segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Esquemas

"As situações quotidianas e até as situações-limites não se distinguem por nada de raro ou de extraordinário. É apenas uma ilha vulcânica de pescadores pobres. É só uma fábrica, uma escola... Nós estamos à beira de tudo isso, até da morte, até os acidentes, na nossa vida corrente ou de férias. Nós vemos, suportamos mais ou menos uma poderosa organização da miséria e da opressão. E, precisamente, não carecemos de esquemas sensoriais motores a fim de reconhecer tais coisas, suportá-las ou aprová-las, comportar-nos em consequência, tendo em conta a nossa situação, as nossas capacidades, os nossos gestos. Temos esquemas para nos desviarmos quando é demasiado desagradável, para nos inspirar a resignação quando é terrível, para nos fazer assimilar quando é demasiado belo". (Giles Deleuze, A Imagem-Tempo. Cinema 2)

Apetece-me esquivar. Recebo as notícias. Sigo. Penso nisso depois. Amanhã é mesmo outro dia.

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