domingo, 22 de março de 2009

Reconhecer

O meu pai gostava de Che. Em casa lembro-me de duas biografias sobre o revolucionário argentino, que viveu na aspiração de uma América livre, ao lado de um Manual do Guerilheiro Urbano (de um brasileiro) e do livro "encarnado" de Mao.
Cuba não é livre. É um país com carências expressivas asfixiantes.
O povo é culto, ideologicamente letrado num Regime totalitário que ainda gosta de pregar os bons valores da Revolução. Mas a Revolução institucionalizou-se e é Sistema que necessita, urgentemente, de Revolução contra a Revolução. As margens são excluídas, os homosexuais, por exemplo, perseguidos, os escritores alternativos foram morrendo - alguns suicídios -, outros exilados na sua própria pátria.
O filme sobre a figura de Che Guevara não é revolucionário. Não traz nada de novo sobre um dos maiores ícones da segunda metade do século XX. Mas agarra-nos e impele-nos a um saber mais ainda.
O filme acaba e, de alguma forma, queremos ser revolucionários, sair pelo mundo e gritar "Pátria ou Morte". Mas que Pátria? Morrer? Como assim?
Fico à espera da segunda parte.

1 comentário:

Helena disse...

A viagem mais atribulada, não? Mas óptimaaaaaaaaaaa!