domingo, 9 de janeiro de 2011

Arquivar

“As obras diferentes, os livros dispersos, toda essa massa de textos que pertencem a uma mesma formação disursiva – e tantos autores que se conhecem e se ignoram, se criticam, se invalidam uns aos outros, se plagiam, se reencontram, sem o saber, e entrecruzam obstinadamente os seus discursos singulares numa trama da qual não são senhores, de cujo todo não se apercebem e cujas dimensões medem mal -, todas essas figuras e essas individualidades diversas não comunicam apenas através do encadeamento lógico das proposições que adiantam, nem pela recorrência dos temas nem pela obstinação de uma significação transmitida, esquecida, redescoberta; comunicam pela forma de positividade do seu discurso. Ou, mais exactamente, esta forma de positividade (e as condições de exercício da função enunciativa) define um campo onde podem eventualmente desdobrar-se identidades formais, continuidades temáticas, translações de conceitos, jogos polémicos”[1].


[1] FOUCAULT, Michel; A Arqueologia do Saber, Edições Almedina, Coimbra, 2005: pp: 171 e 172

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