segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Acabou?

"A arte é, pois, incapaz de satisfazer a nossa última exigência de Absoluto. Já nos nossos dias, se não veneram as obras de arte, e a nossa atitude perante as criações artísticas é fria e reflectida. Em presença delas sentimo-nos livres como se não era outrora, quando as obras de arte constituíam a mais elevada expressão da Ideia. A obra de arte solicita o nosso juízo: seu conteúdo e a exactidão da sua representação são submetidos a um exame reflectido. Respeitamos, admiramos a arte; mas acontece que já não vemos nela qualquer coisa que não poderia ser ultrapassada, a manifestação íntima do Absoluto, e submetemo-la à análise do pensamento, não com o intuito de provocar a criação de novas obras de arte, mas antes com o fim de reconhecer a função e o lugar da arte no conjunto da nossa vida. (...)
Em todos os aspectos referentes ao seu supemo destino, a arte é para nós coisa do passado. Com sê-lo perdeu tudo quanto tinha de autenticamente verdadeiro e vivo, a sua realidade e necesidade de outrora, e encontra-se agora relegada na nossa representação. O que, hoje, uma obra de arte em nós suscita é, além do directo aprazimento, um juízo sobre o seu conteúdo e sobre os meios de expressão e ainda sobre o grau de adequação da expressão ao conteúdo"
(G. W. F. Hegel, Estética, Guimarães Editores, p. 13)

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