quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Tão antigo...

"Tudo mexe, tudo vive, tudo se agita, tudo se atropela, tudo se encontra. As próprias abstracções se mostram desgrenhadas e cobertas de suor. Nada permanece imóvel. Nada se pode isolar. Tudo é actividade, actividade concentrada, forma. Todas as formas do universo se encontram calibradas exactamente e todas elas passam pela mesma matriz. Torna-se evidente que o osso se havia de cavar, que o nervo óptico se viria a ramificar em forma de delta e a estender-se como uma árvore, que o homem viria a caminhar na perpendicular. Aquele gosto a salmoira, que nos sobe das entranhas, vem dos nossos mais longínquos antepassados peixes, do fundo dos mares, e aquele frémito epilético da epiderme é tão antigo como o Sol." (Blaise Cendrars, Moravagine)

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