quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A propósito...

... de um texto que escrevi sobre Sara Santos, na L+arte, deparei-me ontem (too late) com este excerto de um texto de Susan Sontag sobre Walter Benjamin e o seu fascínio por dois grãos de trigo, expostos no Museu Cluny, em que uma alma afim havia escrito toda a Shema Israel:

"Miniaturar é tornar portátil, a forma ideal de possuir coisas para um viajante ou um refugiado. Benjamin era, desde logo, ao mesmo tempo, um caminhante em jornada e um coleccionador esmagado por coisas, quer dizer, pelas paixões. Miniaturar é ocultar. Benjamin era atraído pelo extremamente pequeno, como por tudo aquilo que era preciso decifrar: símbolos, anagramas, escritos. Miniaturar significa tornar útil. Pois aquilo que fica grotescamente reduzido é, num certo sentido, libertado do seu significado, a sua parcimónia é o seu traço mais notável. É, ao mesmo tempo, um todo (quer dizer, algo de completo) e um fragmento (muito reduzido, a escala errada). Torna-se assim objecto de desinteressada contemplação ou fantasia. O amor pelo que é pequeno é uma emoção infantil, colonizada pelo surrealismo". (Susan Sontag, "Sob o Signo de Saturno", in Walter Benjamin, Rua de Sentido Único e Infância em Berlin por volta de 1900)

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