quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Consciência

"A consciência? Mas a consciência para nada serve, meu caro Senhor! Como guia, a consciência não pode servir, não pode bastar. Bastaria, talvez, se pudéssemos conceber-nos isoladamente e se ela não fosse, pela sua natureza, aberta aos outros. Na consciência, na minha opinião, em suma, existe uma relação essencial... certamente essencial, entre mim, que penso, e os outros que pensam; portanto, não é um absoluto que se baste a si próprio. Explico-me bem? Quando os sentimentos, as inclinações e os gostos destes em que eu penso ou em que o Senhor pensa não se reflectem em mim ou em si, não podemos encontrar-nos nem satisfeitos, nem tranquilos, nem alegres, e isto é tanto assim que todos nós lutamos para que os nossos sentimentos, ideias e inclinações se reflitam na consciência dos outros. Para que lhe serve a sua consciência? Basta-lhe para viver sózinho? Para se esterilizar na sombra? Ora vamos! Odeio a retórica, essa fanfarrona mentirosa que imaginou esta pretensiosa frase: 'tenho a minha consciência e isso me basta!'" (Luigi Pirandello, O Falecido Matias Pascal)

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