domingo, 4 de janeiro de 2009

Valsa

Acordo tarde. Deito-me muito tarde. Vejo filmes e documentários sem interesse, na televisão. Os horários estão trocados. Peço ao despertador para me acordar. Não acorda. Tenta. Ignoro. Acordo tarde. O pequeno-almoço é lanche: galão, pão de leite e livros. Tento passear. Preciso de apanhar ar. Visto tons castanhos e um lenço de poliester. Subo a Calçada do Combro, passo o Chiado. Vou à Fnac. Desespero. Demasiada gente. Combino um lanche, já quase no jantar, com umas amigas. Vamos ao cinema. Separamo-nos. Elas viram o que vou ver e eu vi o que elas querem ver. Valsa com Bashir é um filme inesperado. Animação sobre o genocídio ocorrido no Líbano, em 1983. Aprendo factos que conhecia de raspão. Aos poucos, a memória preenche vazios e confronta-me com o passado recente, o meu passado presente. Chego a casa. Ligo o televisor e procuro saber o que se passa no mundo. Israel e Gaza. A história na acaba. O passado presente futuro. A história gira e desliza, como uma Valsa. A história é um compasso binário composto! Feita de traumas.

"Onde acaba o acontecimento? Onde está a crueldade? Onde acaba a obscenidade e começa a pornografia? Sentia que eram essas as questões, tormentosas, que definiam o cinema de 'depois dos campos'. (Serge Daney, "O Travelling de Kapo", in João Mário Grilo, As Lições do Cinema)

As leituras cruzam-se com aquilo que vejo. Entre um galão e um pão de leite. Um lanche com amigas, compras, textos que preciso de escrever... notícias na televisão... perco-me.

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