quinta-feira, 31 de março de 2011

Current mood:


Elmgreen & Dragset, Mercury-Socks, 2009

Carmo

Calças de fato de treino cinzentas, t-shirt amarela clarinha, lenço de seda, pele hidratada com muito crme, cabelo molhado, colado à cabeça, uma garrafa de água, um chocolate de leite e uma mochila demasiado colorida. Desço a Rua do Carmo e ouço o meu nome. "Pedro". Viro-me. Hoje à noite devo ir ao Purex.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Escrever

"I don't consider writing a quiet, closet act.
I consider it a real physical act.
When I'm home writing on the typewriter, I go crazy.
I move like a monkey.
I've wet myself, I've come in my pants writing."

--Patti Smith

Estado da Nação


Tiago Guedes Madeira, República, 2006

www.tiago-madeira.com

Teen mood

"Load up on guns,
Bring your friends
It's fun to lose and to pretend
She's overboard self assured
Oh no I know, a dirty word.

Hello, hello, hello, hello?
Hello, hello, hello, how low?
Hello, hello, how low, how low?
Hello, hello, hello.

With the lights out, it's less dangerous
Here we are now, entertain us
i feel stupid and contagious
Here we are now, entertain us
A mulato!
An Albino!
A mosquito!
My libido!
Yay! Hey! Yay!

I'm worse at what I do best
And for this gift I feel blessed
Our little group has always been
And always will until the end

Hello, hello, hello, hello?
Hello, hello, hello, how low?
Hello, hello, how low, how low?
Hello, hello, hello.

With the lights out, it's less dangerous
Here we are now, entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now, entertain us
A mulato!
An Albino!
A mosquito!
My libido!
Yay! Hey! Yay!

(Solo)

And I forget just why I taste -
Oh yeah, I guess it makes me smile
I found it hard, it was hard to find
Oh well, whatever, nevermind

Hello, hello, hello, hello?
Hello, hello, hello, how low?
Hello, hello, how low, how low?
Hello, hello, hello.

With the lights out, it's less dangerous
Here we are now, entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now, entertain us
A mullato!
An albino!
A mosquito!
My libido!

A denial!"

(Nirvana, Smells like teen spirit")

Ângelo de Sousa

Nasceu em Maputo, 1938. Ernesto de Sousa dedica um texto a Ângelo de Sousa, publicado na revista "Colóquio-Artes, nº23, Junho de 1975, com o seguinte título "Ângelo de Sousa. Uma Geografia Solene ao Alcance de Todas as Mãos" e sublinha que "o essencial da obra de Ângelo consiste em nos fornecer os instrumentos para uma perfeita liberdade (de movimentos, de gestos, de intenções...) num espaço descomprometido", referindo, ainda, que "todo o trabalho de Ângelo de Sousa se situa numa atmosfera lúdica e desinibida", designando-o de "um homem de imagens". Realizou a sua primeira exposição na Galeria Divulgação, no Porto, ao lado de Almada Negreiros em 1959. Entre 1967-68 viveu em Londres. Entre 1968 e 1972, Ângelo de Sousa é um dos artistas que, ao lado de Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues, constitui o grupo portuense "Quatro Vintes", nome que brinca com a nota obtida no final do curso por estes artistas. É um dos artistas seleccionados por Ernesto de Sousa para participar naquela que é uma das mais importantes exposições dos anos 70, "Alternativa Zero", em 1977. Artista, professor na ESBAP, Ângelo de Sousa, ainda segundo Ernesto de Sousa, "pintor e escultor dos anos 60, é talvez nos anos 70 que Ângelo de Sousa atinge uma definida maturidade. O que há de comum nestas duas fases é uma simplicidade desde sempre carregada de sugestões implícitas, caracterizadas por uma espécie de pudor, que sempre teve qualquer coisa de minimal. Outra característica comum é o jogo serial que parece caminhar da obsessão (de formas) para o seu catálogo metódico. E assim as formas mais simples de hoje são o resultado de uma profunda elaboração e, máquina fotográfica ou de filmar em punho, prospecção das surpresas do quotidiano". Pintura, fotografia, filme, escultura, desenho e instalação informam o seu discurso num original entendimento processual que valoriza o carácter experimental da prática artística, integrando as diferentes áreas disciplinares enunciadas . Assim, no seu percurso, a serialidade, a repetição e a simplicidade estrutural permitem uma análise dos elementos formais e estruturais constitutivos de um discurso plástico que, nas palavras do próprio sobre a sua pintura, garante "o máximo de efeito com o mínimo de recursos. Ou: o máximo de eficácia com o mínimo de esforço" (in Exposição de Pintura Ângelo, Lisboa, Galeria EMI Valentim de Carvalho, 1985), garantindo ao espectador uma experiência que procura estimular as possibilidades da dimensão perceptual inerente a um depurado mas intenso pensamento plástico sobre o espaço da arte.

Criação

"(...) 'making comes before matching'. Before the artist ever wanted to match the sights of the visible world he wanted to create things in their own rights..." (Gombrich, Art and Illusion)

terça-feira, 29 de março de 2011

Current mood


Erhard Schon, Diabo e gaita-de-foles, 1535-40

Reuniões

Projectos, projectos, projectos, conversas, pontos de situação e poucas leituras. Procuro Flaubert. Passo os olhos pelo teatro clássico mas adormeço. Insisto no McLuhan mas desisto. Parto para os dispositivos e penso nos temas. Tédio? Solipsismo? Eterno retorno? Diálogos? Penso nos títulos. A ordem do discurso. O Campo da arte. Habitus discursivos. Sistemas abertos. Conhecimento comum. Espírito comum. Ordem e desordem. Conversas críticas. Cadeias de significação. Exercícios do ver. Apetece-me pornografia e chocolate de leite.

sexta-feira, 25 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Portugal


(William-Adolphe Bouguereau)

Deslocamentos

"Deixa as praças, vai-se às praias; deixa a terra, vai-se ao mar, e começa a dizer a altas vozes: Já que me não querem ouvir os homens, ouçam-me os peixes." (Padre Antónia Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sistemas

"(...) em cada um dos projectos que concebemos e desenvolvemos a dimensão e o grau de complexidade dos sistemas de informação e controlo que lhe são adstritos são factores decisivos e por conseguinte a perfeição exaustiva e absoluta do conceito, na prática, pode coincidir, acaba mesmo por ter que coincidir com uma disfunção crónica e uma fragilidade intrínseca". (W. G. Sebald, Austerlitz)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Last day

The dog life is over!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Revistas de Arte

"Na capa dois ursos de Jeff Koons dizem adeus. A obra do artista norte-americano é evocativa - o número de Março da L+Arte é o último. Sete anos e 81 números depois, o grupo Entusiasmo Media (EM) põe fim a esta revista de arte, leilões e antiguidades. Motivo? Incapacidade de garantir o patrocínio necessário para manter a revista nas bancas.

"Sem um ou vários patrocínios anuais seria muito difícil à EM assegurar a continuidade", disse ao P2 Paula Brito Medori, 48 anos, directora da revista desde 2006. A saída do BPI e da CGD da lista de patrocinadores e a impossibilidade de os substituir devido à crise financeira que começou em 2008 tornou este desfecho inevitável. "Tentei sensibilizar potenciais patrocinadores a não deixarem desaparecer a única revista de arte portuguesa. Não tive muita sorte..."

A L+Arte junta-se, assim, à lista de revistas de arte que nos últimos 15 anos deixaram de ser publicadas em Portugal, com destaque para a Colóquio Artes (Gulbenkian, 1971-1996), a Artes e Leilões (que ressurgiu), a Pangloss e a Arte Ibérica. As razões que levam ao desaparecimento destas revistas prendem-se sobretudo com a relação que mantêm com os anunciantes e com as próprias instituições culturais. Os primeiros retiram-se em períodos de crise, as segundas não perceberam ainda que papel podem ter estas publicações na consolidação do meio artístico, resumem os curadores e historiadores ouvidos pelo P2.

Anunciantes-âncora

José Pedro Paço d"Arcos, director da Artes & Leilões, uma publicação mensal especializada, mas de temática mais abrangente, lamenta o fim da L+Arte. Apontando a "enorme fragilidade" que decorre de "depender esmagadoramente dos anunciantes", Paço d"Arcos explica ainda a falência destes projectos com "a inexistência de uma massa crítica de leitores". Para o director da Artes & Leilões, fundada em 1989, fechada em meados dos anos 90 e reaberta em 2007, "não há mais de três mil pessoas em Portugal que se interessem por uma revista de artes pura e dura". Desses, apenas 500 a mil a compram sempre. "A publicidade e os patrocínios cobrem 80 a 90 por cento dos custos."

Mas alargar o naipe de temas como faz a Artes & Leilões pode afastar os leitores especializados, alerta o curador Pedro Lapa. "Falta um público suficientemente alargado para este tipo de publicações, mas alargar a outros temas não é a solução", diz. Para o historiador de arte, que foi director do Museu do Chiado, a combinação de temas da L+Arte era "adequada ao país", embora a junção da arte contemporânea ao universo de leilões e antiquários pudesse não agradar a todos.

Raquel Henriques da Silva discorda. Mais optimista, a ex-directora do Instituto Português de Museus acredita que em Portugal há público para uma revista como a L+Arte e que foi a publicidade que falhou. "A estratégia de pôr todos os ovos do mecenato no mesmo cesto não foi a melhor." Combinar o mercado com a arte era uma das suas mais-valias: "A abrangência aos leilões e ao antiquariado fazia com que chegasse a mais pessoas."

Com o fim da revista é a relação das pessoas com os promotores culturais que sai prejudicada, diz o historiador de arte Joaquim Caetano. "A cultura tem cada vez menos visibilidade nos jornais, que têm cada vez menos crítica de exposições", diz.

A área da crítica era, também para Delfim Sardo, curador que criou a revista de arte contemporânea Pangloss (2000-2003), uma das mais-valias. "Era praticamente o único espaço que existia para a crítica. Ela está tão mitigada nos jornais que não cumpre a sua função, que é a de ser formativa e estabelecer critério."

Projecto bem sucedido

Para Sardo, Caetano e Henriques da Silva, o fim da L+Arte não é um fracasso, nem reflexo da impossibilidade de o mercado manter uma publicação do género. "Não sei se as revistas de arte em Portugal não vingam... A Arte Ibérica e a L+Arte publicaram 80 números, o que não é assim tão mau. É claro que nenhuma delas é a Gazette des Beaux-Arts [fundada em 1859], mas foram projectos sólidos", diz Caetano.

O projecto foi "excepcionalmente bem sucedido", acrescenta Henriques da Silva, colaboradora da revista desde 2006. "Mas é frustrante que acabe, quando estava claramente a crescer em qualidade."

Para Sardo, o que falhou foi a publicidade e a relação da L+Arte com as instituições culturais. "O meio artístico prefere anunciar em jornais generalistas. As galerias, os museus e outras instituições culturais mostram pouca visão", critica. "Não percebem que têm a responsabilidade de anunciar neste tipo de publicação, que é fundamental para a criação de um meio artístico", conclui. "

in Lucinda Canelas, Público, 16 Março, 2011 (http://jornal.publico.pt/noticia/16-03-2011/portugal-tem-espaco-para-as-revistas-de-arte-21561148.htm)

terça-feira, 15 de março de 2011

L+arte


Cet amour - Jacques Prévert

Cet amour
Si violent
Si fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au millieu de la nuit
Cet amour qu faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blêmir
Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l’avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entier
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C’est le tien
C’est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelle
Et qui n’a pas changé
Aussi vrai qu’une plante
Aussi tremblante qu’un oiseau
Aussi chaude aussi vivant que l’été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort,
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marble
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi je l’écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s’aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Lá où tu es
Lá où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t’en va pas
Nous qui sommes aimés
Nous t’avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n’avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids
Beaucoup plus loin toujours
Et n’importe où
Donne-nous signe de vie
Beaucoup plus tard au coin d’un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Constipado...


... e quase na cama, com vontade de mandar vir uns go go boys para animar!

Rene Ricard - "On Being Called A Dilettante" (1977)

Why did I get up today or yesterday?
There is no cushioning layer of beauty
Between the harsh realities of life.
Everything goes from one gray area
To the grayer next. I am one of
Those people who set out to lose.
Where people pride themselves on money
Influence and having friends, I am
Poor, ridiculous, and haven't any.
Brice Marden called me a dilettante
The other night. It serves me right.
I don't make a big deal about my talent
And am so unsure about the quality of
My work that I never show it to people
So I guess that they think I don't do anything.
I've never earned a penny from my work
Which does in a sense make it worthless.
Someone asked me the other day what I
Do for a living and I just didn't know what to say.
I am an extra cast to decorate the bar scene:
There's poor Rene - how old he's getting. Such
Promise such intelligence it's just too bad.
Someone should do something for him. He
Used to be so amusing but bitterness and failure
Illness and disesteem have made him vexatious and
Mean. I wonder how he survives. So do I.
Friends must be tiring of me rapidly. Do I
Get invited to people's summer homes? They
Must be tired of waiting for me to do something.
I won't surprise them by becoming a great success
Because failure is my way of revenge, self-pity
My affection the only kind I know.
I am one of those people invited to entertain after
Dinner like a toothpick. And if I meet new people
On a good night, who are taken in and take me in
Soon tire of me also when they see how my friends,
The actual objects of their curiosity, treat me.
Some people set out to lose and find success where
Others see failure. In the low regard of friends I
Find reinforcement for my view of the hollow world
Where I have chosen to live, a mild irritant
And a moral lesson to youth, to fulfill at an
Early age the promise I have so completely broken.

- Rene Ricard 1977

RENE RICARD, FAMOUS AT 20 (1979)

… and I still expect to be deferred to
To get in free with a crowd
So I don't go to places where I have to pay
Sure I miss out on a lot but there was a time
When every doorman in town knew me as an ornament
Wherever I stood

Even though I'm not on the A list anymore
And don't even get invited to the B parties
I'm still treated well where being
A former underground movie star
Still carries a little weight
I can still turn on the charm
And find a small but enthusiastic audience
Where the star of a more elegant time
Is still appreciated once in a while
By the fossil hunters

I am no longer sought after by the great hostesses
The truth is I don't care anymore
I've seen them come and go
The addresses change but the guest list
Remains the same
The rich are the worst
And the very rich the very worst
They only want the Nobel Prize winners
The Academy Award winners
They are like little kids when they meet someone famous
Or someone even more rich then them
Because the dreams of the poor are only exaggerated
into the grotesque by the rich

Yes those great hostesses who purport to be lion tamers
End up being nothing but head hunters
Laughed at behind their backs
But who wouldn't
Yeah, it's a vulgar sprint for the famous
And the nouveau cute who feed to them
All those pretty young kids thrown to the vampires
Some vanish and the lucky ones
Become vampires themselves

I didn't - that's all
It's all right to joke about it
But my stomach turns when I have to wait
In line outside some posh nightspot
And watch my poor friends led like tugboats
While one of those drunken fiends
Prods them into a limousine

What will it get them?
A few grants for a pathetic art project?
This year's pet? Society's darling?
You think they'd say "Hi" to try to get me in
But it Le Monde, dearie
You know who you are
All you sycophants and grant hustlers
I will never apply for a grant
Let me starve!
I must look out for my biography
I may be a pariah but I am still
And always will be a living legend
I'd rather starve

- Rene Ricard

Civilizados

"Only the phonetic alphabet makes a break between eye and ear, between semantic meaning and visual code; and thus only phonetic writing has the power to translate man from the tribal to the civilized sphere, to give him an eye for an ear. The Chinese culture is considerably more refined and perceptive than the Western world has ever been. But the Chinese are tribal, people of the ear. 'Civilization' must now be used technically to mean detribalized man for whom the visual values have priority in the organization of thought and action. Nor is this to give any new meaning or value to 'civilization' but rather to specify its character. It is quite obvious that most civilized people are crude and numb in their perceptions, compared with the hyperesthesia of oral and auditory cultures. For the eye has none of the delicacy of the ear". (Marshal McLuhan, The Gutenberg Galaxy)

Current mood:

(Jack Strange, Tom, 2007)

sábado, 12 de março de 2011

Manifestação?

"S'ils n'ont pas de pain, qu'ils mangent de la brioche"

sexta-feira, 11 de março de 2011

Ideas

Oikonomia

"In the eyes of authority - and maybe rightly so - nothing looks more like a terrorist than the ordinary man. (...)

Rather than the proclaimed end of history, we are, in fact, witnissing the incessant though aimless motion of this machine, whih, in a sort of colossal parody of theological oikonomia, has assumed the legacy of the providential governance of the world; yet instead of redeeming our world, this machine (true to the original escathological vocation of Providence) is leading us to catastrophe. The problem of the profanation of apparatuses - that is to say, the restitution to common use of what has been captured and separated in them - is, for this reason, all the more urgent". (G. Agamben, What is an apparatus?)

Current mood




(Fotografia de Adi Nes)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Suffering

"Lee did not enjoy frustration. The limitations of his desires were like the bars of a cage, like a chain and collar, something he had learned as an animal learns, through days and years of experiencing the snub of the chain, the unyielding bars. He had never resigned himself, and his eyes looked out through the invisible bars, watchful, alert, waiting for the keeper to forget the door, for the frayed collar, the loosened bar... suffering without despair and without consent". (William S. Burroughs, Queer)

Current mood

It gets worst?
FUCK ME!

Glass Candy

Ansiávamos os sons e os movimentos de Ida No, a vocalista dos Glass Candy, descalça num pequeno palco. Olhávamos para os lados. A expectativa contaminava o público com glamour existencialista. Reflectiamos nos outros a vontade de uma rea......cção quimiluminiscente colectiva. Nos instrumentos, Johnny Jewel exibia umas lágrimas, aparentemente, tatuadas.

Do início ao fim do concerto – é mais do que um concerto -, a elasticidade da repetição é feita de uma bizarra sequência de formas côncavas e convexas e de uma sobreposição hipnótica de linhas paralelas, perpendiculares e diagonais. Os movimentos angulares do corpo da vocalista, estruturados pelo músculo de uma voz que se apodera do espaço, levam-nos da esquerda para a direita, da frente para o verso e, no subjectivo espaço do nosso corpo, mimetizamos a expressão plástica e pictórica de um som flectido e inflectido sobre curvas e contracurvas de graves e agudos. Naquela noite, tocaram-nos sem nos tocar. (publicado numa brochura do Lux)

Há um ano, em Paris, no Festival Super Mon Amour, foi assim. Hoje, é no Lux!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Nas bancas:

"The schock had sobered him, drained away his drunken euphoria. He realized how tired he was, and how weak, but he was not ready yet to go home" (William S. Burroughs, Queer)
No Facebook da L+arte (www.facebook.com/lartes):

"Depois de quase sete anos, a L+arte chega ao fim. Este é o último número.

Por ter perdido o patrocinador dos últimos dois anos e por não ter conseguido encontrar um substituto, porque "a crise está instalado no País, os patrocinadores desapareceram e o sector da arte em Portugal sofre também com a conjuntura", a Entusiasmomedia (www.entusiasmomedia.pt), empresa que edita a revista, decidiu cancelar a sua publicação.

Além de um enorme MUITO OBRIGADO a todos quantos nos ajudaram a chegar até aqui, a direcção e a redacção da L+arte querem tornar pública a sua certeza de que uma revista de arte em Portugal deixou de ser uma utopia. Nunca foi fácil, mas só este ano se tornou impossível.

Adeus! Até um dia! "

segunda-feira, 7 de março de 2011

Abandonar

"One of the methodological principles that I constantly follow in my investigations is to identufy in the texts and contexts on which I work what Feuerbach used to call the philosophical element, that is to say, the point of their Entwicklungsfahigkeit (literally, capacity to be developed), the locus and the moment wherein they are susceptible to a development. Nevertheless, whenever we interpret and develop the text of an author in this way, there comes a moment when we are aware of our inability to proceed any further whithout contravening the most elemantary rules of hermeneutics. This means that the development of the text in question has reached a point of undecidability where it becomes impossible to distinguish between the author and the interpreter. Although this is a particularly happy moment for the interpreter, he knows that it is now time to abandon the text that he is analyzing and to proceed on his own". (Giorgio Agamben, What is an apparatus?)

Fim-de-Semana


sexta-feira, 4 de março de 2011

Os rapazes românticos

"I feel like men are more romantic than women. When we get married we marry, like, one girl, 'cause we're resistant the whole way until we meet one girl and we think I'd be an idiot if I didn't marry this girl she's so great. But it seems like girls get to a place where they just kinda pick the best option..." (Dean, Blue Valentine)

Futuro?


Tédio

Almoço com vista. A luz aniquila-nos. Olhamos, conversamos e passeamos. Bronzeados. Aulas. Deito-me tarde. Adormeço a jogar solitário paciente. Acordo sem vontade de acordar. O tempo passa. Enfado-me perante o fastio. Aborreço-me. O tédio escorre-me pela cara. Maçada!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Teaser


Modernidade?

"(...) hoje subjacente a todas as miscelâneas que arrastam Hölderlin ou Cézanne, Mallarmé, Malevitch ou Duchamp para a grande amálgama onde se mistura a ciência cartesiana e o parricídio revolucionário, a idade das massas e o irracionalismo romântico, a interdição de representar e as técnicas de reprodução mecanizada, o sublime kantiano e a cena primitiva freudiana, a fuga dos deuses e o extermínio dos judeus da Europa" (Jacques Rancière, Estética e Política. A Partilha do Sensível)

Ozalides finais

FIM?
Nas bancas, brevemente, talvez a última edição da L+arte.
Esperamos, ansiosamente, por um milagre mecenático.
It's not over until it's over!

terça-feira, 1 de março de 2011

Pergunta do dia:

Como é que te estás a aguentar?