sábado, 29 de novembro de 2008

Desde...


... o vómito, aconteceu-me uma enxaqueca, comi um gratinado de peixe descongelado no micro-ondas, assisti a uma conferência muito esclarecedora e brilhante sobre o neo-concretismo brasileiro, entrevistei um jovem artista, soube novidades, vi um filme sobre insónias e outro sobre Derrida, não vi pornografia (mas queria), fui ao ginásio várias vezes, apanhei chuva, andei de eléctrico, fui a mais uma aula de mestrado (cada vez me diz menos), fugi para o cinema, vi Quatro Noites com Ana, de Jerzy Skolimowski, que adorei. Revi-me na figura do stalker rústico e pensei nas consequências de querer desesperadamente amar alguém.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Mão sobre a mão

"Ainsi se joue la partie de main chaude, où aux transgressions des artistes réagissent les spectateurs, et où aux réactions des spectateurs contre-réagissent les critiques; où l'approbation des spécialistes devient acceptation par les institutions, et où la culture instituée va devoir être à son tour transgressé; où la norme artistique se voit constamment débordée sur ses marges, et les marges brocardées par ceux qui tiennent aux normes jusqu'à ce qu'elles soient normalisées pour se trouver débordées à leur tour; où à chaque mouvement des artistes répondant les mouvements du public et ceux de la critique, à chaque exposition une sanction, ou bien une interprétation, à chaque innovation une indignation, puis une intégration, qui élargit les frontières de l'art en y incluant les dernières transgressions

Quando?


Talvez nunca.
We'll be toguether again...

Vómito



Bolo de iogurte e chá de cidreira. Um pouf, uma almofada, aquecimento ligado, luz fraca.
Depois de ver um dos documentários de Kristof Kieslowski, dos anos 70, decido alienar com As Regras da Atracção e procurar as semelhanças entre aquilo e nós. Encontro-me e encontro-vos. Ninguém conhece realmente ninguém.
Mais bolo e chá.
Sigo para Trouble Every Day, de Claire Denis, com Vincent Gallo:
Sexo e amor autofágicos.
Dores no estômago. Demasiado chá e bolo. Vomito.

Afinal...

... não sou só eu.
Uma capa adorável e a não perder.

Consumo

Tenho uns óculos-de-sol novos.
Uma camisa de xadrez nova.
E um leitor DVD novo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

À procura

Yoko Ono, Varsóvia, Polónia

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Hoje...


... acordei assim!
Rasguei um cardigan de malha com uma unha mal cortada pelos dentes.
A humidade deixa-me entupido. O cabelo todo lixado.

Ver?


Sim! Estou a ver...
Estou a ver que vês o que não deves ver vendo mais do que aquilo que devias ver.
Depois não te queixes que viste o que não querias ver.
Viste alguma coisa?
Imagem: Rafael Lozano-Hemmer, Surface Tension, 1992

Tautologia:

"L'art n'est rien d'autre que ce que produit l'artiste, qui lui-même se définit par sa capacité à faire oeuvre d'art" (Nathalie Heinich, Le Triple Jeu de L'art Contemporain)

Que cena tão irritante! arghhhgg

Ontem:

Divertido e com piadas sobre anões e americanos: Em Bruges
Um filme que é uma mistura ligeira de irmãos Cohen com Snatch, de Guy Richie.
Um absurdo. Mas adorável.
No King e quase a sair. Imperdível.

Uma proposta:

uma história
Uma performance de susana mendes silva
última sessão 29 de novembro
http://uma--historia.blogspot.com
Este projecto integra a exposição 18 Presidentes, Um Palácio e Outras Coisas Mais, comissariada por Miguel Amado e promovida pela Presidência da República no âmbito da comemoração do 5 de Outubro

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Domingo:








James Bond, Star Wars III, Falsificadores e O Barbeiro.
Podia ter sido pior.
Destaque para Falsificadores, um filme alemão, de 2007, que trata mais uma das muitas realidades dos campos de concentração, durante a II Grande Guerra.



Tudo

"(...) tudo agora era feio, mau e errado, tudo era repulsa, repressão, escravidão - o sexo, o amor, a família, a educação, a música pop, o estrelato comercial, o governo, os solos de guitarra, o trabalho, a felicidade, as compras, o tráfego, a publicidade -, tudo era parte do mesmo todo." (Greil Marcus, Marcas de baton)

Um desejo...



... na árvore da Yoko Ono, em Varsóvia, Polónia.

Crise...

"La crisae, comme on dit, en méconnaissant ou voilant presque toujours sa profondeur, atteint le quotidien de façon suprenante, de manière à la fois grossière et subtile, évidante et difficile à saisir, conservative et subversive, triviale et dramatique. Une sorte de crise de conscience et surtout de confiance tend à ébranler le rapport du quotidien avec les grandes institutions qui le gèrent. Le consensus à la fois au politique et au quotidien, que les discours politiques évoquent parfois rituellement, va s'estompant. En dépit de ce que les spécialistes nomment 'disfonctions' ou 'effects pervers', les grandes entités institutionelles - la justice, le fisc, l'armée, l'université, la sécurité sociale, la police, etc. - accomplissaient en gros, de l'avis général, leurs fonctions." (Henri Lefebvre, Critique de la Vie Quotidienne)

domingo, 23 de novembro de 2008

Na Polónia:


Uma exposição de Yoko Ono.
A vida deve ser qualquer coisa como isto.
"Viver é o contrário de estar morto", sendo que a morte nunca é verdadeiramente morte mas início de outra coisa qualquer que não é o que era antes a estar morto mas, ainda assim, é estar vivo.
Vou comer!

sms:

"Bonjour le duc! tres beau habillé en rouge... Bem chamei por ti no rato mas ias alienado com ar romantico a ouvir musica... bj gde da familia"

É bom começar o dia assim... :) Je vous embrace beaucoup.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Masturbation...

... can be fun!
É pena ser só eu comigo mesmo e mais ninguém além de mim.

Tradição

"(...) tradition is never given but always constructed, and always more provisionally than it appears."
(Hal Foster, Archives of Modern Art)

Amanhã?


Quero mais do que tudo. Meter os pés na areia, deitar-me na toalha Ikea, sentir o calor do sol, adormecer e sonhar coisas pornográficas.
Amanhã, afinal, é um outro dia...


Para o Natal:

Podem ser uns lacinhos destes, por favor.


Delirium



Stop playing with my delirium...
I am what I am what I am what I am what I am
No ginásio, uns braços tatuados: "Only God can judge me".

It's Obscena, Bitch!

He's back! And we love him... :)

Ontem...

... chamaram-me "Masoquista Emocional". Apenas porque I'm in love with a portuguese poet star com os olhos mais bonitos que já vi na minha vida e que não conheço e não me conhece... ah well...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Para o André:

We Love You! We care for You!


ARTELISBOA:

BORING
BORING
BORING
BORING
ARTE LISBORING!
Só me gozam!
Valha-nos a Murganheira.

Presente

Fiz anos. Há uns meses. Deram-me o presente. Não estava à espera. Surpresa. Deram-me o que nunca compraria e por isso é perfeito. O iPod chega a casa e agora pode descansar num agradável sistema de som que o carrega e expande os seus limites. A madeira é mesmo madeira e trabalhada à mão.
Muito obrigado: Helena, Kikas, Miguel, Bruno, Cláudia, Diogo, Filipa, Paula, Patrícia, Rodolfo, Ana, Carla F., Carla G., Xu, Susana, Pedro, Clemente e Cati.
Je vous embrace beaucoup!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Um filme...

... que vi e revi. Os diálogos, o movimento da câmara de filmar, as questões colocadas, o ritmo das entradas e saídas de cena, a cenografia, o guarda-roupa... tão simples e abrangente.
"Guess who's coming to dinner?"

Hoje...

... acordei assim.
Pressinto a queda de gigantes.
Imagem: Giulio Romano, La Caduta dei Giganti, Mantova

Transparência?

"Comment ne pas se retourner vers les mythes pour mettre un peu d'ombres fraîches dans cette luminosité impitoyable? Comment ne pas avoir recours à l'imaginaire, aux résurgences du passé historique, à la fiction évocatrice d'autres vies et des choses différentes? Plus le 'réel' s'affirme et se clôt devant nous, plus le présent devient imaginaire, plus on le charge de fictions peu crédibles: contes, rêves, utopies, en enrichissant d'apparences l'actuel." (Henri Lefebvre, Critique de la Vie Quotidienne)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O mood mudou!


ELECTRICITYYYYYY!
I don't give a fuck! The hell com mestrados e merdas do género!
FREEDOM!
I want PORNOGRAPHY e PORNOLOGY.
Eu sou um Futurista pós-moderno. Vivo do e para o esperma!
"Our one source of energy
The ultimate discovery"
LONG LIVE E.S.P.O.R.R.A.!
A melhor das energias renováveis...

Pessimismo Nacional


“Agora e aqui. Portugal muda vertiginosamente. Novos cinemas em exibição, companhias de teatro independentes que não se contam pelos dedos, traduções (algumas surpreendentes), novos autores, novos interesses. É claro que o antigo persiste, remansosamente. Ainda há pouco me contaram uma entrevista de um amigo meu, parece que ele estava tristíssimo: tudo na mesma, dizia, e lá vinham as más traduções, certos hábitos culturais medíocres de antanho; ou pior, a rádio, os locutores fanhosos e ignorantes, os filmes com os cortes que já tinham, etc., etc.
É verdade, o novo e o antigo misturam-se. Ou melhor... Há o que remanesce de um passado mais ou menos recente. Mas o antigo já verdadeiramente o não é; porque onde há diferenças, mesmo que sejam pequenas roturas, pequenas clivagens, todo o edifício treme”
(Ernesto de Sousa) 1

Não é difícil encontrar uma literatura ou ensaística da desilusão, do pessimismo, da desistência, da relação entre individual e colectivo – o primeiro servindo como exemplar do segundo, do particular para o geral – em locais e tempos diferentes. Uns mais pessimistas que outros, é verdade. A relação entre o antigo e o novo, entre os modelos de sempre e as novidades geracionais.
O livro “O Pessismo Nacional”2, de Manuel Laranjeira, tem como subtítulo “ou de como os portugueses procuram soluções de esperança em tempos de crise social”, avisando-nos, desde o início a sua missão de diagnóstico sobre uma realidade específica, de início do século XX, durante a qual o país atravessa uma série de mudanças que sublinham um teor quase permanente de fatalidade que nos caracteriza. Médico-psiquiatra, Manuel Laranjeira, ao longo das várias páginas, dos quatro textos reunidos sob o título já referido, mistura dados biológicos, psicológicos, sociológicos e históricos. Relevante como testemunho de uma geração que começava a ser aos poucos modernista, estes ensaios (premonitórios?) revelam as contradições e angústias de um tempo que aqui, nestas linhas, e pelo sublinhar de certas ideias como o suicídio, “como recurso nobre” e “redenção moral”, colocam um país à beira do abismo.
Paternalista, o texto que serve de introdução ao livro, não assinado, apresenta de forma abusiva o que lemos, configurando e enquadrando as palavras de Manuel Laranjeira numa lógica de aviso para a contemporaneidade, insistindo na falácia da sentimento colectiva: “o valor deste texto reside na sua contemporaneidade uma vez que, um século depois da sua primeira publicação, os factos apontados prevalecem no Portugal de hoje, como disso são exemplo: uma população deficientemente instruída e por isso passiva e pouco desperta para as questões da cidadania; uma minoria intelectual que não consegue despertar o sentido colectivo de nação, 'educar' e mobilizar o povo; dirigentes políticos que não conseguem interpretar os sinais da sociedade, 'parasitas messiânicos' que rapidamente sucumbem e defraudam as esperanças neles depositadas; o pouco valor atribuído ao trabalho e a disparidade entre o esforço e a produtividade, etc.”3
Uma introdução que, criticando o espírito messiânico, cai no erro de configurar como Messias da actualidade as palavras de Manuel Laranjeira, cujo interesse será, quanto muito, a de documento de uma época, de servir como voz de algumas das ideias que caracterizaram uma determinada geração e que encontra vários paralelos na Europa, anteriores, Dostoiévski (Cardernos do Subterrâneo) e posteriores, Nijinski (Cadernos). Mais e menos intimistas, os testemunhos sucedem-se e os suicídios também.
Mais recentemente, o filósofo José Gil publica Portugal, Hoje. O medo de existir, uma análise das mentalidades portuguesas mas, ressalva, “contrariamente ao que pode parecer, nenhum pressuposto catastrofista ou optimista quanto ao futuro do nosso país subjaz ao breve escrito agora publicado”.4 Ou alguns anos antes, Miguel Esteves Cardoso com o livro A Causa das Coisas, propunha uma visão da mesquinhez nacional. Antes e depois. Os diagnósticos sucedem-se, mais e menos optimistas, mais e menos radicais. Mais ou menos pessimistas, conformados ou inconformados.
Assim, “por amor de Deus, poupai-me às reflexões que causam vómitos de tão vulgares, do género: 'Quanto a si, eu não fazia mais do que sonhar, e eram eles, na realidade, quem conhecia a verdade da vida'”5.

....

1SOUSA, Ernesto, “Há tanta gente Mariana”, in Ser Moderno... em Portugal!, Assírio & Alvim, 1998, Lisboa, p. 23
2LARANJEIRA, Manuel, O Pessimismo Nacional ou de como os portugueses procuram soluções de esperança em tempos de crise social, Padrões Culturais Editora, 2008, Lisboa
3id. Ibidem, p. 11
4GIL, José, Portugal, Hoje. O medo de existir, Relógio d'Água, 10ª edição, 2005, Lisboa, p.147
5DOSTOIÉVSKI, Fiodor, Cardernos do Subterrâneo, Assírio & Alvim, 2000, Lisboa, p. 105

Coincidência?


Bas Jan Ader, Primary Time (detail), 1974,
Umatic tape transferred onto DVD

1900

“A pintura afundar-se-á. A fotografia despojou-a de muitos dos seus atractivos. A futilidade ou a idiotice despojou-a de quase tudo o resto.” (Fernando Pessoa, A pintura afundar-se-á1)

Em 1900, Nietzsche morre. “Não nos será possível partir do princípio que – face 'às ideias modernas' e aos preconceitos do gosto democrático . A vitória do optimismo, o predomínio da razão, o utilitarismo prático e teórico, tal como a própria democracia, contemporânea de tudo isto, sejam sintomas de um poder debilitado, de uma senescência que se aproxima da fadiga fisiológica?”, questiona o filósofo alemão, na Introdução da obra “A Origem da Tragédia”2.

Arte e técnica. A relação já não parece original na actualidade. A modernidade ou o projecto da beleza, como lhe chama Maurizio Vitta no livro Il progetto della bellezza. Il design fra arte e tecnica (1851-2001). Do Arts & Crafts ao Liberty e à Art Nouveau, o mundo, desde finais do século XIX reage contra uma tendência historicista, que alicerça diferentes discursos e formas de entender o mundo. As novas formas - modernas - reclamam e convivem com os progressos tecnológicos que se sucedem como manifesto de uma nova forma de habitar o espaço público e de entender a vida quotidiana, cada vez mais especializada nas suas vertentes: trabalho, lazer, mercado, consumo. As Exposições Universais são a montra que, desde 1851, com a Great Exhibition de Londres, e com a construção do, entretanto destruído pelas chamas em 1931, Palácio de Cristal, recolhem as novidades e os progressos, porque era de progressos que se tratavam, desenvolvidos pelas diferentes nações participantes. A indústria é de todas as nações e o desenvolvimento progressivo e transversal das comunicações irá marcar de forma decisiva o formato dos acontecimentos ocorridos ao longo do século XX. Da produção à reprodução.

1900 é o ano da Exposição Universal de Paris e da 1ª edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, por ideia de Pierre Coubertin. É inaugurado o metropolitano de Paris. Portugal participa na Exposição Internacional de Paris e não participa nas Olimpíadas. Que Portugal era este? O de 1900?

1900 é o ano da morte de um dos maiores críticos do país: o escritor Eça de Queirós. Um dos últimos sopros da Geração de 70. 1900 é ano da publicação da obra que melhor define as contradições nacionais, “A Cidade e as Serras”.
Em 1900, Portugal é um país dividido entre uma exterioridade e uma interioridade, cidade e campo, entre uma internacionalização dos modos e uma fixação das tradições e valores. Entre Miguel Ventura Terra e Raul Lino, entre Regeneradores e Progressistas, entre monárquicos e republicanos… Depois da crise do mapa cor-de-rosa, do ultimato de 1890, da humilhação do Império perante as exigências de outros Impérios, depois da crise financeira da década de 90 -- “a crise económica europeia de 1890 repercutiu-se em Portugal como possivelmente nenhuma até então, sendo agravada pelo ambiente de pessimismo e de profunda descrença nos governantes e nos modos de governar que permeabilizava as classes dirigentes. A depreciação da moeda, a falência de alguns bancos, o aumento da dívida pública, a contracção nos investimentos, tudo isto acentuado pela gravidade da boataria circulante, a agitação das ruas e a momentânea instabilidade governativa”, relembra A.H. de Oliveira Marques na Breve História de Portugal 3-, das revoltas e conspirações republicanas, o ano de 1900 é apenas mais um ano que nada define, nada marca, apenas repete e confirma as dinâmicas de um país abalado por uma profunda instabilidade e deficiências estruturais. O império já não está à deriva. O Império afunda-se. Em Cascais? O Chefe-de-Estado ainda é rei e chama-se D.Carlos, artista e impulsionador de importantes actividades científicas.
No poder temos, rotativamente até 1906, Hintze Ribeiro, pelos Regeneradores, e José Luciano, pelos Progressistas. Ao sabor das correntes internacionais, do socialismo e do republicanismo, o país vê surgirem focos, que se organizam em Partidos e que anunciam um novo paradigma.
Entre 1870 e 1910, os professores primários triplicaram, mudando aos poucos um contexto nacional de analfabetismo generalizado. Em 1900, há liceus reformados, após nova regulamentação de 1894-95, da autoria de Jaime Moniz, e a instituição de um ensino técnico, na continuação daquilo que tinha sido o plano de Passos Manuel, muitas décadas antes. O ensino universitário convivia com o ensino politécnico, sinal dos tempos modernos, em sintonia com as tendências do estrangeiro. O surto cultural é significativo, quando comparado com os séculos anteriores. A escrita assume um papel crítico fundamental na imprensa e na literatura. A liberdade da retórica é generalizada e desenvolvida através de vários formatos.
Com Passos Manuel, são criadas, após 1836, as academias de Belas-Artes de Lisboa e do Porto, reformadas em 1881 e reorganizadas em 1901 (Maria Helena Lisboa, As Academias e Escolas de Belas Artes e o Ensino Artístico 1836-1910).

Mas em 1900, a arte portuguesa é, ainda, oitocentista, sobretudo de tendência naturalista, com algumas experiências simbolistas e expressionistas, desfazada dos impulsos modernistas que se faziam sentir na Europa. Através das estruturas estabelecidas, ensino e museus, o gosto nacional e a prática artística conformam-se a um paradigma tornado académico. Em 1901, é criada a Sociedade Nacional de Belas-Artes que se junta a uma série de outras iniciativas e instituições que permitem a consolidação da formação e divulgação artísticas.

........
1PESSOA, Fernando, Heróstrato E A Busca Da Imortalidade, Assírio & Alvim, s/d, s/l
2NIETZCHE, Friedrich, A Origem da Tragédia, Livros de Bolso Europa-América, 2005, Mem Martins
3MARQUES, A.H. Oliveira, Breve História de Portugal, Ed. Presença, 2003, Lisboa

J'adore:

Exposição "Yes I No", de Sam Taylor-Wood
White Cube


Hoje...



... acordei assim!
Desisto ou invisto?
Imagem: William Eggleston

O Frio

"O frio arrebata-me
e tremo
O vinho
derruba as minhas lágrimas
A noite deita-me na cama
e as tristezas
fortalecem a minha determinação
O teu nome arde
debaixo de uma estátua
Mesmo quando estava contigo
queria estar aqui
A chuva desperta-me o cinto
O vento dá forma à tua ausência
Eu entro e saio
do Coração Unificado
já sem me esforçar
por ser livre"
(Leonard Cohen, "O Frio" in Livro do Desejo)

Para a minha avó que me fez ouvir Leonardo Cohen em loops intermináveis.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Reviver o passado...


... não é bom, nunca é bom. Ok, talvez só às vezes. Reviver o passado implica um gesto. Físico! Virar a cabeça para o lado oposto ao do presente. Está lá atrás, o passado. Para nos atormentar. Pelo bom que foi e que já não é ou pela má memória que nos deixou. Reviver é requentar e eu nunca gostei muito do já aquecido.

No filme, especificando, gostei dos olhos, dos lábios, dos lenços, dos coletes e da cópia da pintura de Piero della Francesca, Madonna di Senigallia (1474), que eu já vi ao vivo, no Palácio Ducal, em Urbino, Itália, pertencente ao falecido Federico da Montefeltro.
...
Um bolo de morango, um lenço com cornucópias, chocolates, ginásio, salcinhas de soja, mostarda e arroz vegetariano Uncle Ben's. Para esquecer o passado que não tive.

Ponto de viragem?

Uma tarde. Uma conversa.
A memória esquecida de um filme visto e revisto.
O amor, o deserto, a viragem de um tempo.
The wind blows. The sand grows.
Antonioni, Rodney Graham e uma jovem artista portuguesa.
Mais não digo.

Paris!


Mais uma vez, a cidade serve como fundo e tema para um filme. Mais um e nada mais. Boas interpretações e muitas derivações desnecessarias. Um filme que quer ser tudo e não é muito mais do que uma pincelada impressionista sobre uma realidade cheia de contrariedades. Muitos filmes dentro do filme. Pouca coerência. Péssima banda sonora. Algumas imagens bonitas. Paris? Paris... é, apesar de tudo, uma das minhas cidades preferidas.
Sessão dupla. Um queque de chocolate, um rissol. Eu e um casal de namorados. Frio. Carro. Céu limpo, estrelas e lua. Um chá de camomila quente, em casa, no sofá chesterfield.

Cegueira


O essencial está lá. Falta-lhe, no entanto, uma maior profundidade que de forma muito simples é conseguida pelas paradoxais imagens construídas pelas palavras, no livro de Saramago. O Ensaio sobre a Cegueira é uma das minhas obras preferidas (aliás, como quase todas escritas pelo Nobel) e este filme, ainda que com uma conseguida coerência plástica, não abrange as possibilidades especulativas do livro. Por vezes, chega a ser cómico e não totalmente angustiante. Óptimo desempenho dos actores. Um aviso: ler o livro, obviamente!

Estatuto

"(...) se a verdade deve ser a mesma para todos e cada um, de acordo com o que exige a razão humana, que estatuto conceder a uma tão incómoda pluralidade?" (Luc Ferry, Homo Aestheticus)

sábado, 15 de novembro de 2008

"As estátuas...


... também morrem", de Chris Marker e Alain Resnais.

Será?

Quantas vezes? Maus ou bons? Mais maus e menos bons ou mais bons e menos maus?


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ser moderno:

"Há em todos nós, por mais modernos que queiramos ser, há lá oculto, dissimulado, mas não inteiramente morto, um beato, um fanático ou um jesuíta! Esse moribundo que se ergue dentro em nós é o inimigo, é o passado. É preciso enterrá-lo por uma vez, e como ele o espírito sinistro do catolicismo de Trento." (Antero de Quental, Causas da Decadência dos Povos Pensinsulares nos últimos três séculos)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Get the Pizza!

Estou com uma enorme vontade de vomitar:
Um rissol de camarão (com um bocado de delícia do mar), uma fatia de pudim de ovos e um chocolate kinder bueno.
Ted Mineo, Communion, 2006, 15 x 15, óleo sobre tela, sobre painel

Não estou a gostar:

- do mestrado de História da Arte
- da ausência de exposições excitantes em Lisboa
- de ver sempre as mesmas caras
- de acabar ter de ler mil coisas ao mesmo tempo
- etc, etc...

Ekphrasis

Descrever, descrever, descrever, escrever, descrever, escrever, descrever, ver, escrever, descrever.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Me?

Sim. Sou uma Natureza-Morta em putrefacção.
Sam Taylor-Wood, A Litle Death, 2002

24 Horas...

... na vida de uma mulher, de Michel Journiac, 1974.
Hoje acordei assim. Com birra, despenteado e com a casa por limpar... oh! Hell!


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Para uns certos amigos...


... um livro: High Society, de Nick Foulkes

"To suggest that by the eighteenth century New York had become a polite and genteel place would be wrong ... New York was vulgar, flashy and vibrant."

e o resumo:

"With insight and nostalgia, High Society explores the intrigue of New York’s upper-class society and culture. From Greenwich Village and the Sugar House to Stone Street, author Nick Foulkes unravels Manhattan’s past, starting in the early seventeenth century and leading up to the prosperous present. With stories of the residents that have made and make up Manhattan’s lavish citizenry—the Vanderbilt, Frick, Morgan, and Astor families—and the restaurants, playhouses, galleries, and night clubs where they socialized—Le Grenouille, El Morocco, and Le Cirque—the narrative weaves the political, social, and literary moments of the eras, delivering a spectacle of culture beside a poignant selection of photography. "

Hoje...


... acordei assim.
No pain no gain! L'amour, ou a falta dele, é fodido!
Visceral e intestinal!
Imagem: Catherine Opie, Self Portrait / Cutting, 1993

Perspectivas

Pharell Williams apresenta a sua última criação:
uma cadeira, em 4 cores diferentes!
LUV IT!

I want your sex!

"La métamorphose du quotidien par l'action poiétique et l'Eros créateur a donc, elle aussi, jusqu'à nouvel ordre, échoué: devant la puissance de la merchandise, appuyée d'un côté par la technicité et le savoir, et d'un autre côté par le pouvoir politique. Le sexe continue à déchoir dans la vulgarité; la misère sexuelle se perpétue malgré l'énorme littérature consacrée à la «vulgarisation» des «problèmes». Faut-il pour autant abandonner le projet, c'est-à-dire la conception, remontant à Platon, du désir qui crée dand la beauté et implique le dépassement de soi - au lieu de se valoriser comme désir et désir de désirer? Non. Même s'il faut accorder qu'il s'agit d'un horizon lointain ey peu-être inaccessible, d'une idéalité, voire d'une utopie. Pas question de renoncer à la thèse selon laquelle l'impossible oriente le possible, dans la vie comme dans la pensée; de sorte que pendant la longue attente d'une métamorphose, la liberté prend inévitablement la forme de la transgression." (Henri Lefebvre, Critique de la Vie Quotidienne)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Me?



What's a Nice Girl Like You Doing in a Place Like This!
Primeiro filme de Martin Scorcese.
E é lindoooo... sou eu... um dia!

Hoje...

... acordei assim.
Fui derrubado pela monstruosidade.
Daniel McDonald, Alternative Space (Various Figures), 2008

Ruído

"(...) e depois o silêncio dá lugar a um ruído poderoso. Um drama compactado - do embaraço à antecipação, da hesitação ao pânico, do silêncio ao ruído - era isso, sobretudo, o punk." (Greil Marcus, Marcas de Baton)

Ontem à noite, comi uns bifes de espadarte com batatinhas assadas no forno. Terminei com chá de camomila e bolachinhas com recheio de morango.

Math Rock


O género existe desde o final dos anos 80.
Deram-me a conhecer isto por causa dos UVA - United Visual Artists.
Sinto um novo continente cheio de novas referências e imagens a aproximar-se, lentamente.
Obrigado Miguel F.

domingo, 9 de novembro de 2008

No mood!


Em stress, com muito trabalho, bloqueado, entupido com informações ainda não registadas.

Último dia de praia? Talvez. Eu e mais um casal. Calções de banho, apenas. Sol. Adormeço com as marcas do batôn. Acordo. É tarde. Corro para casa. Faço o jantar. Espirro. Tento ver Paixão, do Godard. Descarrego as fotografias da máquina. Olho para a minha silhueta. Vejo um pneu. A sombra não engana e o rei vai nu!
Imagem: "Arte sem querer" - Lourdes Castro

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Sugestão:


É um blog que é viciante. Façam scroll e percam-se entre as várias fotografias que mostram uma Nova Iorque cheia de artistas, festas, exposições, jardins e mercados. A lente de um português que adoro.

http://primeiraavenida.blogspot.com

Adoro:


Peter Fischli e David Weiss
The Way Things Go
Somos nós, todos os dias, empurrados por uma qualquer força que nos obriga a viver e a morrer.
Grotesco!

Uma escolha...

... pretensiosa! Pedro Costa é, segundo o Público, a escolha da DGA para representar Portugal na Bienal de Veneza. Um cineasta entre artistas, como refere Vanessa Rato no título do artigo que revela a ainda não anunciada mas já confirmada participação do realizador/cineasta/artista Pedro Costa.
Adoro os filmes de Pedro Costa. Adorei o Juventude em Marcha. Chorei.
Mas tornar um filme numa instalação... ah well...
Vai ser um sucesso, certamente.
Pergunta: vai ser uma retrospectiva? vai ser produzida uma obra nova? o que é que vai ser esta participação?
(pretensiosa e não pretenciosa - erro corrigido pelo Miguel)

Hoje!

"As coisas hoje são mais o que são do que eram dantes"
(D. Eisenhower,
in Greil Marcus, Marcas de Baton)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

100%


Poliester!

L.O.V.E. IT!

Hoje...

... quero ser parte do coro.
Acordar, comer, trabalhar, comer, ginásio, comer e dormir.
E, se der, ... ah well... não vai dar!
Imagem: Liliana Porter, Rehearsal, 2008

Mudança?

"Falta de hábito, talvez, mas toda a minha vida eu imaginara que os acontecimentos mais exteriores, mais fúteis, iam marcar sempre uma mudança radical na minha vida." (Dostoiévski, Cadernos do Subterrâneo)

E marcaram!

Rústico?

Sim. Sou e quero ser rústico.
Esquentador avariado. Banho com água fria, gelada...
Desgravar conversa e foder os ouvidos.
Olhar lá para fora e ver o sol a aquecer.
Quero praia. Ainda. Quero campo. Brevemente.
Quero-te! És rústico e eu gosto.
Imagem: Ryan McGinley

Olhar

"(...) consideremos a forma humana: representa esta, como já anteriormente mostrámos, uma totalidade de órgãos que constituem outras tantas subdivisões do conceito, de tal sorte que a cada membro pertence uma actividade particular e só lhe corresponde a execução de um movimento parcial. Se, porém, nos perguntarmos em qual destes órgãos aparece a alma enquanto alma, logo pensamos que é nos olhos, porque no olhar a alma se concentra; ela não só vê através do olhar como também no olhar se deixa por sua vez ver." (Hegel, Estética. O Belo Artístico ou o Ideal)

Cama...


... selvagem! I need this.

Savage Grace é um dos filmes mais bonitos de 2008. Não é um bom filme. Fica à rama do que poderia ser um bom ou excelente filme. Mas é um filme bonito. Com pessoas bonitas, expressões, roupas, casas, paisagens, situações... adoro os lenços de seda (já adoptei o look na versão 100% poliester!). É um filme demasiado púdico.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Nas bancas:

A capa, executada especificamente para a L+arte, é da autoria de Julião Sarmento.
Os conteúdos variam entre as críticas a exposições, ensaios, social, reportagens... Get the Mag!

Hoje...

... acordei assim!
Quero voltar a ver os filmes de Pedro Costa.

Informação

"Il n'y a d'information que s'il n'y a pas répétition pure et simple; pourtant l'information pure - surprise complète, désordre intégral des éléments du code, combinaison hautement improbable - serait inintelligible. Ce qui arrive dans le cris, les sanglots, à la limite l'inarticulé. Il en résulte que la trivialité du discours quotidien fait son intelligibilité. Il se maintient dans la redondance: banalités et lieux communs." (Henri Lefebvre, Critique de la vie quotidienne)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Inverno?

Inverno, Primavera, Outono, Verão, tudo ao mesmo tempo!
Esta cena dá cabo de mim.
E tu? Sim, e tu? ah well... e tu, nada!
Imagem: Gilbert & George, Winter Flowers, 1982

Amo-te a ti

Quero dizer-te que te amo, a ti
Quero dizer-te que te amo, a ti
Quero dizer-te que amo amo amo
Quero dizer-te que amo amo amo
Eu amo mas tu não. Não amas o que Ele.
Eu amo que Ele o que Ele. Tu és morte és morte.
Quero dizer-te que és morte, és morte.
Quero dizer-te que és morte, és morte.
Morte é morte, e eu sou vida
Sou vida, e tu és morte
Depois de vencer a morte pela morte com a morte
Sou morte, mas tu não és vida.
Vida é vida, e morte é morte.
Tu és morte, e eu sou vida.
Depois de vencer a morte com a morte.
Sou morte, mas tu não és vida.
Quero dizer-te que és morte e que eu sou vida.
Quero dizer-te que sou vida e que tu és morte.
Amo-te meu amigo. Quero-te bem.
Quero-te bem, amo-te, a ti.
Quero-te bem, não te quero mal.
Tu, tu não me amas
Eu amo-te amo-te.
Quero-te bem
Sou teu, e tu és meu.
Amo-te, a ti, a ti
Amo-te, a ti, a ti.
Quero-te, a ti, a ti
Quero-te, a ti, a ti.
(Nijinski, Cadernos)

Hoje:

YES
...
WE
...
CAN!

Figures imposées



Um amigo manda-me uma nova música.
Diz-me que é um "verdadeiro fenómeno" em França!
"Nouveau clip de Julien Doré. Petit entrechat entre Fame et Dirty Dancing pour un kitsch nostalgique et drôle."
E a Deneuve, mais uma vez... Paris, Paris.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Hoje...


... cheguei a esta triste conclusão. Não sou o que quero ser!
Foi-se o bronze. Espero, ansioso, pelo Verão de S. Martinho.
Imagem: Sloane Tanen, Feathers, 2008

Frio

"O carácter de beleza do dandy consiste sobretudo no ar frio que vem da inabalável resolução de não se deixar emocionar; dir-se-ia um fogo latente que se deixa advinhar, que poderia, mas não quer, brilhar." (Baudelaire, O pintor da vida moderna)

domingo, 2 de novembro de 2008

A não perder:

Performance de Miguel Bonneville, dia 13 e 14 de Novembro, na Galeria Graça Brandão.
Ontem, não consegui ir ao Europa :(((((
E, ainda, os lançamentos da revista MARTE, dedicada à performance.
Passem por http://miguelbonneville.blogspot.com/ para ficarem a par do que se vai passar!!!!
WE LOVE MIGUEL & FRIENDS!

Histeria!


Desde há mais de um ano: Limbo emocional, entre cá e lá.
8 a 80 ou 80 a 80?
Vídeo de Sam Taylor-Wood, Hysteria, 1999

sábado, 1 de novembro de 2008

Grotesco?

"Grotesco é querer fazer arte!"

I'm in love...


... with a German Film Star!