sábado, 11 de setembro de 2010

Hans-Ulrich Obrist

Uma longa viagem, durante cinco anos, uma grand tour, a ver, a ver, a ver, e a perceber, aos poucos, que lhe interessava trabalhar com artistas. A cozinha que era utilizada como biblioteca é pensada como espaço de exposição, ideia que lhe permite ter uma cozinha que mostra a ideia de cozinha. Sublinha a importância da música, da ciência, da arquitectura e, sobretudo, da literatura, da poesia - tão presente no início do século XX - para o discurso artístico contemporâneo. É fascinado por mapas, suporte por excelência do início do século XXI, resgatado das práticas da arte conceptual dos anos 70, e tão presente no nosso quotidiano cibernáutico. Assim mapear revela-se uma das acções mais pertinentes na identificação e reflexão sobre os fluxos, as energias e os caminhos que definem as diferentes representações do mundo. O mapa escrito à mão. Interessa-se pela escrita à mão, prática que considera essencial recuperar. O encontro com o universo de Diaghilev, mentor dos Ballets Russes. Modelo de actuação? Terá sido isto que entendi? O tempo e o espaço, experiências performativas na Ópera. Será que ele disse Oprah? hummmm continuando... Os desafios do futuro estão implicam a criação de instituições para o século XXI que se foquem sobre a interdisciplinaridade, sem ambições de obra total, e, ainda, na criação de uma instituição que mostre projectos não realizados, ou seja, um projecto de projectos não realizados. A noção de arquivo é fundamental subjacente à reflexão sobre a História da Arte, enquanto história dos objectos, e sobre a importância de uma História de Exposições, porque há quasi-objectos e não-objectos. Interessa-lhe convocar intelectuais, pensadores, como Lyotard, para comissariarem exposições. Uma crítica aos curadores formados em curadoria?
O futuro é feito de fragmentos do passado, tal como referia Panofsky. São os artistas que lhe dirão o que será o futuro. Actualmente, assistimos a uma imensa polifonia de práticas. Não gosta de leituras homogéneas, massificada ou partilhadas do mesmo autor. É irritante ver que andam todos a ler Alain Badiou. Gosta muito do filósofo francês Bruno Latour e lê todos os dias, como ritual, os escritos de Edouard Glissant, e aconselha o livro The Fabric of Reality, de David Deutsch. Gosta do conceito de realidades paralelas e mais do que artistas que minem o sistema gosta de artistas que criem realidade. Falou, obviamente, sobre o projecto das entrevistas, da vontade de classificar e mapear esse mesmo universo que tem explorado desde meados dos anos 90, arquivado em várias horas de conversa, milhares de horas. Viajou, ainda, pelo projecto Serpentine Gallery e articulou os seus interesses, maratonas, disciplinas, relações, universos e realidades paralelas, com as suas realizações, acontecimentos...
Foi uma ego trip, do início ao fim, num inglês veloz com sotaque alemão ( do géner the "vorld" em vez "the world). Encerrou com a imagem de um mundo visto de cabeça para baixo ou a experiência de um mundo ao contrário. O mundo dele. The End!

Sem comentários: