segunda-feira, 4 de abril de 2011

Amor

"O amor da arte, como o amor, mesmo e sobretudo o mais louco, sente-se fundado no seu objecto. É para se convencer de ter razão em (ou razões de) amar que recorre com tanta frequência ao comentário, essa espécie de discurso apologético que o crente dirige a si próprio e que, além de ter pelo menos como efeito redobrar a sua própria crença, pode ainda despertar e convocar os outros para a mesma crença. É por isso que a análise científica, quando é capaz de trazer à luz do dia aquilo que torna a obra de arte necessária, ou seja, a fórmula informadora, o princípio gerador, a razão de ser, fornece à experiência artística, e ao prazer que a acompanha, a sua melhor justificação, o seu alimento mais rico. Através dela o amor sensível da obra pode consumar-se numa espécie de amor intellectualis rei, assimilação do objecto ao sujeito e imersão do sujeito no objecto, submissão activa à necessidade singular do objecto literário (que, em mais do que um caso, é ele próprio o produto de uma submissão semelhante)." (Pierre Bourdieu , As Regras da Arte)

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