segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Current mood:


(Fotografia: Ana Maria Maiolino)

Esquemas

"As situações quotidianas e até as situações-limites não se distinguem por nada de raro ou de extraordinário. É apenas uma ilha vulcânica de pescadores pobres. É só uma fábrica, uma escola... Nós estamos à beira de tudo isso, até da morte, até os acidentes, na nossa vida corrente ou de férias. Nós vemos, suportamos mais ou menos uma poderosa organização da miséria e da opressão. E, precisamente, não carecemos de esquemas sensoriais motores a fim de reconhecer tais coisas, suportá-las ou aprová-las, comportar-nos em consequência, tendo em conta a nossa situação, as nossas capacidades, os nossos gestos. Temos esquemas para nos desviarmos quando é demasiado desagradável, para nos inspirar a resignação quando é terrível, para nos fazer assimilar quando é demasiado belo". (Giles Deleuze, A Imagem-Tempo. Cinema 2)

Apetece-me esquivar. Recebo as notícias. Sigo. Penso nisso depois. Amanhã é mesmo outro dia.

domingo, 30 de janeiro de 2011

CAOS!

CACOS
CACOS
CACOS
CACOS
CACOS
CACOS
CAOS!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Para ti

Imagem do filme "O Amor é o Melhor Remédio"

Discurso

“(...) however, we must look not to some 'magic' of the medium, but to the conscious and unconscious processes, the practices and institutions through wich the photograph can incite a phantasy, take on meaning, and exercise an effect. What is real is not just the material item but also the discursive system of wych the image it bears is part. It is to the reality not of the past, but of present meanings and of changing discursive systems that we must therefore turn our attention. That a photograph can come to stand as evidence, for example, rests not on a natural or existencial fact, but on a social, semiotic process, though this is not to suggest that evidential value is embedded in the print, in an abstract apparatus, or in a particular signifying strategy” (John Tagg, The burden of representation. Essays on photographies and histories, University of Minnesota Press, Hong Kong)

Ontem, depois de um dia confuso, a inauguração, na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, de "Retratos de Mulheres. De Man Ray, Jorge Martins, Julião Sarmento. Pipis cromáticos, riscados, submissos, deslumbrantes, alternados por imagens, cuja sequência ensaiava a beleza da passagem do tempo. Elogios ao mundo do sensível numa exposição de homens para homens.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Cinema

Patrick Angus (1953-1992)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Postmemory

"Postmemory describes the relationship of the second generation to powerful, often traumatic, experiences that preceded their births but that were nevertheless transmitted to them so deeply as to seem to constitute memories in their own right"
(Marianne Hirsch)

Triste

TRISTE
TRISTE
TRISTE
TRISTE
TRISTE
TRISTE
TRISTE
TRISTE
TRISTE
TRISTE
TETRIS

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Current mood:



Gisèle Freund, Walter Benjamin in the Bibliothèque Nationale, 1939

Escamas

"(...) conta-se ainda que os marinheiros inebriados, alucinando a genitália da ilha dos amores e despossuídos do seu melhor juízo, se atiravam ao mar descobrindo tarde demais ser difícil a cópula com tais fêmeas, porque afinal tinham escamas e tudo o que aí era secreto, ou secretamente admitido entre os mamíferos, lhes era, desta feita, pouco familiar ou tanto quanto a sardinha (...)
Então, saudando a todos e tendo a certeza de que tudo terminará em rabo de peixe, granjeemos a boa ventura de tais náufragos e esperemos vir um dia a sofrer da mesma alucinação marítima; entrando em transe profundo, viajando por esse desconhecido assim revelado e inacessível, expresso em tudo o que se avista no horizonte: Kósmos Seirenes, mundo-sereia, ao mesmo tempor visível e invisível, submerso na espuma, prometendo o que não se pode cumprir, como uma miragem, ébrio, mas talvez por isso, ainda mais sedento"

(João Maria Gusmão & Pedro Paiva, O espírito da cabaça)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A pensar em ti...


... e nas melhoras rápidas!

Tempestade

"Sometimes fate is like a small sandstorm that keeps changing directions. You change direction but the sandstorm chases you. You turn again, but the storm adjusts. Over and over you play this out, like some ominous dance with death just before dawn. Why? Because this storm isn't something that blew in from far away, something that has nothing to do with you. This storm is you. Something inside of you. So all you can do is give in to it, step right inside the storm, closing your eyes and plugging up your ears so the sand doesn't get in, and walk through it, step by step...And once the storm is over you won't remember how you made it through, how you managed to survive. You won't even be sure, in fact, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm you won't be the same person who walked in. That's what this storm's all about" (H. Murakami)

You're life won't be the the same. It will be beautiful.

(trailler do filme Biutiful)

No trânsito


Magic

"If you go to the theatre and see Peter Pan flying above the stage, you ignore the wires: that is a willing suspension of disbelief. If you go to the theatre and see David Copperfield flying above the stage, you do not ignore the wires. You look for the wires. You do not see any wires. That is magic.
If you look for the wires and see them, that is bad magic. If you do not look for the wires because the possibility has not occured to you, then you do not need magic since you must live in a world of endless wonders. If the possibility of wires does occur to you but you decide not to look for them, then that is indeed a willing suspension of disbelief. But it is not magic." (Peter Lamont, "Magic and the willing suspension of disbelief", in Magic Show)

Na Galeria Graça Brandão, João Maria Gusmão & Pedro Paiva mostram-nos filmes, fotografias e instalações inéditas na exposição "Breve história da lentidão e da vertigem". Fios, fios, fios, fios...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Hoje...


... estava assim, para ti!
(Fotografia de Tamotsu Yato)

Arte e verdade

"Photographs furnish evidence. Something we hear about, but doubt, seems proven when we’re shown a photograph of it" (Susan Sontag, On photography)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Current mood:


Desenhar

"O amor, diz-se, foi o inventor do desenho; ele pôde também inventar a palavra, mas com menos felicidade. Pouco satisfeito com ela, desdenha-a: tem maneiras mais vivas para se exprimir. Quanta coisa diria ao seu amado aquela que, com tanto prazer, lhe traçava a sombra! Que sons teria ela empregue para traduzir este movimento de varinha?" (Jean-Jacques Rousseau, Ensaio sobre a Origem das. Línguas)

Não sei, não consigo, não preciso... de desenhar...

Post-Memory

Through the mirror of my mind
Time after time
I see reflections of you and me

Reflections of
The way life used to be
Reflections of
The love you took from me

Oh, I'm all alone now
No love to shield me
Trapped in a world
That's a distorted reality

Hapiness you took from me
And left me alone
With only memories

Through the mirror of my mind
Through these tears that I'm crying
Reflects a hurt I can't control
'Cause although you're gone
I keep holding on
To the happy times
Oh, when you were mine

As I peer through the window
Of lost time
Looking over my yesterdays
And all the love I gave all in vain
(All the love) All the love
That I've waisted
(All the tears) All the tears
That I've taisted
All in vain

Through the hollow of my tears
I see a dream that's lost
From the hurt
That you have caused

Everywhere I turn
Seems like everything I see
Reflects the love that used to be

In you I put
All my faith and trust
Right before my eyes
My world has turned to dust

After all the nights
I sat alone and wept
Just a handful of promisses
Are all that's left of loving you

Reflections of
The way life used to be
Reflections of
The love you took from me

In you I put
All my faith and trust
Right before my eyes
My world has turned to dust...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Falta-me isto:

"O ácido fólico, folacina ou ácido pteroil-L-glutâmico, também conhecido como vitamina B9 ou vitamina M, é uma vitamina hidrossolúvel pertencente ao complexo B necessária para a formação de proteínas estruturais e hemoglobina" (Wikipédia)

"Hipovitaminose: anemias, anorexia, apatia, distúrbios digestivos, cansaço, dores de cabeça, problemas de crescimento, insônia, dificuldade de memorização, aflição das pernas e fraqueza" (Wikipédia)

Ou... estou GRÁVIDO?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Current mood:

Konstantin Andreevich Somov (1869-1939), The Boxer, 1933

To unveil

"Art, whatever else it may be, is exclusively political. What is called for is the analysis of formal and cultural limits (and not one or the other) within which art exists and struggles. These limits are many and of different intensities. Although the prevailing ideology and associated artists try in every way to camouflage them, and although it is too early - the conditions are not met - to blow them up, the time has come to unveil them". (Daniel Buren)

Primitivos





Obrigado a todos pelo apoio...

Modos de...

"É extraordinário como a Arte - ou tavez possa mesmo chamar-lhe instinto - do Reconhecimento pela Visão se vai aperfeiçoando pela sua mera aplicação prática e pelo facto de se evitar o 'Sentir'. Tal como acontece entre vós com os surdos-mudos, que, mesmo quando lhes é autorizado aprender a gesticular e a usar o alfabeto manual, permanecem incapazes de usar essa capacidade bem mais difícil e por certo mais valiosa que é a de falar e ler nos lábios, assim também se passa connosco quanto à 'Visão' e ao 'Sentir'". (Edwin A. Abbott, Flatland)

Please, do


Andy Warhol, Kiss, 1963–64

Visível

"Arquivo da narrativa, a história escrita dá graças, como o farão todos os desenhos que mergulharão na narrativa. Na descendência gráfica, do livro ao desenho, trata-se menos de dizer o que é tal como é, de descrever ou de constatar o que se vê (percepção ou visão) do que de observar a lei para além da vista, de ordenar a verdade à dívida, de dar graças ao mesmo tempo ao dom e à falta (la faille), ao devido, à falha do «é preciso» («il faut»), seja ele o «é preciso» («il faut») do «é preciso ver» («il faut voir») ou de um «resta ver» («il reste à voir») que conota ao mesmo tempo a superabundância e a fraqueza (défaillance) do visível, o demasiado e o demasiado pouco, o excesso e a falência (faillite). O que guia a ponta gráfica, a caneta, o lápis ou o escapelo, é a observação respeitosa de um mandamento, o reconhecimento antes do conhecimento, a gratidão do receber antes de ver, a benção antes do saber". (Jacques Derrida, Memórias de Cego. O auto-retrato e outras ruínas)

Esfrego os olhos. Não vejo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Desço...

... a Calçada da Estrela, depois de estacionar o carro, sem estratégias, puro acaso.
Tiro uma fotografia para mais tarde recordar. Vejo uma amiga. Vamos ao Oporto ver filmes zoófilos de Phill Niblock. Regresso a casa. Globos de Ouro. Derrida. Paciências e cama!

Erro

"Que diz Descartes do erro, este pensador do olho que analisou um dia a sua inclinação 'para gostar' das 'pessoas vesgas'? Para o auto de La dioptrique, que também sonhava fabricar óculos e devolver a vista aos cegos, o erro é em primeiro lugar uma crença ou antes uma opinião: consistindo em aquiscer, em dizer sim, em opinar demasiado cedo, esta falta do juízo, não da percepção, trai o excesso da vontade infinita em relação ao entendimento finito. Estou no erro, engano-me porque, capaz de mover a minha vontade ao infinito e no próprio instante, posso querer ir para além da percepção, querer para além do ver". (Jacques Derrida, Memórias de Cego. O auto-retrato e outras ruínas)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Estudar






Escrever sem ver

"Acidentalmente, e por vezes à beira do acidente, acontece-me escrever sem ver. Não, sem dúvida, com os olhos fechados. Mas abertos e desorientados na noite; ou, pelo contrário, de dia, com os olhos fixos noutra coisa, olhando algures para outro lado, diante de mim, por exemplo, quando vou ao volante: rabisco então alguns traços nervosos com a mão direita, num papel preso ao painel de bordo ou caído ao pé de mim no assento. Algumas vezes, sempre sem ver, em cima do próprio volante. São anotações para não esquecer, grafites ilegíveis, dir-se-ia em seguida uma escrita cifrada.
O que é que se passa quando se escreve sem se ver? (...) a imagem esboça-se sem dúvida em mim." (Jacques Derrida, Memórias de Cego. O auto-retrato e outras ruínas)

Inverno


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Castro

"It was beauty that had ruined him (...) There was blood on the painted feet, as though the thing had dripped - blood even on the hand that had not held the knife. Confess? Did it mean that he was to confess? To give himself up, and be put do death" (Oscar Wilde, The Picture of Dorian Gray)

Current mood...


... por sugestão de outros.

Vos amo

"Escrevo sem ver. Vim. Queria beijar-vos a mão (...) Eis a primeira vez que escrevo nas trevas (...) sem saber se formo caracteres. Por todo o lado em que não houver nada, lede que vos amo" (Diderot, Carta a Sophie Volland, 10 de Junho de 1759)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Midas is my middle name


A fazer...

... pela vida. Conferência de imprensa, almoço de trabalho, boleias em Mercedes, lanches e inaugurações dos tempos passados. Trabalhos para nada, diria um amigo. Palavras partidas. Telefonemas recuperados. Dás-me tusa, como sempre. Guardo os ténis Reebock para ti.

Próximo Verão:


Ecos

"Em longos ecos, confusos, ao longe,
Numa só tenebrosa e profunda unidade,
Tão vasta como a noite e como a claridade,
Correspondem-se as cores, os aromas e os sons.
(Charles Baudelaire, excerto do poema Correspondências, 1857)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Não perder:


Susana Sousa Dias, Natureza-Morta/Stilleben, Museu do Chiado

Perder

Conversa transcrita. Amanhã, o texto, espero. Avançar lentamente para um fim. Para o fim.
São escolhas difíceis: Aconteceu-me uma vez esta noite.
Chamar-me mentiroso?
Quem receber mais três votos será eliminado.
O que vai acontecer quando formos para casa? É que vamos todos para casa.
Caminhamos para o final do percurso.
Quem receber o último voto, será eliminado.
Ela não precisa de estar aqui.
YOU ARE NOT THE BIGGEST LOSER!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Endless stilness

Ready to start?

Businessmen drink my blood
Like the kids in art school said they would
And I guess I'll just begin again
You say can we still be friends

If I was scared, I would
And if I was bored, you know I would
And if I was yours, but I'm not

All the kids have always known
That the emperor wears no clothes
But to bow to down to them anyway
Is better than to be alone

If I was scared, I would
And if I was bored, you know I would
And if I was yours, but I'm not

Now you're knocking at my door
Saying please come out with us tonight
But I would rather be alone
Than pretend I feel alright

If the businessmen drink my blood
Like the kids in art school said they would
Then I guess I'll just begin again
You say can we still be friends

If I was scared, I would
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not

Now I'm Ready to Start

If I was scared, I would
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not

Now I'm Ready to Start

Now I'm Ready to Start
I would rather be wrong
Than live in the shadows of your song
My mind is open wide
And now I'm ready to start

Now I'm Ready to Start
My mind is open wide
Now I'm Ready to Start
Not sure you'll open the door
To step out into the dark
Now I'm ready!
(Arcade Fire)

Does it gets worst?

(Fotografia de Tamotsu Yato)

Ficar pobre

“Ficámos pobres. Fomos desbaratando o património da humanidade, muitas vezes tivemos de o empenhar por um centésimo do seu valor, para receber em troca a insignificante moeda do «actual». À porta temos a crise económica, atrás dela uma sombra, a próxima guerra. «Preservar» é um verbo que se aplica hoje a um pequeno grupo de poderosos que, Deus sabe, não são mais humanos do que a maioria; geralmente, são mais bárbaros, mas não da espécie boa. Os outros, porém, têm de se arranjar, de maneira diferente e com muito pouco. Estão do lado daqueles que desde sempre fizeram do radicalmente novo a sua causa, com lucidez e capacidade de renúncia. Nas suas construções, nos seus quadros, nas suas narrativas, a humanidade prepara-se para, se necessário for, sobreviver à cultura” (Walter Benjamin, "Experiência e Indigência")

Current mood:

Clássico

“Não há documento de cultura que não seja também documento de barbárie. E, do mesmo modo que ele não pode libertar-se da barbárie, assim também o não pode o processo histórico em que ele transitou de um para outro”. (Water Benjamin, "Sobre o conceito da História")

Abre-te...


... FODA-SE!

Partir


Estou à espera. Uma resolução final e acaba ou recomeça.
Champagne e chocolates amargos.
Textos sobre arte e política, sobre a história e a memória, sobre a esfera pública e sobre os protocolos da imagem. O som. Acordo com o som da campaínha. Muesli e notícias. A ressaca da enxaqueca. Preparo-me para o ginásio. Leio One place after Another e muitas fotocópias, arquivadas em vários dossiês. Está sol mas pode chover.

Arquivar

“As obras diferentes, os livros dispersos, toda essa massa de textos que pertencem a uma mesma formação disursiva – e tantos autores que se conhecem e se ignoram, se criticam, se invalidam uns aos outros, se plagiam, se reencontram, sem o saber, e entrecruzam obstinadamente os seus discursos singulares numa trama da qual não são senhores, de cujo todo não se apercebem e cujas dimensões medem mal -, todas essas figuras e essas individualidades diversas não comunicam apenas através do encadeamento lógico das proposições que adiantam, nem pela recorrência dos temas nem pela obstinação de uma significação transmitida, esquecida, redescoberta; comunicam pela forma de positividade do seu discurso. Ou, mais exactamente, esta forma de positividade (e as condições de exercício da função enunciativa) define um campo onde podem eventualmente desdobrar-se identidades formais, continuidades temáticas, translações de conceitos, jogos polémicos”[1].


[1] FOUCAULT, Michel; A Arqueologia do Saber, Edições Almedina, Coimbra, 2005: pp: 171 e 172

sábado, 1 de janeiro de 2011