sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Chão

"Jovem, sentia-me transparente de lucidez, tinha ideias precisas sobre o mundo, sobre o que o mundo devia ser e sobre o que realmente era, bem como sobre o meu próprio lugar neste mundo; e com toda a loucura e arrogância dessa juventude, pensara que seria sempre assim; que a atitude induzida pela minha análise nunca mudaria; mas esquecera, ou antes, não conhecia ainda a força do tempo, do tempo e da fadiga. E mais ainda do que a minha indecisão, a minha perturbação ideológica, a minha incapacidade de tomar uma decisão clara acerca das questões que me ocupavam e de a manter, era isso que me minava, que fazia com que me faltasse o chão debaixo dos pés. Uma tal fadiga não tem fim, só a morte lhe pode pôr termo, ainda hoje dura e para mim durará para sempre." (Jonathan Litell, As Benevolentes)

Sem comentários: