoje...


... regressei assim, de casa para casa...

Blind date # 2

"Tinha um blind date às oito da noite e aquele dia quente de Agosto era uma reverberação de nervos, interrompida, uma vez por outra, por uma breve brisa de lúbricos devaneios. O encontro não era totalmente cego - 'apenas muito míope', como disse Catharine Fedden quando Nick lhe mostrou a fotografia e a carta." (Alan Hollinghurst, A Linha da Beleza).

... não fui... mais um... tudo por causa de ti... ainda gosto de ti. Fui ao cinema, sesão dupla, agravar a minha crise de nervos, a ansiedade que antecede a escrita do texto que ainda não escrevi, que está mesmo aqui, quase a sair. Às vezes, penso... esquece. Não quero escrever o que penso.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Feudalismo

"He named a country she had barely heard of. One of those partitioned by colonial powers on their departure, or seceded from federations cobbled toguether to fill vacuums of powerlessness against the regrouping of those old colonial powers under acronyms that still brand-name the world for themselves. One of those countries where you can't tell religion apart from politics, their forms of persecution from the persercution of poverty, as the reason for getting out and going wherever they'll let you in". (Nadine Gordimer, The Pickup)

Religião



Quero ver este filme! No Queer Lisboa, 19 a 27 Setembro.

Pretencioso?


Se calhar é. O meu desporto Olímpico preferido é o mergulho. Sempre foi. Talvez pela simplicidade, repetição, rapidez, observação do detalhe. A aproximação a uma certa ideia de corpo, gestualidade, graciosidade, frescura. Conceptual? Certamente! Provavelmente, este é o desporto mais arty das olimpíadas. Espaço, tempo e movimento. E muita tensão sexual (lol)!

Hoje...


... acordei assim... sonhei com touros, forcados e touradas... na impossibilidade de ver um filme (o DVD avariou) e incapaz de ver o futebol o canal 1 e a telenovela da SIC, decidi ver a tourada da TVI e gostei. Não gosto de sangue e de ver animais torturados na arena mas gosto das touradas, da elegância dos cavalos, da coragem dos forcados, do espírito de grupo entendido na sua acepção mais básica... terra, sangue... adoro os apelidos fascistas, da manutenção de um certo marialvismo, da concentração de povo e nobres, dos sons das cornetas, do delírio perante uma manobra de um cavalo... gosto das dedicações aos pais, aos mestres, gosto das cores, dos fatos, do brilho, dos nervos que vemos aqui e ali nas caras, nos gestos... no amor dos fãs que atiram flores e telemóveis... A tensão sexual é constante.
Imagem: Rineke Dijkstra

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Hoje...


... o dia acaba assim... um assalto a uma dependência bancária... e as memórias do fime com Al Pacino, Dog Day Afternoon, e a revisitação de Pierre Huyghe, The Third Memory (?)...
... a história era outra, mais glamour, mais apoiantes, uma causa social... espero ansioso pelas razões dos nossos assaltantes...


Putos



Fomos putos. Fomos? Ainda somos!

Insulto

"És um porco sem rabo"
Ouvi agora mesmo. Uma senhora, com cerca de 65 anos, a chamar este belo qualificativo a um outro senhor, com cerca de 70.
Amo Lisboa...

"Turn on...

... tune in, drop out" é uma frase de Timothy Leary, associada à contracultura dos anos 60, aos efeitos provocados pelo LSD.
"'Turn on' meant go within to activate your neural and genetic equipment. Become sensitive to the many and various levels of consciousness and the specific triggers that engage them. Drugs were one way to accomplish this end. 'Tune in' meant interact harmoniously with the world around you - externalize, materialize, express your new internal perspectives. Drop out suggested an elective, selective, graceful process of detachment from involuntary or unconscious commitments. 'Drop Out' meant self-reliance, a discovery of one's singularity, a commitment to mobility, choice, and change. Unhappily my explanations of this sequence of personal development were often misinterpreted to mean 'Get stoned and abandon all constructive activity'." (Timothy Leary).
...............
... também é a frase estampada na minha t-shirt nova...

Amanhã:

... é 08 - 08 - 08
O eterno retorno. O infinito. Amanhã nunca será depois de amanhã. Ficamos presos no sempre. No mesmo. Afinal, amanhã é um dia igual a todos os outros.

Surpresa



Quero ver este filme em Lisboa. Já passou? Ando distraído?
... um dia apareço em tua casa e faço-te uma surpresa...

Alentejo

Vão-se embora. Eu fico por aqui.
Cá estarei. À vossa espera. Ou não. A vida continua. Às vezes não.
Imagem: Eleanor Antin, Going Home from Roman Allegories, 2004
Sim! Adoro Eleanor Antin!

Hoje...


... acordei assim... a sonhar com Arcadia, Edéns e outros bosques encantados... não queria acordar, não conseguia, resisti, desliguei o despertador e virei-me para o outro lado. O corpo dormente, as obrigações longe mas presentes, a vontade de ficar ali para sempre, retido num outro hemisfério, numa outra possibilidade...

Imagem: Eleanor Antin. Triumph of Pan (after Poussin), from "Roman Allegories", 2004.

Trabalho

"O trabalho. Porque há muita gente que julga que isto são coisas fáceis (e leves)... Que para ser moderno basta fazer umas coisas bizarras e chamar-lhes rituais, por exemplo: copiar umas frases bem soantes («Criação permanente», «arte pobre»), e fazer um carimbo. Engano dos tontos (às vezes, simpáticos dos eternos, seguidores, dos brincalhões da modernidade). Pôr um monte de terra numa galeria, ou encostar uma tábua à parede de um museu, não são achados; por detrás de coisas tão aparantemente simples, pode e deve estar tanto trabalho como o de conceber e pintar o tecto da Capela Sistina. Como por detrás de um happening de Vostell ou de uma meditação de Filliou. É esse trabalho (essas tormentas) que reencontramos no prazer estético da chegada. E é então que, sem paraísos artifíciais, e com novos olhos nos apercebemos da diferença: tanta gente, Mariana!". (Ernesto de Sousa, "Há tanta gente, Mariana!", in Ser Moderno... em Portugal)

Uma casa...


... no fim do mundo é um filme e um livro. Gosto mas não gosto. É um filme cheio de clichés e estereótipos sociais, históricos e emocionais. Ontem, sentei-me no pouf cor-de-laranja, preparei um chá de camomila, liguei a televisão e deixei-me contaminar pela lamechice da solidão. Alienai e chorei, mais uma vez. Para esquecer. A minha casa fica no fim do mundo. Pena é não ser giro como o Colin Farell. Oh well...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ofereceram-me...


... uma t-shirt lindaaaaa da Gio Goi...

Ivo Moreira

Na Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural, a partir de 12 de Agosto.
J'adore!!! Faço minhas as palavras da obra...

Conservador?

"Dramática é a não confissão; ser conservador e nen, sequer, pensá-lo. Ter vergonha de o ser e inventar os vestuários e as palavras, os testemunhos e os argumentos que permitam à consciência julgar-se ponderadamente consciência aberta; ao novo, à inquietação, à diferença. Ser Velho do Restelo querer partir também, ir também, para lá do cabo e aportar também, também..." (Ernesto de Sousa, "Há tanta gente, Mariana!", in Ser Moderno em Portugal)

Representar


Um desenho do ainda polémico Ad Reinhardt (ou como no filme de Brian de Palma: "Ad Wine Art")
Sobre a questão de como nos representamos e como nos vemos, ontem, à noite, mandei, pela primeira vez na minha vida, via mms, uma fotografia de mim, todo nu... e, confesso, nem parecia eu... medi as consequências... não é explícita, obviamente. Uma torsão do corpo. Sem cara. Apenas tronco, cintura e parte superior das pernas. Como um Narciso, apaixonei-me por mim e ignorei a opinião do destino da imagem. Não consigo deixar de pensar naquele corpo.
Demência... oui c'est moi...

E agora?

Agora? Agora aguardo as tuas instruções. Para viver.
imagem tirada de www.ponystep.com


Café?

"Fate.
She was amused: Is there such a thing? Do I believe in it. You do, then.
To be open to encounters - that was what she and her friends believed, anyway, as part of making the worth of their lives. Why don't we have coffee - if you're free?
(...)
In casual encounters people - men and women, yes, avoiding any other subject that may be misunderstood, compromising - tell each other what they do: which means what work is theirs, not how they engage their being in other ways." (Nadine Gordimer, The Pickup)

... a saga do Café e dos cigarros...

Hoje...

... acordei assim... desejado... virtualmente desejado... carne, um mero pedaço de carne...
Imagem: Critical Art Ensemble, Flesh Machine
www.critical-art.net

Ser moderno...

"Esta sociedade precisa do original e do moderno, facilmente adquiríveis e de-pôr-na-parede sem pôr em causa a parede, a casa ou a cidade. Sem pôr em causa as máquinas e as outras ferramentas, profanas e desligadas de qualquer sentido, mas criadoras de mais-valia, privilégios e ilusões de estabilidade." (Ernesto de Sousa, Ser Moderno... em Portugal)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Quando?


Quando é que me roubas outro beijo? Num carro ou num qualquer apartamento de Lisboa?
Provocas e não gostas. Sim. Ainda gosto de ti. Mas não quero e nunca quis.
Imagem: Fragonard, Beijo Roubado

Um dia...

... gostava que alguém escrevesse sobre o meu trabalho:

"The most original and important work yet written on the subject"

... :P adoro ler epitáfios...

Hoje...

... acordei assim... juro-vos! Estava cansado, estou cansado. Vi os Ficheiros Secretos e a Invasão das Formigas, ou lá o que era. Cheio de sono. Bem-disposto mas cheio de sono. Ansioso e cheio de sono. Com muito trabalho e sono. Vomito um texto. Não gosto. Escrevo mal. Odeio. Odeio-me. Quero gostar de mim e do que esccrevo. Gosto das minhas roupas, às vezes. E dos meus óculos-de-sol. Sonho com rios e campo. Com sestas, mantas e almofadas. Árvores que se mexem com o vento. Sonho em ter sonhos eróticos. Teimam em não aparecer. Não molho a cama há muito.
Adormeço tarde. Durmo e custa-me a acordar. Quase nu. Uns boxers largos. Também não tenho outros. São sempre largos. Às riscas ou xadrez. Não tenho lisos. Não gosto.
Envio uma sms erótica. Recebo resposta de manhã. Estamos em sintonia. Os dois nus.
Imagem: Sam Taylor-Wood d'après Andrea Mantegna

Tanta gente?

"Há tanta gente... que parece sempre mais. Quer dizer diferente. Gente diferente, novos apetites, novas cores: horas, ruas, o seu aspecto, a sua composição, o tom e a altura das vozes, a cor da pele". (Ernesto de Sousa, "Há tanta gente, Mariana!", in Ser Moderno em Portugal)

... onde?

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Baile de Outono


Um filme sobre a demência de uma situação específica de um país, de uma cidade. Diferentes histórias que quase nunca se cruzam. Violência afectiva e física. A repressão e o descontrolo. Bons cenários. Bom filme. Uma torrada e um galão de máquina na esplanada da pastelaria Luanda. O pôr-do-sol, arquitectura modernista, monóxido de carbono, depois de um dia na praia. Demência.

Amigos

"The friends have no delicacy about asking who you are, where you come from - that's just the reverse side of bourgeois xenophobia." (Nadine Gordimer, The Pickup)

domingo, 3 de agosto de 2008

Ipanema...

... em Lisboa... calor, gelados, água, filas e trânsito, ginásio e praia, multidões ao sol, novos e velhos...

Minhas...


... tristes...

(não resisti)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Mais ainda...

... da África do Sul... Nadine Gordimer...
"There. You've seen. I've seen. The gesture. A woman in a traffic jam among those that are everyday in the city, any city. You won't remember it, you won't know who she is."

Fim-de-Semana:

Some Afrikaners Revisited
David Goldblatt, On the beach, Keurboomstrand, Cape Province (Western Cape), January 1968. Printed 2006 silver gelatin print on fibre paper 25 x 27cm

Sentir...



... o ritmo, o tempo, a liberdade... a música!
... um final de tarde no Noobai...

Trespasse

"A very late bloomer, and a very lucky man. Few people reach adulthood and have a second chance at the thing they really want to do. And Lily, my wife, was prepared not only to tolerate it, but to help actively and encourage me. I had a bit of money from the shop, so I didn't have to worry about earning a living immediately and was able to start a new career. I was thirty-two years old and we had three children." (David Goldblatt)

... falta-me uma Lilly e uma shop para trespassar...

Estilo

"(...) a remarkable economy of means (...) subtle and complex (...) elegant simplicity..."
... well...

Preciso de...


... 500 EUR!!!
fins educativos
... aceito sugestões...
imagem: Bienal de Berlim 2008

Quase (Excerto)

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

(Mário de Sá-Carneiro)

Hoje...

... acordei assim... ou melhor, hoje gostaria de ter acordado assim...
imagem: Le Verrou, Fragonard

Pitoresco

"The practice among Englishmen of travelling for the purpose of viewing natural scenery may be said to begin after 1713, when the Treaty of Utrecht opened up the Continent to the so-called Grand Tour. In Rome, travellers on the Grand Tour made the acquaintance of Italian landscape art, particularly the paintings of Claude Lorraine and Salvator Rosa, and carried home a taste for them. Till at least the end of the century in England, and for another half-century at least in the colonies and ex-colonies, enthusiasm for painting in the style of Claude and Salvator, and consequently for natural scenes of the kind depicted in their paintings, all under the name the picturesque, remained a mark of a cultivated taste." (J.M. Coaetzee, The picturesque, the Sublime, and the South African Landscape)