terça-feira, 30 de setembro de 2008

Intervalos

"Depois há ainda o conjunto de conotações eróticas próprias do que poderíamos chamar as zonas intervalares: entre o fim do cabelo e o princípio da gola, entre a camisa e o cinto, a meia e a calça e assim sucessivamente conforme as inclinações e os hábitos vestimentares de cada um ou de cada época." (Alexandre Melo, "De Arnold a David", in Velocidades Contemporâneas)

Pelo sim, pelo não, ando com as bainhas das calças dobradas. Nunca se sabe...

Metronomia


"Metromony rules!", diz-me um amigo. Eu acredito...

Hoje

... acordei em ressaca pós-festa. Muita gente. Muitos troncos nus. Muito Ibiza em Lisboa. Muitas máscaras, fetiches e saias. Um rei sol e o seu escort. Muitos amigos, novos e antigos, muitas memórias, algumas, não muitas, rugas. Conhecidos, olhares cruzados, flirts e tesões. "Can I lick your boots?"

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Hoje...


... acordei assim. Sem olhar para trás e com a perspectiva de uma estrada sem fim.
Imagem: Belkins / Douglas

LUX

"Mas a sabedoria da pose não é apenas um exercício narcísico. Precisa de um espaço que a saiba acolher e de uma convivialidade que a saiba gratificar. Para a criação desse espaço «tratar-se-ia de construir uma nova ciência das instalações, sobre as ruínas da urbanística, da geografia urbana, da arquitectura e da planificação territorial, entendidas como disciplinas separadas» (Paolo Portoghesi, Depois da arquitectura moderna, ed.70, 1982, p.32). Definindo-se em oposição a uma arquitectura moderna, racionalista e funcionalista, tida por subordinada à lógica da eficácia económica, a coberto de pretensões cientistas e progressistas, uma nova perspectiva se afirma, por exemplo, em palavras como as do arquitecto norte-americano Robert Stern: «As nossas fachadas (...) funcionam como medianeiros entre o edifício enquanto construção 'real' e as ilusões e percepções necessárias para relacionar mais estreitamente os edifícios com os locais onde são construídos, as convicções e os sonhos dos arquitectos que os fizeram, os clientes que pagaram para isso e a civilização que permitiu que fossem construídos» (idem, 1982, p.101)" (Alexandre Melo, "Da pose com uma coluna de champanhe", in Alexandre Melo, Velocidades Contemporâneas)

domingo, 28 de setembro de 2008

Auto-retrato:


O Outono...


... começou mas a praia continua.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Hoje...


... gostaria de ter acordado assim.
Deitei-me tarde.
A Rua de S. Bento cortada por causa das celebrações dos antiquários.
Gostam de ser velhos.
Revejo o American Psycho, bebo um chá de camomila, troco mensagens no msn e em sites pouco recomendados (ou se calhar muito: depende das perspectivas). Falta-me qualquer coisa.
Imagem: Ryan McGinley

Beijaram-se

"Beijaram-se. Pietro pensara sempre que Maria Luísa traísse o marido tal como era traído, e que fosse muito experiente nos segredos do amor. Ficou portanto maravilhado com a forma desordenada e sôfrega por que ela correspondia ao seu abraço. Mais do que o beijo de uma mulher prática e sensual, aquilo parecia a carícia de uma donzela precocemente envelhecida na abstinência e nos sonhos. Maria Luísa soprava violentamente pelo nariz, suspirava, torcia-se, não parecia gozar, mas sim sofrer. Mais do que uma amante, Pietro, desconcertado, sentiu que tinha nos braços uma vítima. Depois sopraram-se e olharam um para o outro. Sob as sobrancelhas, pouco antes orgulhosas, os olhos de Maria Luísa brilhavam perdidos." (Alberto Moravia, Ambições Frustradas)

Estranho processo de identificação e compreensão de si mesmo que a leitura de certos livros permite. ah well... vou almoçar ao Le Méridien.

Para o almoço:



TV on the Radio.
Ouço várias vezes.
Golden Age

Tendência...











... Outono / Inverno:
Barry Lyndon meets American Psycho meets Dune meets Love Story.
Mais sugestões?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Adoro


What you see is what you get!

www.diesel.com/xxx

Hoje...


... acordei com esta dúvida.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Hoje...


... acordei assim.
Sem saber o que fazer à porcaria do cabelo.
E com uma enorme e aborrecida dor de pescoço.
Imagem: David Shrigley
www.davidshrigley.com

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A ver?



As soon as possible. Um filme do artista Steve McQueen.

Novidades!

Os The Streets, aqueles que cantavam uma música sobre o original pirate material, vão lançar um novo disco - Everything is Borrowed. As fotografias do novo álbum são realizadas pelo artista português Edgar Martins, um dos nomes mais interessantes da nova fotografia contemporânea. Já vi e adorei!

Edgar Martins é um nome a fixar e a acompanhar.

Estética?

Ed Templeton
A estética dos falhados. Estou viciado!
A beleza da negligência.

Conhecer

"Mas na medida em que o sujeito é um artista, ele encontra-se já libertado da sua vontade individual e tornou-se um meio através do qual o único sujeito verdadeiramente existente celebra a sua salvação através da ilusão. Pois há algo que, acima de qualquer outra coisa, deve ser claro para nós, para nossa humilhação e glorificação, a noção de que toda a comédia da arte não é representada para nós, para nosso aperfeiçoamento ou edificação, precisamente da mesma forma que nós não somos os verdadeiros criadores desse mundo da arte; mas podemos até, no que nos diz respeito, admitir que somos imagens e projecções artísticas para o verdadeiro criador do mundo, e que a nossa superior dignidade se encontra no significado das obras de arte - é apenas como fenómeno estético que a existência e o mundo são perpetuamente justificados -, pois é claro que a consciência do nosso significado pouco varia da consciência que os guerreiros pintados numa tela têm da batalha representada. O nosso conhecimento da arte é portante completamente ilusório, porque nós, enquanto sujeitos inteligentes, não nos identificamos com o ser que, enquanto único criador e espectador da comédia da arte, prepara um divertimento perpétuo para si próprio." (Nietzsche, A Origem da Tragédia)

Beijo...

... és uma assombração!
A minha vida à volta de um beijo.
Imagem: Ryan McGinley, Kiss Explosion, 2005

A minha sala:

"Tudo, naquele aposento, fazia advinhar um estado de incerteza, de desamor, de disponibilidade assaz propício para uma aventura rápida e sem consequências. O pavimento cheio de pó, que guinchava sob os passos, a poeira que já cobria os cantos vazios e brancos e fazia pressentir as teias de aranha, os fios eléctricos no meio do tecto estucado, cortados, esperando a colocação de um lustre, semelhantes a raízes de uma planta arrancada, as duas janelas sem cortinas, através das quais, como em certas fotografias pouco felizes, se via um espaço de céu branco e imóvel sobre os cumes melancólicos e inclinados dos abetos do jardim, não havia nada naquela sala que não lembrasse a Pietro a situação da dona da casa e o significado do convite.
Só um canto parecia habitado e semelhante às salas improvisadas pelos realizadores de cinema, e estava ocupado por um grande divã cheio de almofadas. Uma lâmpada colocada sobre uma pequena mesa, uma caixa de cigarros e um cinzeiro cheio de pontas, um gramofone aberto, colocado sobre uma cadeira, outros objectos, discos, jornais e livros dispersos pelo chão, sobre o tapete, e sobretudo um certo ar de desordem, levaram Pietro a pensar que sobre aquele divã, em frente da câmara vazia e branca, devia a dona da casa passar a maior parte do dia, só e entregue à tortura dos seus ciúmes." (Alberto Moravia, Ambições Frustradas)

Um dia...


... um amigo (T.M.) fala-me sobre uma nova imagem da juventude. Uma outra possibilidade. Optimista? Romântica mas não idealista. Atmosférica! Uma juventude que vive. Ryan McGinley é o artista que constrói estas imagens. I know where the summer goes é uma série de fotografias que apetece ver com o Outono mesmo à porta. O Verão resiste. Eu também.



Hoje...

... os orgasmos são colectivos.
Várias cabeças pensam melhor do que uma.
Imagem: Norbert Bisky
www.norbert-bisky.com

Compensan?

"But the best art causes indigestion. The kind of indigestion that makes people delirious and go through transformative experiences where things become untrue and questions replace answers" (Nate Lowman, in i-D)

Impressiona...


... ver a vida valer tão pouco. Perceber que alimentamos e somos alimentados por um outro sistema, que não tem existência mas que existe, pronto para despachar o nosso lixo, para fazer o trabalho sujo. O problema é quando a um sistema deste género se juntam outros sistemas semelhantes mas com variações físicas, culturais ou geracionais. Mudam-se os tempos e lá se vão as vontades. Gomorra é um filme, como diria um amigo, seco. Sem emoções. Os tiros são protagonistas absolutos e as vítimas acumulam-se numa pirâmide invertida. Um sistema - o nosso - que se mantém com base na estabilidade conseguida através de uma luta sangrenta entre outros sistemas.
Um bolo de morango e um rissol. Sigo para outro filme. O ar que respiramos. Saio a meio. Mau, muito mau, pior que mau, terrível, constrangedor.
Um chocolate e casa. Adormeço tarde e acordo mais tarde ainda.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Foi...



... um dia sem ver grande coisa. Cheguei à praia e aterrei na toalha. Adormeci e dormi e dormi e dormi e dormi e dormi e dormi. Acordei e comi metade de um bolo de iogurte. Vi um filme e metade de outro. Estou assim: adormecido.

domingo, 21 de setembro de 2008

Felicidade?



Um amigo mandou-me este vídeo.
Love? Real love?
Parabéns... L.O.V.E. youuuuuu

sábado, 20 de setembro de 2008

Mais...


... um dia de praia.
Viver é poesia, poesia é viver.
Viver é dormir, dormir é viver.
Fazer nada. Apanhar sol.
Passar por casa da mãe e roubar mais uns livros: Moravia, Thomas Hardy, Norman Mailer.
O saco é grande, roxo e ambicioso:
Venha mais o Gorki e o Manfred Gregor.
Olho para o Zola mas lembro-me, de repente, que já o li.

Amanhã...


... ou hoje, daqui a pouco depois de dormir umas horas, será assim, espero!
Ao sol, tão natural como a sua sede.

Padrão


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O jantar...

... foi em francês, italiano, inglês e português (com e sem acordo ortográfico). Os sapatos de M. com riscas pretas e brancas coincidiam com a minha t-shirt com riscas pretas e brancas. Esparguete com molho de tomate e parmiggiano, vinho tinto, tarte de maçã com gelado de nata. Histórias de amor vindas directamente de Paris - oh lálá-. Sonhámos muito. Desejámos - ah oui bien sur! Ouvimos músicas francesas. Tirámos fotografias. Olhámos para a rua, várias vezes. Aqui e ali, um silêncio. O eléctrico passava. Não fui ao Lux - bum bum bum. Arrumei tudo. Silêncio, outra vez. Sentei-me na cadeira de realizador, com uma chávena de chá de camomila, recebi uma sms (quase de amor ou amorosa), olhei para a rua, através das janelas de sacada e pensei: finalmente só e feliz (?). Ok... talvez assim só um bocado feliz.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Quero ir...


... para a "Amerika".

Per-Oscar Leu, Americka (If it was not for you, We would all speak German), 2007

A ler:

Esthétique de l'éphémère, de Christine Buci-Glucksmann. A senhora veio a Lisboa, para participar numa conferência dedicada ao tema do Efémero. Criação. Acontecimento, e esperei o dia todo, até às 19h00, para a ouvir falar sobre ornamento. Podia ter sido melhor. Gostei de ouvir, o que pude antes de serem interrompidos, Jacinto Lageira, Teresa Cruz, Delfim Sardo, Tiago Guedes e, claro, Malcolm Miles, de quem fiquei fã.

Ela...


... anda a circular.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Hoje...


... acordei assim. Cansado. Demasiada internet, demasiada televisão, demasiados ecrãs.
Imagem: Jim Shaw

Solidão


É um dos filmes mais bonitos da nova temporada de cinema. La Soledad é espanhol, do realizador Jaime Rosales, e é a antítese do estilo Almodovar. Nada é bonito. Nenhum dos actores é giro, nenhuma casa é bem decorada ou agradável. Nenhuma situação é feliz. A depressão é geral. A movida é outra. A vida é assim. Para nós, às vezes. Os planos intercalam-se. Frquentemente, duas imagens convivem lado a lado. O espaço e o tempo são sublinhados através da duração das cenas e do deslocamento das personagens entre salas, varandas, quartos, entre vida e morte. Olham-nos. Confrontam-nos. Dizem-nos: estamos sós. Estão sós.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Hoje...


... acordei assim.
Imagem: Chris Marker, still de La Jetée, 1972

Clausura

"Aqui tem os efeitos da clausura. O homem veio ao mundo para viver em sociedade; se o separam, se o isolam, as suas ideias decompõem-se, o seu carácter perturba-se, um sem número de afeições ridículas lhe germinam no coração; pensamentos extravagantes se lhe agitam no espírito, quais silvados numa terra bravia. Coloquem um homem numa selava e ele tornar-se-á feroz; se o colocarem num convento, onde a ideia de necessidade se adiciona à de servidão, pior será ainda. De uma selva ainda se sai, de um claustro não; na floresta o homem é livre; no claustro, escravo. Talvez seja preciso ainda mais força de ânimo para resistir à solidão que à miséria; a miséria avilta, a clausura deprava. Que será preferível: viver na abjecção ou na loucura? Não sei decidir-me por nenhuma das soluções; acho que devemos evitar uma e outra." (Diderot, A Religiosa)

- O menino gosta de ler livros antigos, com capas antigas? - pergunta a empregada do café, enquanto me trazia um galão de máquina e um pão de leite simples.
- Gosto muito. Este é da minha mãe - respondo.
- Eu também tenho muitos. Ainda no outro dia disse aos meus filhos que tinha de voltar a ler o Balzac, o Stendhal...
- São óptimos...
- Os melhores! ehehe - ri-se perversamente...

Young...

... at heart!

Uma...

... inauguração, um carro mal estacionado, um farolim partido contra um poste, uma exposição, um concerto, pessoas que gosto de rever, dançar e regressar a casa, adormecer, acordar, comer, praia, regressar a casa e cinema, um filme sobre falta de dinheiro, casa e adormecer, acordar e comer, encontrar dois amigos e falar, ir para a praia, encontrar mais dois amigos, falar e adormecer, acordar, um galão e um queque, regressar a Lisboa e cinema, mais um filme sobre falta de dinheiro, entrar no carro e ouvir o Anthony...

Hoje...


... foi um dia normal. Até que enfim.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Merci beaucoup...



Novo vídeo. Até logo.
Hoje... Cascais!!!!

Hoje...


... é assim. Perdido? Esquecido? Ignorado?
Há um ano, há mais de um ano, demos um beijo. Mal dado. Repetimos a dose.
Tento esquecer. Não consigo.
Ah well... os dias passam. Adormeço e acordo.

Deito-me...

Opus 23 Video



... a pensar em ti. Ouço o Opus 23 do Dustin. Imagino-me em Versailles. Conheço uma nova pessoa. Uma utopia. Vive longe... muito longe.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Efeitos

"Nell'arte c'è molto più di positivo, cioè d'insegnabile e di trasmettibile, di quanto comunemente si creda; e molti sono gli espedienti meccanici con i quali si possono produrre gli effetti più spirituali (s'intende, sempre con spirito). Per chi conosce tali picoli artifizi, parecchi risultati che sembrano chissà cosa non sono che un gioco; e in nessun luogo, credo, se ne può far pratica, nel grande e nel piccolo, meglio che a Roma" (Goethe, Viaggio in Italia)

Must be love!

Não é meu hábito repetir mas o Malcolm McLaren merece.
Something's Jumping In Your Shirt é um vídeo para a tarde de quinta-feira.
Inspirador.
"Paris, Paris! I feel love... Sing away Catherine!
Sing away? No I can't"

Hoje...


... acordei assim.
Adorei o catálogo da exposição do artista Jorge Nesbitt, "How to Look At Pictures", na Galeria João Esteves de Oliveira, com desenhos de 2007 e 2008. Um ensaio pictórico sobre a Pintura, as imagens, sobre a História da Arte, sobre o que sempre vimos e nunca desconfiámos.
Com texto de Maria João Mayer Branco, o catálogo e a exposição arriscam-se a ser das coisas mais interessantes que acontecem no regresso às aulas.
Imagem: Jorge Nesbitt, óleo sobre papel impresso, 30,2 x 23,5 cm

Imago

"É pena não termos conhecido as santas criaturas cujas imagens se encontram expostas à nossa veneração; seria muito diferente a impressão que nos causariam; não nos deixariam a seus pés ou na sua frente tão frias como nos deixam". (Diderot, A Religiosa)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Para a tarde:


Malcom McLaren, Madame Butterfly

Hoje...

... acordei assim. Disponível para servir, numa mesa, tabuleiro, no chão, na cama...
Acordo tarde, mais uma vez. Vi o Mamma Mia e não gostei. Piroso!
Passeio pelo Bairro à procura de um broche.
Regresso a casa e mando umas sms. Ninguém responde.
Preparo uns bifes de atum com limão. Esmago duas bananas com mel. Bebo água e tento ver um filme sobre a Terra do Nunca.
Imagem: Jack Pierson

Dentro de nós

"Não gostamos que nos empurrem para fora do mundo e é possível que eu já cá não estivesse, se elas houvessem tentado impedi-lo. Quando acabamos com a vida, talvez procuremos desesperar os outros, mas se julgamos dar-lhes satisfação com isso fazemos o contrário; são coisas muito subtis que se passam dentro de nós." (Diderot, A Religiosa)

O mundo...

... é nosso. Pronto a levar!
Imagem: Pablo Guardiola, Untitled, 2007

Interesse

"De pouco nos serve esta interpretação, pois não conhecemos o artista subjectivo senão como mau artista, e aquilo que acima de tudo exigimos através de toda a arte é a vitória sobre a subjectividade, a libertação de 'si' e o silenciar de toda a 'vontade' e de todop o 'desejo' individuais; na verdade, não conseguimos imaginar uma criação verdadeiramente artística, ainda que destituída de importância, sem objectividade, sem uma contemplação pura e desinteressada." (Nietzsche, A Origem da Tragédia)

Nota: "Mais tarde haveria de criticarseveramente a 'contemplação desinteressada' como sendo uma castração da arte, como teria feito neste momento se tivesse sido coerente".

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Hoje...


... acordei assim... um pouco dorido do Pilates.
Ando tenso!
Vi o filme O Fiel Jardineiro e dormi mal. Bolachas de chocolate com pedaços de chocolate. Apanho a roupa do estendal. Dobro a roupa. Deito-me. Acordo. Levanto-me. Tomo banho, visto uns jeans e uma t-shirt branca. Saio de casa, "até logo", e vou para o café. Leio e como um pão de leite simples, acompanhado de um galão de máquina a escaldar. Queimo-me, "ah! Foda-se!", limpo os dedos com a porcaria dos guardanapos. Estou a arder por dentro. Cheio de calor. Pago, "adeus", e subo a Rua de São Bento. Transpiro por causa do galão. Compro um chocolate. Ligo o computador, bebo água, leio os e-mails, apago a maioria, e faço as últimas correcções num texto.
O pescoço ressente o stress.
Imagem: Norbert Bisky, Abschnitt, 2006, óleo sobre tela, 40 x 30 cm

A Religiosa

"Há muitas circunstâncias semelhantes na religião e, aqueles que me consolaram, muitas vezes me disseram dos meus pensamentos, ou que eram instigações de Satã, ou que eram inspirações de Deus. O mesmo mal derivava, ou de Deus que nos experimenta, ou do Diabo que nos tenta." (Diderot, A Religiosa)



Os benefícios de uma biblioteca materna. Livros perdidos, arrumados, sem ordem, lidos e esquecidos. Redescobertos por mim. Do século XIX, vou para o século XVIII, para um livro que já originou um filme.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Adorei!


Passa a ser um dos livros da minha vida:
Bel-Ami, de Guy de Maupassant.
......
"Respirar, dormir, beber, trabalhar, sonhar, tudo o que fazemos é morrer. Viver, em suma, é morrer. Ah! Há-de vir a saber isto! Se reflectir somente um quarto de hora, vê-la-á.
«Que espera? Amor? Ainda mais alguns beijos e ficará importente. E que mais? Dinheiro? Para quê? Para pagar às mulheres? Que bonita coisa! Para comer muito, ficar obeso e gritar noites inteiras com as mordeduras da gota? Que mais A glória? De que serve, quando já não podemos colhê-la sob a forma de amor? Que mais ainda? Sempre, no fim de tudo, a morte!" (Guy de Maupassant, Bel-Ami)

Voltar

"Ninguém volta mais. Nunca. Guardam as formas das estátuas, os cunhos de que se fazem os objectos iguais; mas o meu corpo, o meu rosto, os meus pensamentos, os meus desejos, não voltarão mais. No entanto, nascerão milhões, biliões de seres, que terão, no espaço de alguns centímetros quadrados, nariz, olhos, testa, faces, boca como eu, e também uma alma como como eu, sem que jamais eu volte, sem que, jamais, qualquer coisa de mim que seja reconhecível reapareça nessas criaturas inumeráveis e diferentes, indefinidamente diferentes, embora quase semelhantes" (Guy de Maupassant, Bel-Ami)

Comprei um rissol e um chocolate de leite. Sentei-me num banco do Parque Eduardo VII. Abri o livro e li.

ESTAGNADO!

Sinto-me estagnado! País de merda!

Imperdível!

"Mas a juventude não é apenas uma realidade. É também uma ideia, um ideal, uma fantasia susceptível de gerar fixações mitificadoras mas também capaz de inspirar atitudes voluntaristas, optimistas, redentoras." (Alexandre Melo)
...
Exposição: Vasco Araújo, Fikret Atay, Norbert Bisky, Slater Bradley, Fischli & Weiss, Jack Goldstein, Mike Kelley, Sarah Lucas, Marepe, Muntean/Rosenblum, Nick Oberthaler, Jack Pierson, Richard Prince, Julião Sarmento, Abdres Serrano, Jim Shaw, Hedi Slimane, Wolfgang Tillmans, João Pedro Vale

Nada

"Segundo a lenda, o rei Midas perseguira por longo tempo o sábio Sileno, companheiro de Dionisio, sem conseguir apanhá-lo. Quando Sileno caíra por fim nas suas garras, o rei perguntou-lhe qual era a coisa melhor e mais desejável para toda a humanidade. A deidade permaneceu em silêncio, hirta e imóvel, até que, por fim, pressionada pelo rei, soltou uma estridente gargalhada e proferiu estas palavras: «Ó raça miserável e efémera, filha da sorte e da privaçºão! Por que me obrigais a dizer aquilo que bem mais proveitoso seria que não ouvísseis? A melhor de todas as coisas encontra-se totalmente fora do vosso alcance: não nascer, não ser, ser nada. Mas a segunda coisa para vós seria morrerdes em breve»." (Nietzsche, A Origem da Tragédia)

Hoje...

... acordei assim.
A sentir-me uma cena cor-de-rosa, à beira de um qualquer fim.
Imagem: James Lee Byars, Releasing ‚O’, 1972, The Museum of Modern Art, New York.


Sociedade

"A conversa, ao descer das teorias elevadas acerca da ternura, entrou no jardim florido das brejeirices ditas com distinção. Foi o momento dos subentendidos hábeis, dos véus soerguidos pelas palavras como quem levanta as saias, o momento das astúcias da linguagem, das audácias disfarçadas, de todas as hipocrisias impúdicas, das frases que mostram as imagens despidas com expressões recatadas, que fazem passar, ante os olhos e nos espíritos, a visão daquilo que não se pode dizer e permite às pessoas da sociedade uma espécie de contacto impuro em pensamento, pela evocação, simultânea, perturbante e sensual como um amplexo, de todas as coisas secretas, vergonhosas e desejadas, da intimidade." (Guy de Maupassant, Bel-Ami)

domingo, 7 de setembro de 2008

Hoje...

... acordei assim e não melhorou.
Imagem: André Cypriano, Leave Me Alone, 2006

sábado, 6 de setembro de 2008

LER!

Ler, ler, ler, ler, ler, ler, ler, ler...
... rel, rel, rel, rel, rel, rel, rel, rel, rel...
...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Processo

“A nossa vida moderna é tal que, quando nos encontramos diante das repetições mais mecânicas, mais estereotipadas, fora de nós e em nós, extraímos constantemente delas pequenas diferenças, variantes e modificações” (Giles Deleuze, Diferença e Repetição)

Valeu-me uma enxaqueca. Escrever. Quando escrevo parece que escrevo sempre o mesmo texto. Quando o leio parece-me sempre outro texto. Diferente daquele que escrevi, quando o escrevi. Mais tarde, esse mesmo texto parece não ter sido escrito por mim. Não me lembro daquilo. Revela-se como novidade. Diferente de tudo aquilo que já escrevi.

Pronto. E agora vou almoçar, ok? Um rissol de camarão e um leite creme.

Fernão...


... mentes? Minto! So what?
Umas das questões mais velhas do mundo.
A Art Lies dedica uma edição especial à morte do Curador. Quero!
www.artlies.org

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Piroso...


... mas apetece... adoro o casaco azul escuro.

Pensar

"Mas o pensamento moderno nasce da falência da representação, assim como da perda das identidades, e da descoberta de todas as forças que agem sob a representação do idêntico. O mundo moderno é o dos simulacros. Nele, o homem não sobrevive a Deus, nem a identidade do sujeito sobrevive à identidade da substância. Todas as identidades são apenas simuladas, produzidas como um 'efeito' óptico por um jogo mais profundo, que é o da diferença e da repetição. Queremos pensar a diferença em si mesma e a relação do diferente com o diferente, independentemente das formas da representação que as conduzem ao Mesmo e as fazem passar pelo negativo." (Giles Deleuze, Diferença e Repetição)

Hoje...


... acordei assim... desfocado.
Imagem: Christian Boltanski, The island Ejima, Japan. Future location of Les archives du cœur.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Redenção


Um amigo mandou-me. Para mim?
Mando para uma amiga. Uma outra amiga.
Faz sentido? São os Gnars Barkley. Tu gostas. Ou gostavas.
Vais gostar. E vai passar.

Hoje...

... foi quase assim. No Parque Eduardo VII. Com os restos de ontem. Com uma amiga que se vai. Mas que volta. Voltam sempre.
I L.O.V.E. you and I'll M.I.S.S. you.

Começar

"Mas como começar a pensar, se primeiro é preciso isolar as condições desse começo e fazê-lo precisamente por meio do pensamento? Não estaremos nós condenados a um círculo e, portanto, a um implícito jamais apreendido pela crítica?" (José Gil, "O Alfabeto do Pensamento", in Giles Deleuze, Diferença e Repetição)

Isto promete. aiiiii

Hoje...


... acordei assim...
Quando for grande quero ser o Luís XIV.

Ignorantes

"Bem, ninguém sabe mais do que isso, com excepção de uma vintena de imbecis que não têm jeito para mais nada. Não é muito difícil passar por esperto, acredita; o principal é não se deixar apanhar em flagrante delito de ignorância. Manobramos, esquivamo-nos à dificuldade, contornamos o obstáculo e batemos os outros por meio de um dicionário. Todos os homens são estúpidos como galinhas e ignorantes como carpas." (Guy de Maupassant, Bel-Ami)

Um jantar...

... amigos novos, amigos antigos, amigos que partem, amigos que ficam, amigos tradicionais, amigos sociais, amigos artísticos, amigos que podem ser amigos... adormeço tarde, acordo cedo... o mundo é circular. The Beatles, Bolero (Ravel), Michael Jackson, Dick Tracy (Madonna)... I'm going Bananas... arte e vida, vida e arte... ah well. Se o Beuys me tivesse conhecido...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Hoje...


... acordei assim...
Imagem: Chris Caccamise, I need money, 2007

Sonhar

"Talvez muitos, como eu próprio, possam lembrar-se de gritarem para consigo, como sinal de incitamento, entre os perigos e os terrores dos sonhos, e com sucesso: 'É um sonho! Quero continuar a sonhar!' Tal como me contaram que há pessoas capazes de continuar a sonhar o mesmo sonho durante três ou mais noites consecutivas, factos esses que demonstram claramente que o nosso ser mais profundo, a nossa base comum, experimenta o sonho com profundo prazer e jubilosa necessidade." (Niezsche, A Origem da Tragédia)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Padrão

Riscas pretas e brancas. Um clássico.

Presente?

- O que é que queres como presente de aniversário? Queres-me? Ao meu corpo?

- Lol... sabes que tenho namorado.

"Et je cherce le mot de cet obscur problème
Dans le ciel noir et vide où flotte un astre blême"
(Guy de Maupassant)

Hoje...

... acordei assim. Um mundo de paradoxos e convivências absurdas na minha cabeça. Uma enxaqueca que me acorda às 5h00 da manhã e que se prolonga intensamente até até às 10h00.
Fica o eco.
Imagem: Martha Rosler, Point and Shoot, 2008

Temor da beleza

"O cristianismo foi, desde o início, essencial e fundamentalmente a encarnação da repulsa e da antipatia em relação à vida, meramente dissimulada e ocultada, envolta na crença de uma 'outra' vida ou de uma vida 'melhor'. O ódio pelo mundo, a condenação das emoções, o temor da beleza e da volúpia, um mundo transcendental inventado para melhor difamar este nosso, basicamente um desejo de não-ser, para repouso até ao 'sabat dos sabats' - tudo isto, juntamente com a determinação incondicional do cristianismo em reconhecer apenas valores morais, me pareceu sempre a mais perigosa e sinistra de todas as manifestações possíveis de uma 'vontade de renúncia', no mínimo um sinal da mais profunda angústia, fadiga, taciturnidade, exaustão e empobrecimento da vida." (Nietzsche, "Tentativa de Autocrítica", in A Origem da Tragédia)

Nas bancas...

... a nova L+arte.
Dedicada ao investimento do Luxo na arte contemporânea... uma imagem que diz muito sobre a revista.