quarta-feira, 16 de junho de 2010

"As minhas raízes chegam às profundezas do mundo; passam por terrenos secos e alagados; passam por veios de chumbo e prata. Nada mais sou que fibra. Tudo me faz estremecer, e a terra comprime-se contra os meus veios. Cá em cima, os meus olhos são como folhas verdes e não vêem. Cá em cima, sou um rapaz vestido de flanela cinzenta, com as calças apertadas por um cinto, com uma serpente de bronze. Lá em baixo, os meus olhos são como os das figuras de pedra existentes nos desertos junto ao Nilo: desprovidos de pestanas". (Virginia Wolf, As Ondas)

Acordo, tomo banho, como muesli com iogurte natural, enquanto vejo as notícias no Euronews. Ouço "The ghost who walks", de Karen Elsen. Regressei de Madrid. Escrevo, escrevo, leio e escrevo. Isolo-me, parcialmente. Esperava mais de ti. Não telefonas. Isolas-te? Ginásio, escrita e leituras descontinuadas. Penso no tempo, nos tempos, nas temperaturas, nos temperamentos. Tempos heterogéneos. O que vemos quando vemos? A recordação do que esquecemos? Como fibras.

Sem comentários: