sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ter corpo

"Mais ainda do que os outros homens, os homosexuais têm um corpo. Em geral, os machos têm um sexo e mais nada. E, nas obras surrealistas - excepçãp feita às de Léonor Fini - este sexo nunca é descrito ou pintado como um objecto para se olhar ou afagar, como uma fonte de desejo. É sempre um instrumento de acção - ataque e posse. Isto é particularmente sensível nas pinturas de Picasso e Masson, onde o membro tem quase a forma de um punhal. (...) Esta recusa total do macho em fazer do seu corpo um objecto de desejo, anda a par com a sua necessidade de reduzir a mulher a um objecto de desejo. Redu-la estritamente ao seu papel 'feminino', consigna-lhe os limites das condutas ditas 'femininas': passividade, esxpextativa, oferenda, dádiva. Reserva ciosamente para si próprio as condutas e os papéis 'viris': actividade, conquista, tomada de posse." (Xavière Gauthier, sobre René Crevel)

Eu tenho um corpo.

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