sexta-feira, 7 de maio de 2010

Amante e amado

"Se, efectivamente, os deuses honram altamente a virtude inspirada pelo amor, também admiram, amam e recompensam ainda mais a devoção do amado pelo amante. O amante está mais próximo dos deuses que o amado uma vez que se encontra possesso de um deus." (Platão, O Banquete (O Simpósio ou do Amor))

Amo, não amo. Sou amante, sou amado. Não sou nada. Visito os deuses mas nunca entro na sala-de-estar. Fico-me pelo hall, pelo hole. Um buraco negro. As energias puxam-me para uma nivelação dos afectos ponderados pela medida da mediocridade, de todos os dias. A banalidade é virtuosa. Eros é fulminante. O veneno da sua vontade é, porém, discreto e desmaiado pelos contrastes demarcados pela incomunicabilidade do corpo. Reage sem se abrir. Manifesta-se sem revelar. Epifania silenciosa que, aos poucos, alastra a sua verdade. A permeabilidade das almas. As descompensações da memória. A tua memória, a minha memória...

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