quarta-feira, 30 de março de 2011

Ângelo de Sousa

Nasceu em Maputo, 1938. Ernesto de Sousa dedica um texto a Ângelo de Sousa, publicado na revista "Colóquio-Artes, nº23, Junho de 1975, com o seguinte título "Ângelo de Sousa. Uma Geografia Solene ao Alcance de Todas as Mãos" e sublinha que "o essencial da obra de Ângelo consiste em nos fornecer os instrumentos para uma perfeita liberdade (de movimentos, de gestos, de intenções...) num espaço descomprometido", referindo, ainda, que "todo o trabalho de Ângelo de Sousa se situa numa atmosfera lúdica e desinibida", designando-o de "um homem de imagens". Realizou a sua primeira exposição na Galeria Divulgação, no Porto, ao lado de Almada Negreiros em 1959. Entre 1967-68 viveu em Londres. Entre 1968 e 1972, Ângelo de Sousa é um dos artistas que, ao lado de Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues, constitui o grupo portuense "Quatro Vintes", nome que brinca com a nota obtida no final do curso por estes artistas. É um dos artistas seleccionados por Ernesto de Sousa para participar naquela que é uma das mais importantes exposições dos anos 70, "Alternativa Zero", em 1977. Artista, professor na ESBAP, Ângelo de Sousa, ainda segundo Ernesto de Sousa, "pintor e escultor dos anos 60, é talvez nos anos 70 que Ângelo de Sousa atinge uma definida maturidade. O que há de comum nestas duas fases é uma simplicidade desde sempre carregada de sugestões implícitas, caracterizadas por uma espécie de pudor, que sempre teve qualquer coisa de minimal. Outra característica comum é o jogo serial que parece caminhar da obsessão (de formas) para o seu catálogo metódico. E assim as formas mais simples de hoje são o resultado de uma profunda elaboração e, máquina fotográfica ou de filmar em punho, prospecção das surpresas do quotidiano". Pintura, fotografia, filme, escultura, desenho e instalação informam o seu discurso num original entendimento processual que valoriza o carácter experimental da prática artística, integrando as diferentes áreas disciplinares enunciadas . Assim, no seu percurso, a serialidade, a repetição e a simplicidade estrutural permitem uma análise dos elementos formais e estruturais constitutivos de um discurso plástico que, nas palavras do próprio sobre a sua pintura, garante "o máximo de efeito com o mínimo de recursos. Ou: o máximo de eficácia com o mínimo de esforço" (in Exposição de Pintura Ângelo, Lisboa, Galeria EMI Valentim de Carvalho, 1985), garantindo ao espectador uma experiência que procura estimular as possibilidades da dimensão perceptual inerente a um depurado mas intenso pensamento plástico sobre o espaço da arte.

Sem comentários: