quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Casa

"Que se considere o nosso lugar de viver como um lugar constantemente arrebatado pelas lembranças, esse lugar de viver, o nosso interior, é para Benjamin a casa onde nunca poderemos entrar, porque mal começa e nunca acaba, habitação inapelável de tantos chamamentos, lugar nenhum de recolha, de ceifa, o lugar da contínua imitação." (Maria Filomena Molder, ""A paixão de coleccionar em Walter Benjamin", in Semear na Neve)

Olho para a rua e o céu está carregado. Visto-me em tons castanhos, Nike Air Force One, gabardina beije e saco roxo. Desço as escadas do prédio às escuras. Os pés conhecem as escadas. Abro a porta. Não chove. Subo a Poiais de S. Bento. Entro no café. Sem pedir, trazem-me um galão e um pão de leite simples. Dispo a gabardina e tiro um livro do saco. Leio algumas linhas e sublinho outras tantas. Escrevo, a lápis, a palavra "blog". Necessidade constante de citar.

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