domingo, 8 de agosto de 2010

Os olhos

"O meu grande prazer sensual sempre derivou - e ainda hoje persiste essa hierarquia - da felicidade dos olhos. Nem a ordem melódica mais requintada, nem o aroma mais extraordinário, nem o contacto da pele humana mais dourada e suave, nem o vinho, nem o beijo, me podem conceder o gozo com que os olhos me presenteiam. R também não, ao contrário do que acontece com certas mentes superiores, o jogo filosófico, com tudo o que implica de estímulo transcendente, supre para mim o que os olhos me oferecem. Nem sequer o jogo poético que tanto amo. Os olhos sãos as comportas pelas quais entra em mim o rio rumoroso e mutante do mundo." (Manuel Mujica Lainez, Bomarzo)

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