quinta-feira, 10 de março de 2011

Glass Candy

Ansiávamos os sons e os movimentos de Ida No, a vocalista dos Glass Candy, descalça num pequeno palco. Olhávamos para os lados. A expectativa contaminava o público com glamour existencialista. Reflectiamos nos outros a vontade de uma rea......cção quimiluminiscente colectiva. Nos instrumentos, Johnny Jewel exibia umas lágrimas, aparentemente, tatuadas.

Do início ao fim do concerto – é mais do que um concerto -, a elasticidade da repetição é feita de uma bizarra sequência de formas côncavas e convexas e de uma sobreposição hipnótica de linhas paralelas, perpendiculares e diagonais. Os movimentos angulares do corpo da vocalista, estruturados pelo músculo de uma voz que se apodera do espaço, levam-nos da esquerda para a direita, da frente para o verso e, no subjectivo espaço do nosso corpo, mimetizamos a expressão plástica e pictórica de um som flectido e inflectido sobre curvas e contracurvas de graves e agudos. Naquela noite, tocaram-nos sem nos tocar. (publicado numa brochura do Lux)

Há um ano, em Paris, no Festival Super Mon Amour, foi assim. Hoje, é no Lux!

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