sábado, 31 de janeiro de 2009

Sem título

Walter Pfeiffer, Sem título, 2005
In Love With Beauty
www.walterpfeiffer.com

Beleza impossível

"A arte apresenta um local de silêncio no caos do mundo mediático. O artista está isolado do mundo, não participa no seu eufórico lamento. A beleza impossível, um mundo que já acabou, regressivo. O objecto inexistente, a ausência, os objectos em fuga. A melancolia, a enorme melancolia que vem do passado, do mundo antigo, do gótico, da pureza das guerras e do amor, da geada em Berlim e nos campos da Prússia. A doença da juventude, a morte, a ordem, a forma, a loucura." (Rui Chafes, "Suicídio no Lago", in Rui Chafes, O Silêncio de...)

A picture...




... of me!

Porquê?

Qual é a razão que faz com que a Direita portuguesa - e a extrema esquerda, já agora - não assuma no seu programa político os direitos dos Homesexuais?

Comunistas = Homofóbicos?

Direita - Closet Sindrome?

Revolução abortada

A ressaca da alienação das massas.
Quando descobrimos que há outra vida, que há consciência (iluminação profana) ... tentamos mudar, escapar às algemas da vida quotidiana... o corpo sofre e pede a dose de "normalidade", tão necessária a corações pouco saudáveis.
O casalinho Kate e diCaprio irrita-me. O Sam Mendes também.
O filme tem piada mas insiste mais uma vez sobre as perversidades da normalidade/moralidade "americana" e aquilo começa a saber tudo ao mesmo. Já vi!
Tem imagens interessantes, que nos remetem para o vazio das paisagens de Edward Hopper e afins. ah well...

To Milk:

I AM GAY
I AM GAY
I AM GAY
I AM GAY
I AM GAY
I AM GAY
I AM GAY
I AM GAY

Doce Anita


Mandaram-me este vídeo, a propósito do novo filme do Gus van Sant, Milk, sobre o activista Harvey Milk, o primeiro gay a ser eleito para um cargo público nos EUA, e sobre a importância de se assumir o que se é, perante amigos, família e trabalho.
Não é doença, não é uma escolha, não é contagioso, não é perverso, não é um mal.
É o que é! AMOR e SEXO!
Quantas tartes serão, ainda, precisas?
Em Lisboa?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ainda bem...


... que é Sexta-Feira, que estou de férias, em casa, agarrado ao computador, quentinho, a beber chá quente e a comer deliciosos biscoitos de chocolate.

Pizz Buin

Na Rock Gallery, em Santos. Várias torradas emolduradas, umas mais torradas do que outras, algumas verdadeiramente queimadas, carbonizadas e, por isso mesmo, diminuídas e encolhidas. Vale a pena ver!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Férias?


Quatro dias para trabalhar!

Negatividade Estética

"La negatividad estética en Adorno alude al menos a cuatro cosas principales.
En primer lugar, la obra es lo contrario de la realidad, ilusión, ficción, irrealidad, aparencia (Schein): es 'una cosa que niega el mundo de las cosas'. Es aparencia, pero de 'lo que no tiene apariencia'.
En segundo lugar, el arte moderno auténtico es negativo en el sentido que habla de sufrimiento y produce displacer como la narrativa kafkiana o la música dodecafónica. Ya en la Dialéctica de la Ilustración se podia leer que 'divertirse significa estar de acuerdo'.
En tercer lugar, el arte auténtico niega las formas de percepción y comunicación tradicionales y habituales, frusta nuestras expectativas de comprensión en tanto que prmanece como un enigma irresuelto que difere su sentido último.
Por fin, la obra de arte, aun siendo un producto de la sociedad, es negativa para con la sociedad, a la que niega, denuncia y critica desde un punto de vista normativo inmanente. Ahí está su tensíon interna, su negatividad dialéctica." (Gerard Vilar, "Theodor Adorno: una estética negativa", in Valeriano Bozal, Historia de las ideas estéticas y de las teorías artísticas contemporéneas)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Quanto mais se sabe...


A angústia de avançarmos. Mais e mais é menos e menos.
Aquilo que há uns anos não custava agora, paradoxalmente, demora a sair.
São os efeitos de sermos cada vez mais o que somos e quem somos, sem pretensões mas com responsabilidade e honestidade. Custa-me escrever, escrever a sério.
Tenho medo!


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Início e fim



O fim de um filme e o início de outro.
A tese e a antítese.
Agorro-me ao computador até às 3 da manhã.
Acordo. Saio de casa. A roupa que escolhi não me convence.
Tomo o pequeno-almoço no café de sempre. Ouço música, leio um texto sobre a Escola de Frankfurt, observo as senhoras que se sentam na mesa ao meu lado, metem-se comigo, pago e saio. Subo a Rua da Academia das Ciências e vou ter ao Rato. Subo e subo e chego ao Ritz.
Trabalho! Lavoro! Work! Werk!

Ver, ouvir e tocar

... "cuanto más complicado y subtil es el aparato social, económico y científico a cuyo manejo el sistema de producción ha adaptado desde hace tiempo el cuerpo, tanto más pobres son las experiencias de las que éste es capaz. La eliminación de las cualidades, su conversión en funciones, pasa de la ciencia, a través de la racionalización de las formas de trabajo, al mundo de la experiencia de los pueblos y asimila tendenciamente a éste de nuevo al de los batracios. La regressión de las masas consiste hoy en la incapacidad de oír con los proprios oídos aquello que no ha sido aún oído, de tocar con las proprias manos aquello que no ha sido aún tocado" (Adorno, Horkheimer, "Dialéctica de la Ilustración", in Valeriano Bozal, Historia de las ideas estéticas y de las teorías artísticas contemporáneas)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Não queres?


Em resposta a um post que li algures.
Uma óptima semana para todos.
Este menino vai trabalhar!

Threesome


A defesa de um novo modo de vida. A três, quase a quatro. A imperfeição da monogamia, a sua impossibilidade e incompatibilidade, o sexo, a eterna dependência do sexo, as loucuras e derivações fatais associadas, o calor ibérico, a arte e a finança, a poesia e o veleiro, a vontade de voar e a necessidade de aterrar. As úlceras. O pai que ainda quer brincar. A loura, a morena e a outra. Os homens. Sempre os homens. As categorias. O cinema estava cheio! Ouviam-se perguntas: és mais Vicky ou mais Cristina? Imagino como seria se fosse "Vicky Cristina Lisboa".

Voltar atrás

"Ele tinha deixado passar a vez natural de todas as suas idades. Não foi criança na idade de ser criança, não foi selvagem na idade de ser selvagem, não foi violento na idade de ser violento, não errou em todas as idades de errar, por culpa da sua educação em que o quiseram levar a bom fim, mas na qual ficou, afinal, encalhado no meio da vida! Agora tinha que emendar: havia de ir buscar outra vez o seu inconsciente, desenterrar as suas energias espontâneas que ficaram sequestradas, para ter uma vontade que luta.
Mas o mais difícil era esquecer o que lhe ensinaram. O mais difícil era ficar outra vez ignorante: aquela genial ignorância das idades onde se começam todas as coisas deste mundo." (Almada Negreiros, Nome de Guerra)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Domingo


Espelho

" - Se tivesse que resumir este diálogo, podia lembrar uma passagem de O Homem sem Qualidades de Robert Musil, quando Agathe se olha ao espelho e descobre a imagem do seu corpo nu, a revelação de uma forma e uma imagem supreendente: o artista parece estar continuamente à procura de uma surpresa, mas com base na profundidade de um espelho pessoal, onde reencontra formas e figuras conhecidas. É sempre a revelação de uma nudez e de uma sensualidade, que continuam a permanecer inacessíveis a todos, incluindo o próprio. Eis a sua insistência sobre o enigma e sobre a dualidade dos signos, nunca definidos, porque pertencem a um enigma mais amplo. Então, todas as tentativas de resolver o enigma são um constante dirigir do olhar para 'algures', a fim de encontrar um outro 'algures'. Como artista sentes-te constantemente diante deste espelho?
- Penso que sim!..."

(Entrevista de Germano Celant a Julião Sarmento)

sábado, 24 de janeiro de 2009

Estudo profundamente:

Julião Sarmento
Rui Chafes
Vasco Araújo

Crescer

"So há uma solidão e essa é sempre grande e difícil de viver e quase sempre todos têm horas em que bem gostariam de trocá-la por qualquer companhia, ainda que banal e bem barata, pela aparência de uma consonância mínima com quem quer que apareça, até com o mais indigno... Mas talvez já sejam essas, exactamente, as horas em que a solidão cresce; que o seu crescimento é doloroso como o crescer dos meninos e triste como o princípio das primaveras." (Rainer Maria Rilke, Cartas a Um Jovem Poeta, in Vasco Araújo, Hereditas)

Disco para 2009:


Segundo um amigo myspace. O melhor disco de 2009 é dos Animal Collective.
My Girls é já uma das minhas músicas preferidas.
Obrigado amigo!

A fechar

Ler. Uma página, mais uma. Bolachas com recheio de morango. Chocolates com rum. Ler mais e mais e mais. Rir. Ver vídeos. Falar com desconhecidos por telefone. Propostas indecentes. Continuar assim. Ler mais e mais. Escrever. Ler. Adormecer.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Perder a minha vida

É uma constante. Perder a minha vida.
Voltar a encontrar. Perder outra vez.
Comer um pão de leite e chocolates de rum.
Perder-me em nostalgias azedas.
Encontrar a imagem de um vício do passado.
Pensar na representação daquilo que não vejo.
Mas sei.
Sentir tesão. Sempre.

Buahhhhh


Obras de arte contemporâneas que reflectem a condição de se ser bebé.
Anne Gueddes, Catherine Opie, Marlene Dumas, Michael Elmgreen & Ingar Dragset, entre outros.
A imagem do "pequeno Hitler" é da autoria de Anne Gueddes, uma senhora que fazia uns postais e calendários "amorosos". A brincadeira é fácil, indecente e repugnante.
Imagem: Anne Gueddes

Acordar...


é assim!

Artista?

"We must become preoccupied with and even dazzled by the space and objects of our everyday life, either our bodies, clothes, rooms, or, if need be, the vastness of Forty-second Street. Not satisfied with the suggestion through paint of our other senses, we shall utilize the specific substances of sight, sounds, movements, peolple, odors, touch. Objects of every sort are materials for the new art: paint, chairs, food, electric and neon lights, smoke, water, old socks, a dog, movies, a thousand other things will be discovered by the present generation of artists. Not only will these bold creators show us, as if for the first time, the world we have had about us but ignored. But they will disclose entirely unheard-of happenings and events, found in garbage cans, police files, hotel lobbies; seen in store windows and on the streets; and sensed in dreams and horrible accidents. An odor of crushed stawberries, a letter from a friend, or a billboard selling Drano; three taps on the front door, a scratch, a sigh, or a voice lecturing endlessly, a blinding stacato flash, a bowler hat - all will become material for this new concrete art.
Young artists of today need no longer say, 'I am a painter' or 'a poet' or 'a dancer'. They are simply 'artists'. All of life will be open to them." (Allan Kaprow)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Engatar?

Tentei a virtualidade. Várias vezes. Poderei voltar a tentar.
Já fui Charles Bovary, Paranoid Park, Thomas Mann, The Slits, entre muitos outros nomes.
Não recomendo. É viciante e não traz grandes resultados.
H.A.T.E. IT

Nomes que me chamam:

"Painel Solar"
"Panda"
"Pedromórfico"

Paris...


Morrissey - I'm Throwing My Arms Around Paris


... outra vez! Na ausência do teu amor por mim... bazo! Nobody wants my love.

Entregar-se à vida

"A multidão passava e ele seguia firme, decidido. Os seus olhos cruzavam-se repentinamente com vidas alheias, autênticas, a passar. Os mais desencontrados destinos passavam em pessoa a seu lado. E ele seguia como um estranho que há-de voltar a casa e dar contas do que viu.
Mas, desse lá por onde desse, ele havia de encontrar a porta por onde se entra para a humanidade. Fosse essa porta no cimo de um calvário ou fosse uma abertura ignóbil no fim dos esgotos! Ele ia entregar-se à vida, ele queria viver, e, por isso, ia deixar-se viver!" (Almada Negreiros, Nome de Guerra)

Hoje...


... acordei assim. Em comunhão com a chuva, com a natureza...
Imagem: Torbjorn Rodland

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Criador?

"The idea that art is 'creation' rather than 'imitation' is sufficiently familiar. It has been proclaimed in various forms from the time of Leonardo, who insisted that the painter is 'Lord of all Things', to that of Klee, who wanted to create as Nature does." (Gombrich, Meditations on a Hobby Horse)

Artista ou criador?

Llorona



Adoro instrumentos de sopro. O som das praças de touros, das procissões das aldeias, das festas do povo... o choro colectivo, a memória dos tempos. Hoje acordei assim. Mais gordo. Mais triste. Hoje apetece-me chorar e ouvir os Beirut em loop.

Milagre escandinavo

"In the mid nineties a group of young artists become known as 'Scandinavian miracle'. The photographer Torbjorn Rodland is one of its key figures" (Oystein Aasan, Spike, Art Quarterly, Winter 2008)
Imagem: Torbjorn Rodland, Banana Black, 2005

Pensar sozinho

"A sua memória abrangia todos os momentos em que andou acompanhado e em todos os pormenores. A par disto a sua crítica fazia-se, embora os seus julgamentos fossem no fundo de um poço, longe do testemunho de toda a gente. Assim ele era o primeiro a reconhecer que, em tudo o que se tinha passado, havia um único ridículo: era ele! Via-se forçado a pensar desta maneira para respeitar a verdade Mas ele amava a verdade acima de tudo. Acima até das desculpas que ele soubesse inventar para se justificar. Quem pensa sozinho não quer senão a verdade, as justificações são por causa dos outros." (Almada Negreiros, Nome de Guerra)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A ouvir:



Fever Ray
If I Had A Heart

Beauties


"Tirei-a a pensar em si", diz-me o e-mail que manda esta fotografia, directamente do Reino da Dinamarca.

Porque sim!

"(...) when one is touched by the beauty of a sunset, a Beethoven string quartet, a novel by James Joyce, or a painting by Giorgio Morandi, one cannot help thinking that the experienced feeling of pleasure ought to be shared by others. Notwithstanding its logical singularity, the pure judgement of taste - i.e. the judgement of beauty - requires or 'demands' everyone else's agreement. Yet the demand for universal agreement is very peculiar, since it cannot be based on conceptual arguments or proofs and is only determined by one's own feeling of pleasure or displeasure." (Bart Vandenabeele, "The Subjective Universality od Aesthetic Judgements Revisited", in British Journal of Aesthetics, October 2008)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Não me convenceram...


... os filmes do velho que é novo e o da mãe que não desiste da criança desaparecida.
O primeiro porque não dá para entrar naquele delírio, porque é um delírio sem o ser, porque me irritou a cena do furacão, porque não percebi a cena do relógio que até tinha piada mas que estava mal cozido. E, sobretudo, porque me irritou a fórmula da velhinha a ter flashbacks, ao pior género do Titanic.
O segundo porque... ah well... Angelina you're way too sexy for that... tudo muito óbvio. Tudo muito à rama, tudo demasiado moralizante.
Good night Benjamin...

Happy?


Ah well... faço por isso. Mas com chuva, frio, com as vias respiratórias entupidas, a pele em tons esverdeados e cinza, e mais 2 quilos... é preciso querer mesmo muito!
Ilustração: Miika Saksi

Sem ideias

Para escrever!
Sem músicas, sem fotografias ou imagens, sem citações e, hoje, sem vontade.

domingo, 18 de janeiro de 2009

On Beauty em Londres


From a very special person. SMS em Londres lê-me!
LOVE YOU!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Caderno Novo


Directamente do Reino Dinamarca.
A podridão da escrita. L.O.V.E. IT

Do

"Do what you have to do
What is it that you do
You do have to do what
You do have to to
You do what you have to do
Do I have to do what
I have to do
Do what you have to do
What is it that you do
That you have to do
Do what you have to do"

(Luisa Cunha, Do what you have to do, 1994)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Uten Tittel


Um espirro. Mais um. E outro. Um nariz entupido. Um aparelho respiratório quase no limite. Inspiro. Expiro. Visto uma camisa nova. Comprei-a em Outubro. Nunca a tinha vestido. Tem uma gola pequenina, um padrão quadricular, branco e encarnado, botões madrepérola e os punhos recortados, ondulados... é linda. É minha! Estou um caco. Mas um caco giro!

Forma da forma

Alquímia literária. Um desenho vivo que se faz entermeando uma multidão de aspectos. Imediatez. Intuição cultural. Afinidades. A reflexão é sempre uma auto-reflexão. Pensar-se a si próprio. Uma obra de arte é compreensão humana, é um medium de reflexão. A tradução é uma forma. O original. Fotosíntese é comer luz. As plantas não são os únicos seres a comer luz. Eu sou viciado em sol, como raios de luz.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Coleccionar fragmentos

Gosto de guardar detalhes que, aqui e ali, me confrontam com as linhas da beleza. Mapeio os contornos do meu olhar através de marcações do belo, do meu conceito de belo, subjectivo e potencialmente universal. Carrego imagens, constituem-me e enformam o que sinto e o modo como actuo perante o real.
Gosto de olhar para fragmentos.
"Sometimes just a wig, an item of clothing, or a prop can trigger the character. I also save images of interesting faces from magazines and newspapers and make myself up to look like them - but they usually turn out nothing like the original." (Cindy Sherman, Interview Dec/Jan 2009)
Imagem: Liv Moe, Heft, 2008

Acordei...

... sem voz e entupido. Nariz, garganta e ouvidos. Odeio Inverno!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Hoje:



Remamos, prosseguimos caminho, com esforço, empenho, dedicação e amor q.b.!
Imagem: Laurent and Jean de Brunhoff's Babar and his teammates are going all out to win the famous Celesteville Regatta, 1989

Preparação

"Na juventude, Monsieur era um grande apreciador da arte da guerra. Chegava sempre atrasado ao campo de batalha porque a preparação para a morte era para ele um assunto sério e demorado que incluía maquilhagem, pestanas falsas, fitas, diamantes - e ausência de chapéu. Não usava chapéu para não amassar a cabeleira postiça. Quando entreva em acção lutava como um leão; medo só tinha dos estragos que o sol e o pó podiam causar à pele; e mostrou ser um excelente estratega." (Nancy Miford, O Rei Sol)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Zeitgeist


Imagem retirada da The New Yorker
Cartoon: Roz Chast

Sono

"Terá a manhã sempre que voltar? Não terminará jamais o poder da Terra? Agitação nefasta consome o celeste poisar das asas da Noite. Jamais ficará a arder sem fim fim a secreta oferenda do amor? O tempo da Luz é mensurável; mas o império da Noite é sem tempo e sem espaço. - Perene é a duração do sono. Sagrado sono, não sejas avaro de teus benefícios para todos os que nesta jornada terreba se consagram à Noite. Só os loucos te desconhecem, não sabendo de outro sono que a sombra que tu misericordiosamente sobre nós lanças no crepúsculo dessa vera Noite." (Novalis, Os Hinos à Noite)

Adoro dormir. Não quero nunca acordar. Venero o poder do sono.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Saber chumbar:






















Cinismo

"Sou absolutamente contra o cinismo em arte. Mas não sei o que se deve opor ao cinismo. Não sei se se deve opor a utopia, se se deve opor a fé, se se deve opor a Forma. Provavelmente não se deve opor nada. Mas que tudo ou quase tudo são ready-mades cínicos e que anything goes, mesmo em termos estéticos, ninguém o pode negar. Estou farto de ironias e de cinismos, e tanta sedução já cansa" (Rui Chafes, Entrevista por António Guerreiro, Expresso, 22 Março 1997)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Veneza?

Who cares????
Vou bater uma. Até já.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Current mood:


Ontem...

... comi carne! Hoje... estou mal-disposto! Nunca mais como carne.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Toujours

Um gajo espera.
Acordo e arranjo-me todos os dias.
Tenho expectativas renovadas todos os dias.
Lavo os dentes, faço a barba, tomo banho, ponho creme e, às vezes, perfurme, todos os dias.
Uso boxers largos, todos os dias. Não gosto de cuecas nem de cenas justas.
Calças de ganga alternadas com outras menos informais, todos os dias.
T-shirts, camisas e camisolas. Lenços, mais e menos quentes, mais e menos estampados, coloridos, grandes e pequenos, todos os dias.
Todos os dias ténis.
Um casaco, um colete, um cardigan...
Um saco, o iPod, livros. Todos os dias
Abro a porta e saio de casa.

Imagem: Mathew Cerletty, Last Chance Dance, 2003

Loop

- Would you like to go with me?
- Where?
- Wherever I'm going
- Are you *really* asking?
- Is that your *real* answer?

Uma conversa. "Uma proposição absolutamente falsa". Loop. "Uma proposição absolutamente falsa". Loop. "Uma proposição absolutamente falsa". Loop.

2009:

É assim. Obama feat. Figas!
Imagem: Kori Newkirk, Void of Silence

Árvore

"Claro está que todo aquele que tenha a veleidade de querer servir-se da sua árvore genealógica como de uma estatística para deduzir-se não faz senão aleijar-se. Como antes se disse, é completamente impossível conhecer inteira uma árvore genealógica; o que pode é cada um possuí-la toda no seu carácter. A árvore genealógica não funciona como ciência. É mesmo o contrário de ciência: mistério! Um mistério que se espelha só em cada um de nós! Um verdadeiro mistério humano, que ultrapassa a sociedade e a ciência, que respira apenas ar de Arte e Religião!" (Almada Negreiros, Nome de Guerra)

"Sabes o nome que te deram? Conheces o nome que tens?" - questionava um artista que conheço.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Are you ready?

Portugal? ah well... I love you!
Imagem: Wes Lang, Are You Ready For The Country?

Cosmo

"- Há muito tempo que eu não vinha a Lisboa!
- Há quantos anos?
- Não há dúvida que Lisboa está uma grande capital!
- Isto ainda não é nada comparado com o que há lá fora. Em mulheres, então, não se fala.
- Já mo tinham dito muita vez, mas eu nunca esperei que isto fosse assim!"

(Almada Negreiros, Nome de Guerra)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pour toi:


Estou viciado. Ouço e ouço e ouço e sofro.
"Em sonhos, saí de uma casa e olhei o céu nocturno. É que, estrelado como estava, eram nele visíveis as figuras segundo as quais se agrupam as estrelas. Um leão, uma virgem, uma balança e muitas outras, como densas massas de estrelas, olhavam fixamente a Terra cá em baixo. Nem sinal da Lua". (Walter Benjamin, "Céu", in Rua de Sentido Único)
Nem sinal de ti.

Um beijo

No primeiro dia do ano deram-me um beijo na boca.
Abri a janela do carro. Disse: Dá-me um beijo. Na boca.
Deram-me um beijo na boca.
Basta pedir. Queres um beijo na boca? Eu dou!
Imagem: Eve Sussman and Rufus Corporation, Helen & Toni in the Kitchen

No love!

No love
No love
No love
No love
No love
No love
No love
No love
No love
No love
No love
No love
No love
No love...
and I just feel empty and free. Hardly Human. I'm a beautifull rebel from the land of youth...

Nas bancas:


A melhor exposição do ano eleita por um conjunto de personalidades ligadas ao mundo da arte. Um novo museu e, diga-se, impressionante, com um bonito claustro cuja visita passa a ser obrigatória. Um Novo Talento que adora desenhar grande! Um projecto realizado por Luisa Cunha. E, muito importante, um texto de Ricardo Nicolau sobre as realidades curatoriais: alternativas, institucionais e de bancada. Luv it!


P.S.: No! It's not over yet... :P

Borboletas...

... no estômago. Há quase um mês assim. A absoluta ausência de certezas. O limbo. O não sei para onde. O abismo. A vertigem. O suspiro e o suor frio. A apatia. A ilusão. Sem vontade. A alienação. O abandono. Bem... vou ler Lacan para ver se percebo melhor o EU! Sou uma borboleta narcísica.

A ouvir!


Dizem-me num post scriptum de um e-mail de trabalho:
"ouve este puto, é um doce: www.myspace.com/jeremyjay"
Ouço e... adoro! Jeremy Jay.
Aqui vai uma mais antiga.
Podem ouvir mais:
e, claro, no Youtube... vários vídeos.
Um novo som para começar a semana, o mês, o ano... walking on air!

domingo, 4 de janeiro de 2009

I love...


... Hugo von Hofmannsthal!
"Andreas mal ouvia o que ele dizia, tão ocupado estava em observar o homem que escrevia as cartas. Tinha o corpo, extremamente magro e alongado, curvado sobre a minúscula mesa onde escrevia as cartas." (Andreas)

Love song!



Por causa de um filme. Por causa da inércia. Porque sou impotente e não posso fazer nada para mudar esta situação. A minha e a dos outros. A minha ignorância é absurda e total.

Valsa

Acordo tarde. Deito-me muito tarde. Vejo filmes e documentários sem interesse, na televisão. Os horários estão trocados. Peço ao despertador para me acordar. Não acorda. Tenta. Ignoro. Acordo tarde. O pequeno-almoço é lanche: galão, pão de leite e livros. Tento passear. Preciso de apanhar ar. Visto tons castanhos e um lenço de poliester. Subo a Calçada do Combro, passo o Chiado. Vou à Fnac. Desespero. Demasiada gente. Combino um lanche, já quase no jantar, com umas amigas. Vamos ao cinema. Separamo-nos. Elas viram o que vou ver e eu vi o que elas querem ver. Valsa com Bashir é um filme inesperado. Animação sobre o genocídio ocorrido no Líbano, em 1983. Aprendo factos que conhecia de raspão. Aos poucos, a memória preenche vazios e confronta-me com o passado recente, o meu passado presente. Chego a casa. Ligo o televisor e procuro saber o que se passa no mundo. Israel e Gaza. A história na acaba. O passado presente futuro. A história gira e desliza, como uma Valsa. A história é um compasso binário composto! Feita de traumas.

"Onde acaba o acontecimento? Onde está a crueldade? Onde acaba a obscenidade e começa a pornografia? Sentia que eram essas as questões, tormentosas, que definiam o cinema de 'depois dos campos'. (Serge Daney, "O Travelling de Kapo", in João Mário Grilo, As Lições do Cinema)

As leituras cruzam-se com aquilo que vejo. Entre um galão e um pão de leite. Um lanche com amigas, compras, textos que preciso de escrever... notícias na televisão... perco-me.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Tendência...


... Rock & Roll again! São três, a Kitty, a Daisy e o Lewis. Cantam Rock & Roll e calçam ténis Nike. Eu gosto!

Não!

Ainda ontem vi um filme sobre dizer sim. Hoje digo não a tudo. É mais forte do que eu. A minha ligação ao Bartleby é umbilical. Viemos ao mundo para dizer Não. Não, não vou jantar a tua casa. Não, não vou ao cinema. Não, não vou foder!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Estou...



... assim. Sem direcção aparente. Deixo-me ir... este ano será de transição e sem transacção. Sem tracção e contenção. A ver vamos... Plutão is on me! FUCK HIM!

Apertar os lábios...

... e não cair em tentação. Acordo tarde. Tomo o pequeno-almoço no café de sempre, na Poiais de S.Bento, um galão e um pão de leite simples. Abro um livro ou dois. Uso uma caneta para sublinhar ideias, para citar, para me lembrar que ali tenho de voltar. Olho lá para fora. Chove. Passam cães, alguns com dono. Leio e peço um chocolate de leite. Como. Aquilo derrete-se na boca. Estou quente por dentro. Lá fora faz frio. Não está assim tanto frio. Chove. Mas está mais frio agora do que no Verão. Tenho saudades de calor. A minha pele está com tons desmaiados. O meu corpo quer sol e 40 graus. A minha cabeça quer areia. Acaba de ler umas coisas sobre cinema e sobre a abjecção de filmar e ver coisas abjectas. Aperto os lábios. Vou para casa. Aperto os lábios. Abro a porta da rua. Aperto os lábios. Subo as escadas. Aperto os lábios. Abro a porta de casa. Aperto os lábios mas vomito.

Sim, senhor...


É um filme mais interessante do que esperava. Gosto das músicas, gosto das roupas, gosta da loucura de ir a um Check-In e apanhar o primeiro avião disponível, gosto das fotografias tiradas durante um circuito de corridas, gosto do primeiro beijo depois de uma viagem alucinante numa acelera, gosto do mendigo que faz chamadas longas num telemóvel alheio, gosto da estupidez dos amigos, das relações, gosto da coreana ressabiada por falta de amor, gosto do sucesso do pequeno empréstimo, gosto da ideia de não se poder dizer não, gosto da possibilidade de abandono cego da vontade a uma seita, filosofia, fórmula compensatória... gosto do livre-arbítrio condicionado pelo SIM! Apesar de não gostar, de não querer nunca gostar, gosto, mais uma vez, do desempenho de Jim Carey... Tão estúpido! E adoro a actriz, claro a Zooey...

Passagem...

... de ano!
A imagem de referência...

I Love Porno!

"Foi Godard quem, ao mostrar-me umas quantas cassetes de 'porno concentracionário' metidas num canto da sua videoteca de Rolle, se espantou um dia que, a propósito de tais filmes, nenhum discurso tenha sido proferido, nenhuma interdição pronunciada. Como se a baixeza das intenções dos seus fabricantes e a trivialidade dos fantasmas dos seus consumidores os 'protegessem', de alguma forma, da censura e da indignação. Prova que, do lado da subcultura, perdurava a surda reivindicação de uma cumplicidade obrigatória entre os carrascos e as suas vítimas. Efectivamente, a existência destes filmes nunca me perturbou. Tinha sobre eles - como sobre todo o cinema abertamente pornográfico - a tolerância quase perdida que se tem sobre a expressão de um fantasma, quando este é tão nu que só consegue reivindicar a tristemonotonia da necessária repetição." (Serge Daney, "O travelling de Kapo", in João Mário Grilo, As Lições do Cinema)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Happy...


... NEW YEAR!

I'm...

... so, so, so, so... D.R.U.N.K.!

... e acordei com uma nódoa negra no rabo...